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Mensagens

Ainda o caso Freeport

O processo Freeport é mais um sinal perturbador do estado em que o país se encontra: as televisões mostram gravações de conversas que envolvem o nome do primeiro-ministro; os magistrados do Ministério Público falam em pressões intoleráveis; a Justiça tem dificuldades em dar uma resposta célere; o primeiro-ministro não esconde a sua exasperação e o país vai acompanhando mais uma espécie de novela que mostra a profunda degradação a que o país chegou. Entretanto, todos clamam por uma justiça mais rápida e eficaz e existe uma multiplicidade de notícias relacionada com o Freeport. Veja-se a notícia que dá conta do assalto ao escritório da advogada do alegado autor da carta anónima - assalto fortuito ou nem por isso? Enquanto a Justiça não der uma resposta contundente, a suspeição e a incerteza vão continuar a manchar a imagem do chefe de Governo. Este processo já provocou, pelo menos, uma baixa: a periclitante Justiça. Desta vez a Justiça não pode deixar que o processo se arraste por muito ...

O embróglio da Educação

A discussão sobre Educação passou centrar-se exclusivamente no polémico processo de avaliação dos professores. Existe uma multiplicidade de problemas na Educação que foram obnubilados por uma avaliação dos professores que apenas mostrou a incapacidade quer do Governo, quer dos sindicatos dos professores em chegarem a algum entendimento. Pelo meio, a qualidade ensino, as elevadas taxas de abandono escolar, a artificialidade dos números que revelam melhorias incomensuráveis nos exames nacionais, o facilitismo, a crescente importância da orientação vocacional são temas que caíram no esquecimento colectivo. Existem muitas razões que justificariam um rápido desfecho para este impasse que se vive no que diz respeito à avaliação dos professores, a começar pela própria paciência dos portugueses, mas talvez a mais importante seja precisamente o espaço que esta questão ocupa, inviabilizando a discussão de outras matérias relativas à Educação e que, essas sim, seriam mais importantes. É por de...

Entre o Dalai Lama e a China

A escolha, para a África do Sul, é evidente: as boas relações entre a África do Sul e a China são para se manterem incólumes e a presença do Dalai Lama no país poderia por em causa essas boas relações. Por conseguinte, o país africano recusou simplesmente conceder um visto de entrada ao Dalai Lama. A opção foi assim clara, preferiu-se a manutenção dos interesses (económicos, leia-se) sul-africanos a questões consideradas mais abstractas. Não deixa, contudo, de ser curiosa esta atitude por parte das autoridades sul-africanas tendo em conta o passado recente do país - depois de décadas de opressão num regime racista que perdurou até ao princípio da década de 90, a África do Sul recusa a entrada do líder espiritual tibetano. A China, país que tem ganho um nível de influência que acompanha naturalmente o seu crescente poderio económico, tem conseguido cometer verdadeiros atentados aos direitos humanos, com a conivência de países que se renderam aos encantos do dinheiro chinês, mesmo países...

Falências, desemprego e a crise

O país começa agora a conhecer o lado mais cruel da crise com o aumento de falências e o consequente desemprego. Também é verdade que o incremento das falências é o resultado directo das dificuldades que os parceiros económicos do país atravessam. A isto acresce as dificuldades de tesouraria e os entraves no acesso ao crédito e o desfecho só poderia ser este. O Governo tem algumas medidas que visam ajudar as empresas: as linhas de crédito serão as mais conhecidas. Mas a verdade é que a nossa economia vai continuar a sofrer os impactos da crise - tal como as restantes economias -, mas vai ter dificuldades acrescidas para sair da crise. Com efeito, o país vai continuar a pagar duas facturas: a da crise internacional e a da fragilidade da própria economia. Ora, o Governo, que se vangloria de ter mudado o país para melhor, esquece-se que as mudanças que realmente eram necessárias ficaram por fazer - vivemos há quatro anos na redoma da propaganda, nada de substancial foi feito. Hoje a crise...

Mais um obstáculo à paz

A situação política em Israel, que resultou do mais recente processo eleitoral, constitui um sério obstáculo à paz. As mais recentes notícias dão conta de um acordo entre o partido Trabalhista (centro-esquerda sionista) e o partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Likud, envolvendo a manutenção da pasta da defesa nas mãos de Ehud Barak. Apesar desta notícia acabar por contrariar a tendência para que o novo Governo israelita seja de direita, a verdade é que as coligações de Netanyahu com nacionalistas e ultra-ortodoxos não augura nada de bom para a estabilidade da região. Na verdade, é fácil criticar politicamente os territórios palestinianos, designadamente as escolhas do povo palestiniano e, embora o partido Likud, partido de Netanyahu, não tenha necessariamente conseguido mais votos, este reúne outras condições para fazer uma coligação que Tzipi Livni, a líder do partido Kadima, não conseguiu reunir. Por uma questão de coerência esta coligação de direita (mesmo com alguma par...

Ausência de consensos

A dificuldade em se chegar a um consenso sobre o nome do sucessor do ainda Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, é sintomático da deterioração da qualidade das lideranças partidárias que por teimosia ou por interesse mostram a sua natureza unilateral e avessa a entendimentos. O ainda Provedor de Justiça terminou o seu mandato há oito meses e os dois maiores partidos foram incapazes de alcançar um entendimento. Ora, se tanto o PS como o PSD mostram-se incapazes de dialogar sobre este assunto, de que forma é que os maiores partidos portugueses poderão chegar a entendimentos sobre assuntos determinantes para o desenvolvimento do país? A avaliar pelo passado recente de ambos os partidos e pela intransigência sobre a escolha do Provedor de Justiça, nós vamos continuar a viver momentos de impasse. Sublinhe-se que o partido do Governo tem manifestado sérias dificuldades em chegar a acordo com os restantes partidos. Pouco adeptos do diálogo, mesmo do diálogo dentro do partido, as lideranç...

A diplomacia de Obama

Barack Obama fez passar uma mensagem ao povo iraniano recorrendo para isso a um vídeo em que pede um novo começo. Num tom mais sereno, adoptando o comportamento contrário ao seu antecessor, o agora Presidente americano procura, através da diplomacia e do diálogo chegar a entendimentos com países que num passado recente faziam parte o "eixo do mal", como é o caso do Irão. Recorde-se que a questão iraquiana não é indissociável do Irão, e mais não seja devido às relações da maioria xiita do Iraque com o regime de Teerão. O Presidente Obama inaugurou um novo estilo de governação, assente na diplomacia e na aproximação a países com os quais os Estados Unidos têm mantido relações difíceis. Obama cumpre assim escrupulosamente aquilo que advogou na sua campanha eleitoral, ou seja, que o primeiro passo seria sempre o do diálogo. É evidente que esta aproximação ao Irão acarreta alguns perigos, de um modo geral o regime iraniano continua apostado no desenvolvimento nuclear, insiste na a...