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Mensagens

Instabilidade na Turquia

O Tribunal Constitucional (TC) turco acabou de deliberar sobre uma proposta de ilegalização do partido do primeiro-ministro e do Presidente da República, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP). Este partido pós-islamista é acusado de pôr em causa valores secularistas e de estar a destruir os fundamentos do Estado Laico, numa campanha de islamização do país. Assim, o AKP, partido do primeiro-ministro Erdogan e do Presidente Abdullah Gül, correu o risco de sofrer uma interdição e os seus membros, incluindo o primeiro-ministro e o Presidente da República, virem a ser expulsos. O país esteve suspenso por uma decisão que culminou com uma penalização financeira do partido. Entretanto, a Turquia encontra-se já dividida em secularistas radicais, por um lado, e islamistas, por outro. A razão da contenda é simples: os secularistas acusam os islamistas de minarem o laicismo, herança do pai da Turquia, Ataturk. Com efeito, a preponderância do ponto de vista eleitoral do AKP, que conseguiu el...

Graves iniquidades

Depois do Diário de Notícias ter noticiado os elevados encargos com gestores públicos, seria a altura para se analisar a iniquidade que isso representa e, como não podia deixar de ser, o impacto que essas elevadas remunerações têm no erário público. O Governo, contudo, não parece disposto a encetar essa discussão, e mais: a forma como o Executivo reagiu prenuncia a manutenção deste estado de coisas. Na verdade, a perpetuação de empresas públicas cujos administradores, alguns não-executivos, auferem salários elevados e são ainda beneficiários de outras regalias, não deixa de ter repercussões na opinião pública. Ora, quando o Governo não resistiu em fazer de várias classes profissionais inimigos públicos – os professores talvez sejam o melhor exemplo – e, simultaneamente permite que gestores, alguns deles maus gestores, beneficiem de regalias e de elevadas remunerações, algo vai mal na cabeça de quem nos governa. A questão é simples: se o Governo se propõe a arrumar...

Política externa à portuguesa

As últimas semanas foram marcadas por vários momentos, protagonizados pelo primeiro-ministro, em que a subserviência e a bajulação foram as pedras de toque da estratégia do Governo para conquistar o coração de ditadores. O rol de personalidades pouco recomendáveis é extenso: Hugo Chávez, José Eduardo dos Santos, Kadhafi e Obiang. Ora, a política externa do Governo não difere muito, em vários aspectos, do nosso comportamento colectivo com os estrangeiros – o que sobressai é uma subserviência bacoca e que nem sequer produz resultados. Dir-se-á que existem diferenças entre a política externa do actual Executivo e a política externa dos anteriores governos. É verdade. No passado continuávamos a insistir numa lógica de subserviência, procurando frequentemente passar despercebidos; a diferença relativamente ao Governo liderado por José Sócrates é que o primeiro-ministro não abandona essa lógica de subserviência, mas adiciona uma boa dose de bajulação, para que em troca possa estre...

O silêncio do PSD

A ausência de propostas concretas por parte da líder do maior partido da oposição, tem dado azo a uma discussão sobre a estratégia adoptada pelo PSD. A estratégia parece simples: uma contenção ao nível de propostas alternativas às políticas do Governo; limites na profusão de críticas ao Governo, contrariamente ao que era apanágio das últimas lideranças; simplificação do discurso, associado à necessidade de falar a verdade; manutenção da ideia central de que a oposição deve, em primeiro lugar, fazer uma espécie de fiscalização efectiva ao Governo; aposta na imagem da seriedade e credibilidade, assentes numa rigidez quer do discurso, quer das acções. A estratégia do PSD está, a meu ver, longe de vir a produzir resultados positivos. Na verdade, é muito difícil gerir silêncios em política, o que vem apenas perpetuar a tibieza do partido. O PSD necessita de se diferenciar o mais possível do PS, se não o fizer corre o risco de não ser olhado como uma alternativa ao actual executivo. Este é ...

Endividamento das famílias

O endividamento das famílias portuguesas atingiu proporções preocupantes. E se, por um lado, o endividamento não é necessariamente negativo; por outro, quando os níveis de endividamento atingiram dimensões excessivas e quando o sobreendividamento cresce exponencialmente a par do crédito malparado, a questão merece ser tratada com maior acuidade. Os números são conhecidos: as dívidas dos Portugueses atingem 117 por cento do PIB; o crédito malparado cresceu 15 por cento no crédito concedido para habitação; o crédito malparado aumentou 50 por cento na concessão de outros créditos. Sabe-se também que os cidadãos estão endividados (há números que indicam que cada Português deverá cerca de 15 mil euros), as empresas estão endividadas e o Estado não consegue ser excepção. As causas que subjazem aos níveis de endividamento com os quais os Portugueses são confrontados e ao agora aumento do incumprimento são igualmente conhecidas: crédito fácil e barato associado a um elevado nível das expectati...

Barack Obama: esperança ou desilusão?

A poucos meses das eleições americanas, e sem ainda se conseguir vislumbrar o vencedor das eleições, o candidato Barack Obama é, sem qualquer dúvida, o que mais interesse desperta na imprensa europeia. E se dúvidas há, nada como folhear os principais jornais e revistas de vários países europeus. O interesse justifica-se com as características do candidato e, claro, com o facto de ser afro-americano. Mas não podemos dissociar o interesse revelado pelo candidato democrata com o falhanço clamoroso da actual Administração Bush. Os erros cometidos pela ainda presidência e os resultados desastrosos não deixam outra alternativa que não passe pela esperança do próximo presidente ser diametralmente oposto ao actual. Hoje, intensificam-se as previsões do agravamento da instabilidade no Médio Oriente, designadamente graças a uma espécie de guerra-fria que se verifica que entre o Irão e Israel. O legado do ainda Presidente Bush condiciona a próxima presidência. De facto, mesmo que Barack Obama ace...

O regresso da Guerra Fria 2

Hugo Chávez, entretanto, desmentiu a notícia, veiculada pela agência noticiosa russa Interfax, que dava conta das intenções do Presidente venezuelano de convidar a Rússia a instalar bases de mísseis em território venezuelano. O que seria vista como sendo uma nítida resposta às intenções americanas de instalarem um escudo de defesa anti-míssil na República Checa e na Polónia. É estranha, porém, a forma como uma agência noticiosa russa cita o Presidente venezuelano, por diversas vezes, a reiterar o convite à Rússia, mostrando total disponibilidade para receber “calorosamente” as Forças Armadas Russas. Chávez terá, inclusivamente, feito uma comparação com Cuba. De qualquer forma, o Presidente venezuelano desmentiu a notícia. Espera-se que haja alguma veracidade no desmentido de Hugo Chávez. Além do mais a retórica a raiar o belicismo não augura nada de bom; mesmo vinda de um líder ruidoso como Hugo Chávez.