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Mensagens

O cerne da questão

Escrever todos os dias não é fácil, sobretudo quando se escreve sobre o país. Não raras vezes sentimos que o esforço é infrutífero, que não passamos a ideia central e que nos perdemos em detalhes sem grande importância. Sentimos, de um modo geral, que o exercício diário, precisamente por ser reiterado, vai perdendo a sua força. O nosso maior receio acaba por ser não passar a ideia central que norteia o fundamento do que escrevemos - textos de opinião é certo, mas que procuramos sempre fundamentar. A ideia central, o cerne da questão, é a que se prende com o rumo escolhido, em particular nos últimos anos. Esse rumo, primeiro foi escolhido pelo centrão, hoje é levado a cabo com muito maior intensidade por um Governo que não se coíbe de mostrar as suas garras neoliberais. Contrariamente ao que o líder da bancada parlamentar do PSD disse há tão pouco tempo, o país não está bem, não são apenas as pessoas que não estão bem. O rumo seguido é do empobrecimento e da escravatura d...

Ainda a Ucrânia

Depois da queda do Presidente Ucraniano e de alguns dias de aparente acalmia, a região da Crimeia (república autónoma da Ucrânia, de forte influência russa) responde de forma taxativa aos acontecimentos que marcaram a Ucrânia nos últimos meses, com particular ênfase nas últimas semanas. Assim, o Parlamento e o governo da Crimeia foram ocupados por homens armados. No princípio da semana, o Presidente Russo, Vladimir Putin, colocou tropas na fronteira ucraniana. Já aqui se tinha escrito que Vladimir Putin não se limitaria a assistir aos acontecimentos na Ucrânia de forma impávida, como se de um mero espectador se tratasse. O resultado quer da tentativa dos Estados Unidos e da UE (com a Alemanha à cabeça) de alastrar a sua influência àquela região, com todos os proveitos económicos e financeiros associados, quer a tentativa da Rússia de manter aquela região sob a sua influência redundará na divisão inexorável do país. Recorde-se que a zona ocidental da Ucrânia quer uma maior ...

Se o rídiculo matasse...

Quando pensavamos que ja tinhamos visto tudo em política, o PSD surpreende-nos com o regresso de Miguel Relvas provando que naquele partido desvirtuado há lugares para todos, pelo menos para todos os amigos. Miguel Relvas regressa para encabeçar a lista do Conselho Nacional. Muitos congressistas foram apanhados de surpresa e acredita-se que alguns não se mostraram particularmente satisfeitos com a escolha. No entanto, a celeuma acabou por não se verificar e tudo acaba bem com sorrisos e promessas de fazer o melhor pelo partido, sobretudo agora que se avizinha novo período eleitoral. De Miguel Relvas não há muito a dizer, o ridículo tomou conta do ex-ministro, mas nem isso terá sido suficiente para demover Passos Coelho de o repescar, o que prova que o PSD é um partido onde há lugar para todos, pelo menos para todos aqueles que se enquadram num partido que está longe de se pautar pela competência e mais longe ainda dos interesses dos cidadãos. O regresso de Miguel Relvas ...

Eleições europeias

Maio é mês de eleições, desta feita eleições para o Parlamento Europeu. Segundo uma sondagem da Pollwatch, o centro-esquerda lidera as intenções de voto com uma ligeira vantagem. Este resultado, a confirmar-se em Maio, prende-se indubitavelmente com o descontantamento do eleitorado relativamente à forma como a direita tem lidado com a crise. Porém, esse descontentamento beneficia também os partidos de extrema-direita e euro-cépticos, como é o caso da Frente Nacional em França e o UKIP no Reino Unido, partido que se posiciona contra a Europa. Por outro lado, a abstenção poderá muito bem ser a grande vencedora destas eleições, tanto mais que o afastamento entre cidadãos e classe política (boa parte dela comprometida com interesses que não se coadunam com os interesses dos cidadãos) é cada vez mais significativa. Finalmente, importa referir que estas eleições têm uma importância acrescida na precisa medida em que são determinantes - desde o Tratado de Lisboa - para a ...

Um outro país

Este fim-de-semana ficou marcado pelo congresso do PSD. Não se estava à espera de contestação e nada de relevante se terá passado. No entanto, aquela amostra de país que se encontrava no Coliseu dos Recreios nada tem a ver com o país real. Aclamou-se de forma mais ou menos comedida o líder; Marcelo Rebelo de Sousa fez um brilharete e Miguel Relvas regressou para integrar a lista para o Conselho Nacional. Dir-se-á que o regresso de Miguel Relvas já é um facto de relevo. Discordo. O regresso de Miguel Relvas é um acto natural num partido que chafurda num misto de incompetência, promiscuidade e na tal espécie de neoliberalismo. O que se viu no Coliseu foi um outro país; o que se viu no Coliseu foi um exercício triste de quem procura ganhar eleições já em Maio. De fora do Coliseu ficou a miséria que assola o país, o retrocesso e a ausência de esperança. O PSD lançou assim a sua campanha para as eleições europeias (onde se joga lugares no Parlamento Europeu e para a própria p...

Fim da crise na Ucrânia

Tem sido notícia a possibilidade de um acordo político na Ucrânia que dê origem a eleições presidênciais antecipadas, a uma reforma constitucional e eventualmente a um governo de coligação. Se esta notícia se confirmar, o país poderá assistir a um apaziaguamento cada vez mais premente. Todavia, mesmo que o actual presidente promova este acordo e que a oposição aceite, a estabilidade poderá ainda estar longe de ser uma realidade. A complexidade das razões que subjazem aos protestos e agora conflitos tem sido simplificada de modo faccioso pela comunicação social ocidental e pela comunicação social russa, o que poderá levar a crer que a solução para a Ucrânia é também ela simples. A divisão entre a parte ocidental e parte oriental da Ucrânia acentuou-se dramaticamente nos últimos meses e sejamos realistas: a Rússia quer manter a sua influência na zona, não estando Putin disposto a abrir um precedente com a Ucrânia e a Europa, sobretudo a Alemanha, pretende estender a sua in...

Um dia mau

Todos temos dias maus, o Governo de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas não é excepção e ontem foi um desses dias maus. Desde logo, o referendo sobre a co-adopção foi chumbado pelo Tribunal Constitucional. A notícia em si não pode constituir surpresa, por muito que a exiguidade mental seja profusa no Executivo, era por demais evidente que o Constituicional não passaria aquelas duas perguntas. O referendo continuará a ser uma manobra de diversão. Porém, o chumbo do TC só pode ser lido como uma derrota, mais uma, do Governo. Como se isso não bastasse, o relatório do FMI deita por terra o "milagre económico" da economia portuguesa. Sublinha-se a necessidade de encontrar mais 3 mil milhões de euros - cortes permanentes - para cumprir as próximas metas. O fim do programa de ajustamento não é sinónimo do fim da austeridade. Ela está aí para continuar.