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Mensagens

Uma vitória anunciada e um partido dividido

As eleições no Partido Social Democrata culminaram com o resultado esperado: a vitória de Manuela Ferreira Leite. Venceu a credibilidade e a competência técnica, mas esta vitória também é sintomática de um PSD pouco avesso ao risco e à mudança. Resta saber se Ferreira Leite terá algum sucesso na união possível do partido e de que modo a sua social-democracia se destaca e se diferencia do socialismo moderno de José Sócrates. Os resultados das eleições são também sintomáticos das divisões internas no partido – a proximidade de resultados é um sinal claro de divisões que poderão comprometer o futuro do partido. Assim, Manuela Ferreira Leite terá de ultrapassar vários obstáculos se pretende ser uma efectiva candidata a primeira-ministra: a sua matriz ideológica diferente daquilo que é defendido pelo socialismo moderno do actual primeiro-ministro, o seu passado potencialmente comprometedor, designadamente durante o período em que desempenhou a função de ministra das Finanças e a sua auster...

Globalização e liberalismo

A globalização, fenómeno acelerado pelo avanço no domínio das novas tecnologias de informação e comunicação, é considerado por todos como sendo de carácter irreversível. Indubitavelmente, a matriz neoliberal que caracteriza, em larga medida, a globalização tem contribuído para o aumento das desigualdades sociais e para a ideia instalada de os direitos sociais têm os dias contados. Embora se registe uma diminuição acentuada dos níveis de pobreza que assolam países como a China e a Índia, não é menos verdade que existem continentes que passam ao lado dos efeitos milagrosos dessa globalização, e que, num outro plano, o bem-estar social outrora conquista dos países ocidentais, designadamente da Europa, são reiteradamente postos em causa. Por outro lado, a fé cega nos mercados exige que os Estados abandonem aquilo que os caracteriza, em particular, no que diz respeito à prestação de serviços na saúde, educação ou até mesmo na justiça. É também neste mundo globalizado que assistimos a países...

Mentirosos, uivos e animais

No essencial a discussão quinzenal no Parlamento resumiu-se às palavras em epígrafe. A discussão entre Francisco Louça e o primeiro-ministro José Sócrates caracterizou-se pelo exacerbamento da linguagem e pela irascibilidade de parte a parte. Outros deputados, designadamente da bancada socialista acompanharam o mote e contribuíram para a deterioração da imagem da classe política, e mais grave, da imagem da casa da democracia. A discussão política torna-se amiúde mais acesa, ocorrendo porventura excessos de linguagem, muitos comuns na Assembleia da Madeira, por exemplo. Mas esses excessos necessitam de correcção que só podem advir da sensatez dos principais intervenientes. Essa moderação torna-se imperiosa numa altura em que os cidadãos têm uma imagem negativa da política e da classe política. A elevação no discurso e a verticalidade dos políticos é condição sine qua non para elevar também a política e as instituições democráticas a um patamar mais elevado. Paralelamente, os responsávei...

Eleições no PSD

Depois de mais um debate televisivo – o anterior tinha sido pautado pela exuberância da apresentadora – a campanha dos diferentes intervenientes aproxima-se do fim. Este debate terá sido consideravelmente mais elucidativo do que anterior, e os candidatos conseguiram expor de forma mais profícua as suas ideias. Estas eleições para a liderança do maior partido da oposição têm dado um contributo positivo para o debate político em Portugal. E se há quem crítica as “directas” como forma de escolher um líder de um partido, não é menos verdade que esta forma de eleição tem a vantagem de ser propícia à discussão de ideias. Numa altura em que muito se crítica, e com razão, a falta de debate político, os candidatos à presidência do PSD mostraram que existe diversidade no seio dos partidos e que esse debate é, apesar de tudo, possível. Essa diversidade enriquece o debate e contribui para a consolidação democrática. Dir-se-á que os candidatos não foram capazes de expor convenientemente os seus pro...

As palavras de Mário Soares

O artigo que Mário Soares escreveu para o Diário de Notícias é revelador da situação insustentável a que país chegou, no que diz respeito ao incremento da pobreza e das desigualdades sociais. Além disso, as palavras de Mário Soares são também um sinal de alerta que o Governo PS deveria levar muito a sério. É irrefutável que as causas dessa pobreza e do aumento das desigualdades sociais são, em larga medida, estruturais, e prendem-se com factores como a baixa qualificação dos recursos humanos e com incapacidade de Portugal se adaptar a novas realidades em matéria de emprego, de inovação e captação de investimento. A falta de competitividade da economia portuguesa está intrinsecamente relacionada com o aumento da pobreza. Não obstante a subida positiva das exportações portuguesas verificada nos últimos anos. Por outro lado, a conjuntura económica internacional terá certamente como consequência o aumento das dificuldades dos cidadãos. Já aqui se escreveu que o esforço pedido aos portugues...

O país mais desigual da União Europeia

Depois de se saber que Portugal é o país mais desigual da UE – o que, de resto, não será propriamente novidade – importa analisar as razões que fundamentam esse atraso e procurar soluções para mitigar, num primeiro momento, os efeitos da desigualdade, e num segundo momento estreitar o fosso entre os que mais têm e os que pouco ou nada têm. A falta de competitividade da nossa economia, caracterizada pela fraca qualificação dos recursos humanos, pela tibieza do tecido empresarial e por uma justiça inoperante, potencia as desigualdades. Não pode haver justa redistribuição da riqueza se não houver riqueza para redistribuir. É indubitável que os sacrifícios pedidos aos portugueses nos últimos anos têm, naturalmente, efeitos no bem-estar dos cidadãos. E se por um lado, é inequívoca a necessidade de consolidação orçamental, não só pelas prerrogativas do Pacto de Estabilidade e Crescimento, mas essencialmente porque contas públicas consolidadas criam um ambiente favorável ao crescimento, à con...

PSD e educação

A campanha dos vários candidatos à liderança do PSD tem passado ao lado de um tema de extrema importância para o desenvolvimento do país: a educação. Raras vezes assistimos a uma intervenção dos candidatos que inclua o problema da educação. Na verdade essa falha, deliberada ou não, constitui um erro estratégico e é sintomática da pobreza do debate político dos vários intervenientes. Ora, o diagnóstico já foi feito há muito tempo – a educação é indissociável do desenvolvimento e do progresso. E disso são exemplos os países mais ricos e mais equitativos da Europa. Todavia, os candidatos sociais-democratas abstêm-se de fazer deste problema um tema central das suas campanhas. Talvez isso se explique porque o tema está gasto, ou porque não há soluções ou até mesmo porque estes candidatos têm outras prioridades que não passam pela educação. Prefere-se assim discutir a universalidade ou não do sistema nacional de saúde, discussão essa que é marcada pela superficialidade dos argumentos e pela...