Avançar para o conteúdo principal

E agora?

Quatro moções de rejeição, correspondentes a cada um dos partidos da oposição, coadjuvados pelo PAN. Depois de quatro moções de rejeição, depois do chumbo do Governo de Passos Coelho e Paulo Portas, o que vai Cavaco Silva fazer?
A comunicação social insiste nas três possibilidades que se apresentam, como se todas fossem equivalentes, isto porque não se pode dizer abertamente que a pior das soluções, na óptica dessa mesma comunicação social, seria a indigitação de António Costa com o apoio parlamentar de PCP, PEV e Bloco de Esquerda.
Num contexto de maturidade democrática, não estaríamos sequer a perder tempo com suposições; num contexto de maturidade democrática não assistiríamos com tanta insistência, e por parte de quem tem responsabilidades políticas, a ouvir argumentos simplistas e redutores como a história de quem ganha governa – num exercício que reduz o parlamento a uma autêntica insignificância e a nossa inteligência a nada.
Infelizmente, não vivemos num contexto de maturidade democrática, graças em larga medida a protagonistas como o Presidente da República. Assim, questionamos, durante o penoso tempo que o Presidente leva a tomar uma decisão, sobre o que o mesmo vai fazer.
O Governo de gestão é desastroso; um Governo de iniciativa presidencial sofreria de muitos dos males que este está a sofrer. Resta, por conseguinte, a escolha de uma solução de esquerda.

E agora Cavaco Silva?

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...