Avançar para o conteúdo principal

Sinais animadores

Depois de tantas interrogações e pessimismo - compreensíveis - surge hoje uma notícia animadora: indicadores que mostram um aumento do ritmo da retoma da economia portuguesa. Com efeito, este é um excelente sinal que merecia ser acompanhado por um conjunto de politicas que possam permitir que o país tenha uma economia mais sólida e mais justiça social. É claro que as notícias notícias não são todas boas, afinal de contas 18 por cento dos portugueses são pobres.

Infelizmente, há quem insista em separar a eficácia económica e a redistribuição de receita, fruto, em larga medida, dessa mesma eficácia. É evidente que sem criação de riqueza é impossível falar-se de erradicação da pobreza. O que tem sido a prática no nosso país é continuar a propalar as medidas necessárias para encetar mudanças em determinados sectores, a insistência de muitos em chafurdar numa mentalidade mesquinha e de vistas curtas, e tentar remendar o crescente número de cidadãos pobres com medidas paliativas e sem resultados a médio e longo prazo.

No caso da mentalidade vigente entre nós, promove-se a indolência ou o "chico-espertismo" e os resultados estão à vista: um país pobre, a vários níveis, angustiado com o presente e sem perspectivas de futuro.

Os bons sinais com que comecei este texto vão trazendo algum ânimo. São sinais de que o pior da crise pode já ter passado, mas não escondem o facto de que a crise que se vive em Portugal vai manter-se. Para começarmos a sentir sinais de esta crise em particular está prestes do fim seriam necessárias mudanças dramáticas que o povo português, simplesmente, não está disposto a fazer.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...