Avançar para o conteúdo principal

Nem um, nem outro

O primeiro-ministro criticou com particular veemência a proposta do PSD de reforço dos poderes presidenciais, o que aliás vêm no seguimento de outras críticas do PS relativamente às propostas de alterações constitucionais propostas pelo PSD.
Em relação à proposta de aumento dos poderes presidenciais, para além da extemporaneidade da ideia, fica-se com a sensação que um aumento de poderes do Presidente da República fragilizaria o próprio conceito semipresidencialista.
De um modo geral, os problemas do país são muito mais do que económicos, e passam essencialmente pela ausência de soluções políticas. Como já se percebeu, tanto o primeiro-ministro como o presidente do PSD não são soluções para o país. As propostas apresentadas por ambos são de uma tibieza confrangedora. No caso do PS, o resultado de anos de governação está à vista de todos: um país deprimido, sem dinheiro e em constante angústia relativamente ao dia de amanhã; no caso do PSD, as propostas parece servirem pouco o colectivo, a menos que Passos Coelho tenha a percepção de que o colectivo resume-se a um pequeno conjunto de pessoas que vão beneficiar com o enfraquecimento do Estado Social, designadamente, aqueles que vão entrar pelas portas que entretanto se abrem com esse enfraquecimento do Estado Social.
De um modo geral, a verdadeira crise é uma crise de soluções políticas. Tanto PS como PSD estão longe de proporcionar essas soluções. A mudança interna, respeitante a cada um dos partidos, será, muito provavelmente, primeiro do PS. Resta saber se a alternativa a Sócrates não será de mera continuidade. Se assim for, prolonga-se o estertor nacional.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...