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Mensagens

O flagelo do desemprego

As previsão da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre o desemprego são assustadoras. Segundo a OIT dezenas de milhões de pessoas podem vir a perder os seus empregos. Os números revelam a pior face de uma crise desencadeada pela ganância e pelo mais inexorável despudor. Dificilmente a ameaça de desemprego que a OIT refere não se concretizará. Já muito se disse e escreveu sobre a crise, sobre as causas da crise e sobre das suas eventuais consequências. Todavia, quando uma organização internacional faz previsões de desemprego em massa, o assunto merece todo o destaque possível. Com o desemprego virão outros problemas, designadamente problemas de coesão social que, em última instância, põe em causa a organização e estrutura das sociedades ocidentais. Os planos dos vários governos de combate à crise incluem estratégias de contenção do desemprego e de criação de novo emprego. Infelizmente, esses planos correm o sério risco de serem insuficientes. A crise que começou no sector fina...

Credibilidade dos políticos

As últimas notícias do caso Freeport vêm juntar-se ao vasto rol de situações ambíguas e mal esclarecidas que ensombram a imagem de alguns políticos portugueses dando assim um forte contributo para fragilização da democracia. Note-se que se trata de um conjunto de situações que são tratadas pelas instâncias competentes, mas por razões de morosidade e de ineficácia não conhecem atempadamente o desfecho necessário. A questão da credibilidade dos políticos levanta uma multiplicidade de problemas. De um modo geral, assiste-se a um afastamento dos cidadãos dos políticos. As razões que subjazem a esse afastamento são de vária ordem, mas as recorrentes suspeições que recaem sobre alguns políticos portugueses degeneram amiúde no recurso ostensivo à generalização e ao alargamento do fosso que separa políticos e cidadãos. Paralelamente, existe a noção de que alguns políticos para além de sucumbirem à promiscuidade nomeadamente no que diz respeito às empresas e por vezes até ao futebol, vivem na i...

A impossibilidade da paz

O cessar-fogo entre o Hamas e o Israel começa a dar sinais evidentes de fraqueza. De facto, as expectativas gerais quanto a este cessar-fogo sempre foram diminutas, mas agora os sinais de que o mesmo dificilmente se manterá tornam-se cada vez mais evidentes. A certeza da guerra e a impossibilidade da paz redundam invariavelmente na instabilidade que se vive em toda a região. A impossibilidade da paz prende-se com vários factores, a começar com a natureza e ideologia do movimento radical Hamas. Este movimento tem sido, em vários momentos,o responsável pelo fim das tréguas entre os dois lados. E no essencial, o Hamas inviabiliza a paz no momento em que rejeita e existência de um Estado israelita; ou dito de outro modo, não haverá paz enquanto não coexistirem dois estados: um israelita e outro palestiniano. Paralelamente, o Hamas mantém relações de alguma proximidade com países como o Irão e a Síria. E no caso específico do Irão, importa sublinhar os elementos que tanto o regime iraniano ...

Guantánamo divide a UE

Não há acordo na União Europeia sobre um possível acolhimento de presos de Guantánamo. Era aliás expectável que esta questão de Guantánamo dividisse a Europa. ( http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1357578&idCanal=11 ). Felizmente, a proposta portuguesa foi encarada por vários países com incertezas e uma natural e saudável desconfiança. Afinal um acolhimento de prisioneiros de Guantánamo levanta mais dúvidas do que certezas, em particular quando as próprias autoridades americanas também sentem várias dificuldades no que toca ao encerramento de Guantánamo. Barack Obama determinou o encerramento daquele campo de prisioneiros, considerado um erro e uma mancha na imagem dos EUA. Mesmo que não se constate o óbvio, ou seja, que se trata de um problema criado pelos EUA e, portanto, merece uma solução americana, a vinda de prisioneiros para a Europa dificilmente seria bem aceite pela opinião pública. Já para não falar das dificuldades jurídicas que o problema levanta. De fact...

Consequências políticas do caso Freeport

Neste momento só é sensato discutir-se as eventuais consequências políticas do caso Freeport, deixando que a justiça se encarregue das possíveis consequências judiciais. Do ponto de vista político, é evidente que o caso Freeport ensombra a imagem do primeiro-ministro. O desgaste é evidente. E a comunicação social não consegue esconder a voracidade que este caso lhe está a provocar. O desgaste que as dúvidas, as suspeições e as situações menos transparentes têm causado na imagem do primeiro-ministro são ainda mais graves em ano de eleições. Os principais partidos da oposição têm tido uma actuação genericamente correcta, pelo menos no que toca a declarações extemporâneas que, até ao momento, não tem acontecido. Todavia, mesmo que o caso não seja aproveitado politicamente pelos partidos da oposição, não se pode negar que a contínua torrente de notícias sobre alegadas irregularidades envolvendo familiares de José Sócrates pode causar danos graves nas aspirações políticas do primeiro-minist...

O caso Freeport

O caso Freeport voltou a abrir os serviços noticiosos dos principais canais de televisão. A imagem do primeiro-ministro que já aparecia invariavelmente associada ao caso surge novamente implicada, mas desta vez esse acompanhamento sai reforçado com as diligências à casa e empresa do tio materno de José Sócrates. O envolvimento das autoridades britânicas que investigam a empresa-mãe do outlet desencadeia novas investigações por parte das autoridades portuguesas. O semanário Sol tem publicado notícias que dão conta das investigações das autoridades britânicas sobre irregularidades no processo de licenciamento do outlet. Essas investigações contém uma lista de 15 suspeitos, incluindo um ex-ministro português do Governo de António Guterres. Ora, o nome desse ministro, apesar de não ter sido revelado, começa a parecer evidente para muitos portugueses. As suspeições que agora são reforçadas com as buscas de ontem, vêm ensombrar o primeiro-ministro que vê assim o seu nome indirectamente assoc...

O mundo mais próximo dos Estados Unidos

Na tomada de posse de Barack Obama, seguida com grande entusiasmo nos Estados Unidos e no resto do mundo, o novo Presidente americano fez um discurso que nos faz sentir, em particular a nós europeus, mais próximos dos Estados Unidos. De facto, o discurso do Presidente americano também serviu para relembrar a todos que é possível fazer política sem dividir. Más notícias para quem não consegue ultrapassar um ódio visceral, latente ou visível, sobre tudo o que esteja relacionado com os Estados Unidos. Será curioso assistir aos paradoxos que provavelmente a presidência de Obama vai levantar em certos segmentos da vida política na Europa. Apesar da existência de algumas vozes que vêem em Obama apenas e só uma futura desilusão, grande parte dos americanos e do resto do mundo têm esperança que Obama seja de facto a personificação da mudança. Os líderes europeus mostram-se ansiosos por trabalhar com Obama; no Médio Oriente a esperança também tem o rosto de Barack Obama; o mesmo se passa em Áf...