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Mensagens

Europa longe dos cidadãos

Aproximam-se as eleições para o Parlamento Europeu e o interesse dos cidadãos reduz-se ao mínimo. Os vários partidos políticos esgrimam argumentos tentando simultaneamente fazer passar as suas mensagens e convencer o eleitorado da importância da Europa. Todavia, não deixa de ser curioso verificar que alguns que, num passado recente, defenderam veementemente a aprovação do Tratado de Lisboa por via parlamentar - recusando assim o referendo -, e com o argumento que esse tratado colocava aos cidadãos dificuldades de compreensão inultrapassáveis (passando inadvertidamente ou não um atestado de menoridade aos cidadãos), venham agora falar da importância da participação dos eleitores. A aprovação do Tratado de Lisboa por via parlamentar tem toda a legitimidade, mas a rejeição imediata do referendo recorrendo a linha de argumentação sustentada no menosprezo pelos cidadãos acabou por encerrar a questão (pelo menos no nosso país), sem que houvesse lugar a uma discussão profícua sobre o Tratado ...

100 dias

O Presidente Barack Obama cumpre os primeiros 100 dias na Casa Branca. É altura, por isso, de fazer alguns balanços da presidência que, apesar de algumas críticas, é globalmente positiva. As críticas são de duas ordens: aqueles que esperavam mais do Presidente dos Estados Unidos e aqueles que consideram que a postura do Presidente Obama pode por em causa a própria segurança dos Estados Unidos. Ambas são exageradas e apenas confirmam a impassibilidade de se conseguir agradar a Gregos e Troianos. Além disso há a tendência para criticar as políticas americanas por parte daqueles que sucumbem a tentações pautadas por sentimentos nefastos pelos EUA . De um modo geral, o Presidente Barack Obama conseguiu afastar o fantasma do seu antecessor e das suas políticas desastrosas, contribuindo para um melhoramento assinalável da imagem dos EUA no mundo. O anúncio do encerramento de Guantánamo , a tentativa de concertar esforços com os seus aliados, a aproximação a Cuba e essencialmente a forma desc...

Bloco Central

A SIC Notícias avançou ontem a hipótese de Manuela Ferreira Leite aceitar a formação de um bloco central, isto depois da líder do PSD ter admitido, numa entrevista com Mário Crespo, a possibilidade de acordos com o PS. De facto, Ferreira Leite não afastou a possibilidade de entendimentos com o Partido Socialista, o que foi rapidamente interpretado como sendo uma admissão da disponibilidade da Presidente do PSD para um Bloco Central. Manuela Ferreira Leite veio já desmentir essa possibilidade, considerando a ilação abusiva. Contudo, fica a dúvida das intenções do PSD, dúvida essa que é prejudicial ao PSD. Ora, se o PSD tem vindo a ser acusado de não constituir verdadeira alternativa ao PSD, quaisquer diferenças diluem-se na possibilidade de um bloco central, deixando quem procura essa alternativa, mas não a procura na esquerda mais radical, órfão de alternativas. Seria, do meu ponto de vista, um erro crasso a mera possibilidade de o PSD procurar entendimentos com o PS. Sublinhe-se també...

50 milhões de pobres

É, segundo o FMI e o Banco Mundial, quanto a crise económica já criou em todo o mundo, em particular nos países em desenvolvimento. O número não vai ficar pelos 50 milhões, tendo em conta o mais do que certo agravamento da crise económica internacional. Ora, a estratégia dos países com maior preponderância estão a falhar em dois aspectos: por um lado, a incapacidade de atacar de forma eficiente a crise, designadamente os seus efeitos; e por outro, a recusa em se fazer reformas profundas num modelo falacioso que é responsável, entre outras coisas, por mais estes 50 milhões de pobres. A cimeira do G8 poderia até ser um primeiro passo no entendimento de uma reforma do modelo económico que vigora e cuja dependência do sector financeiro desregulado não pode continuar a ser uma realidade. Dir-se-á que ainda é cedo para se equacionar a importância e estrutura de um novo modelo e que o que interessa agora é combater os efeitos da crise; contudo, é preciso ir mais longe e apostar nas duas fren...

Inauguração polémica

A inauguração do Largo Salazar, em Santa Comba Dão, no dia 25 de Abril, está a provocar forte celeuma. A insistência do presidente da autarquia de inaugurar o Largo com o nome do ditador é vista como uma clara provocação e é manifestamente sintomática do mau gosto do autarca. Na verdade, não passa de mais um exemplo da falta de honestidade intelectual de quem ocupa cargos eleitos. Afinal, com tantos dias do ano, escolhe-se precisamente o dia da queda do regime intrinsecamente associado a Salazar para inaugurar um largo com o seu nome. Nestas circunstâncias, não se pode honestamente falar em coincidências, como tem sido o argumento do autarca. Ao mau gosto da iniciativa também se pode acrescentar uma tentativa de publicitar a terra, seguindo um pouco à letra a ideia de que até a má publicidade é boa publicidade. Importa sublinhar que o autarca tem toda a legitimidade de levar a cabo iniciativas desta natureza - os regimes democráticos são frequentemente atacados por episódios similares ...

Afeganistão e as mulheres…

… Ou o inferno na terra. A prova desse inferno para as mulheres está na lei que legaliza as violações das mulheres, ou seja, doravante o Afeganistão legaliza as violações de mulheres às mãos dos seus próprios maridos que têm o direito de usufruir do corpo das suas mulheres, nem que para isso tenham de forçá-las. Esta lei é apenas mais um sinal inequívoco de um país medieval que vive refém dos condicionalismos tribais e do radicalismo islâmico e que tem pelas suas mulheres o desprezo mais abjecto. A lei que permite que as mulheres sejam violadas pelos próprios maridos afecta a comunidade xiita, minoritária no país. Ainda assim, a violência que é permitida por lei contra as mulheres é simplesmente ignominiosa. Aquando da intervenção militar americana no Afeganistão, muitos estavam convencidos que a liberdade passaria a ser uma realidade, agora que os americanos acabarem com a ameaça talibã. Recorde-se que as mulheres afegãs foram as principais vítimas do regime ...

Novas medidas do Governo: mais do mesmo

O primeiro-ministro aproveitou a entrevista que concedeu à RTP para anunciar mais algumas medidas para combater a crise e reforçar outras políticas que já tinham sido tomadas. Entre as novas medidas contam-se o alargamento do subsídio de desemprego mais 15 mil pessoas. No que diz respeito ao reforço de medidas entretanto adoptadas, o primeiro-ministro volta a levantar a bandeira das obras públicas como tentativa central para se combater os feitos nefastos da crise. Hoje, dia de debate parlamentar, é previsível que José Sócrates anuncie mais medidas. Com efeito, o crescimento da taxa de desemprego e as dificuldades a isso associadas não deixam muitas alternativas a este e a qualquer governo democrático: é necessário reforçar medidas de apoio aos muitos portugueses que estão em situação difícil. Mas atenção, essas políticas sociais devem ser bem ponderadas, até porque sabemos que a generosidade do Estado tem sido excessiva e não raras vezes serve como uma almofada confortável que promove...