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Mensagens

Ingerência da Igreja

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa criticou as medidas anunciadas pelo Governo que apontam no sentido do fim do divórcio litigioso, e acusou o primeiro-ministro de não exercer uma “uma vigilância coordenadora de actos e medidas avulsas que ferem e atingem quem anda há muito a servir a população". Segundo este responsável religioso, a questão do divórcio litigioso é mais um indício de “afrontamento do Governo em relação à Igreja Católica”. As tentativas de ingerência da Igreja Católica em algumas decisões do Governo não se resumem à agora polémica questão do divórcio litigioso: o aborto, a título de exemplo, foi uma medida que contou com a forte oposição da Igreja e com as claras tentativas de inviabilização das alterações à lei do aborto. Não se questiona o direito que aquela instituição religiosa possui de apregoar, em particular aos fiéis, aquilo que bem entenda. Mas dificilmente se pode aceitar que, no contexto de um Estado laico, a Igreja se arrogue o direito de p...

O desgaste da ministra da Educação

É notório um acentuado desgaste da imagem da ministra da Educação, e tanto mais é assim quando se verificam as suas escassas aparições no parlamento; em seu lugar tem aparecido o secretário de estado, Valter Lemos. Ora, o desgaste da ministra é perfeitamente explicável. A história da ministra conta-se em poucas palavras: Era uma vez uma ministra da Educação, tal como os seus antecessores, tinha uma tarefa particularmente difícil – tratava-se de um ministério oneroso para as contas do Estado, corporativo e avesso à mudança. O seu início como ministra da Educação foi auspicioso, e sua personalidade inconformista elogiada. Havia algum consenso em torno da impetuosidade da ministra e da sua perseverança em mudar o que era necessário mudar. E assim foi. A ministra, num clima de alargado consenso, encerrou escolas, aumentou a carga horária dos alunos e implementou as controversas aulas de substituição. Mas pouco a pouco o ímpeto reformista da ministra foi dando lugar à revelação de um projec...

A infâmia do regime chinês

A infâmia do regime chinês está bem patente na repressão ao povo tibetano e nas tentativas ignominiosas de esconder a triste realidade da sua política para o Tibete. É neste contexto que se inserem as ridículas imagens de jornalistas – autorizados a desempenharem as suas funções pelo regime chinês – a ouvirem e recolherem imagens de monges budistas no mais completo desespero, e o consequente condicionamento ao trabalho dos jornalistas. Igualmente fruto da infâmia deste regime inefável que lidera a China são as tentativas – genericamente bem sucedidas – de censurar tudo o que possa manchar a imagem da China. O povo tibetano, que vive há mais de 50 anos sob o jugo de um regime sufocante e opressor, tem conseguido dar maior visibilidade à sua causa. Assim, a possibilidade de um boicote, embora merecido, poderia ser contraproducente, na precisa medida em que poderia retirar o valioso instrumento da visibilidade aos tibetanos. Pelo menos até ao final dos Jogos Olímpicos, a China andará nas ...

A herança de Bush

Por altura dos cinco anos da guerra do Iraque, e a poucos meses de Bush deixar a presidência, é também o momento para se discutir o legado do ainda Presidente americano. O legado do Presidente Bush estará indissociavelmente relacionado com a guerra do Iraque. Ora, a pesada herança do Presidente começa a desenhar-se no pós-11 de Setembro. Em traços gerais, o 11 de Setembro significa uma viragem na política externa americana, marcada pelo unilateralismo, e representou a grande oportunidade para a hegemonia dos neoconservadores. A preponderância dos neoconservadores nas decisões de um Presidente limitado constitui um erro fatal para os Estados Unidos – relembre-se que os neoconservadores não diferem substancialmente de quem faz a apologia do radicalismo. Nestas condições, a política externa norte-americana foi caracterizada por uma catadupa infindável de erros, que nem o 11 de Setembro e a solidariedade associada conseguem atenuar e levar a uma compreensão generalizada. Assim, o legado de...

Descida de impostos

O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou uma descida do IVA, dos actuais 21 por cento para 20 por cento. O anunciou chegou sem surpresa, não obstante o facto do primeiro-ministro, há apenas 15 dias, ter afastado esse cenário. Enfim, as incongruências do actual Governo são muitas, mas o que se passa nos restantes partidos políticos, em particular de direita, não difere substancialemente. Mais do que insistir na escassez da redução anunciada pelo Governo, importa perceber se as contas públicas estão preparadas para essa descida de impostos. Evidentemente que o primeiro-ministro garante a convergência entre a consolidação das contas públicas e uma descida de impostos – não excluindo mesmo a possibilidade de se empreender uma nova redução no próximo ano. A garantia, por parte do Governo, da manutenção rigorosa da disciplina orçamental – a meta enfatizada é a de um défice de 2,2 por cento – é de extrema importância, mas resta saber se, num cenário de manifesta conjuntura internacional d...

Endividamento numa conjuntura desfavorável

Num momento em parece ser inevitável que a crise, com origem nos Estados Unidos, afecte a Europa e naturalmente Portugal, o problema do endividamento ganha dimensões mais preocupantes. Com efeito, o país está endividado, segundo alguns números divulgados estima-se que os portugueses devam ao sector financeiro perto de 128 mil milhões de euros. O crédito habitação é inquestionavelmente o grande responsável por esse endividamento, mas o crédito ao consumo tem vindo a aumentar. As instituições bancárias aproveitaram muito bem uma conjuntura manifestamente favorável a consumo de créditos, a saber: total inexistência de uma cultura de pedagogia, desresponsabilização do Estado convicto da sabedoria do mercado financeiro, baixos salários, consumismo exacerbado, e claro está, o desaparecimento da poupança. É, porém, interessante verificar que a publicidade dos bancos procura centrar-se agora em produtos ligados à poupança, e verificar também o quase desaparecimento de publicidade a oferecer cr...

Indisciplina nas escolas

Dias após o surgimento de um vídeo mostrando a famigerada aluna em confronto com a sua professora, é agora a vez de se procurarem as causas subjacentes à indisciplina nas escolas. Nestas discussões, há invariavelmente lugar a exageros de interpretação. Somos, de facto, incapazes de analisar serenamente as situações. Há quem invoque uma multiplicidade de razões que poderão estar na origem do malfadado comportamento da aluna e dos seus colegas: a inversão de valores, a falta de autoridade dos professores, a displicência dos pais, a existência de uma sociedade inane e consumista ou o estatuto do aluno. É bem possível que todas estas razões sejam indissociáveis do problema da indisciplina e violência nas escolas. Quando se pretende solucionar um problema, importa que se procure o que está subjacente a esse problema. Se por um lado, há possíveis causas exógenas à escola, que implicam maiores dificuldades ou incapacidade de resolução; por outro, importa que se resolvam as causas endógenas, d...