Avançar para o conteúdo principal

As nódoas da Justiça

Para uma vasta maioria de Magistrados a Justiça é aplicada sem os preconceitos que fazem de nós seres tão imperfeitos. Depois, existe uma minoria que não consegue ou não quer livrar-se desses preconceitos e dentro dessa minoria existe quem os abrace calorosamente. É o caso do Juiz Neto Moura - o tal que defende o apedrejamento de mulheres adúlteras; o tal para quem a leitura do Antigo Testamento só veio dar legitimidade à sua crueldade; o tal que já não devia pôr os pés num tribunal. As nódoas da Justiça.
Vejamos: um homem agride a mulher a soco, ferindo-a gravemente num tímpano. Esse homem é condenado em primeira instância a utilizar pulseira electrónica, pelo facto de se considerar que se trata de uma ameaça à vítima. O dito Juiz retira a pulseira electrónica escudando-se numa interpretação da lei que favorece o mundo de preconceitos onde chafurda. 
A mulher em questão vive escondida porque o ex-marido e familiares continuam a ameaçá-la. A Justiça volta a falhar a estas vítimas, e quando as desgraças são profusamente divulgadas pela comunicação social o país sentencia-se por ter falhado, mas a Justiça continua igual a si mesma, mantendo os lugares daqueles que não deviam sequer ajuizar uma partida de futebol humano, quanto mais serem juízes em tribunais a sério.
Deste modo, da próxima vez que uma mulher sucumbir às mãos dos maridos, companheiros, ex-maridos, ex-companheiros poupem as lágrimas e pensem seriamente nos Netos Moura deste mundo.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Dança das cadeiras com a Alemanha a mandar

A Alemanha voltou a mostrar quem manda na União Europeia, desta feita através de uma jogada política de última hora que, na prática, resultará na escolha de Ursula Von Der Leyen para o cargo de Presidente da Comissão Europeia, substituindo Jean-Claude Junker. A jogada de Merkel deixou os socialistas exasperados por não cumprir o sistema de escolha de um dos Spitzenkandidaten, cabeças de lista. A escolha de Ursula Von Der Leyen que contará com alguma oposição (vamos ver quanta) no Parlamento e a escolha de Lagarde para o BCE são derrotas para os socialistas europeus, mas também deixam um sabor amargo na boca dos cidadãos europeus que assistem a estes golpes encabeçados por países como a Alemanha e a França e seus acólitos, tudo em manifestações pouco consonantes com a democracia. Estas escolhas demonstram uma vez mais que na dança das cadeiras é a Alemanha que manda numa Europa à deriva, a milhas de distância dos seus cidadãos.

Um desastre climático por semana

A frase em epigrafe foi proferida por Mami Mizoturi, representante especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas - "um desastre climático por semana". Torna-se impossível não perceber a gravidade das alterações climáticas quando o ritmo dos desastres climáticos é tão acelerado.
Ora, este responsável acrescenta ainda que "as alterações climáticas não são do futuro, acontecem hoje". Isto depois do próprio secretário-geral das Nações Unidas ter feito capa da Time dentro de água, desalentado. O desespero é evidente.
A estratégia sugerida passa, desde já, por mais investimento em infra-estruturas, ou seja procurarmos uma adaptação às mudanças. Já.
No meio de cenários tão desoladores, encontramos ainda assim uma boa notícia: a cada vez maior visibilidade e assimilação do problema, o que implicará uma maior pressão, uma militância mais acérrima e uma maior exigência de uma inexorável mudança.
Está a chegar o dia em que líderes como Trump deixem d…