Avançar para o conteúdo principal

Campanha eleitoral e liberdade de impressa

PSD, CDS e PS apresentaram uma reformulação do diploma sobre a comunicação social e as eleições. Recorde-se que diploma agora reformulado previa um plano prévio de consulta das campanhas eleitorais feitas pelo pela comunicação social e a criação de uma comissão incumbida de avaliar o que podia ou não ser tratado pela comunicação social. O resultado de um inaceitável cerceamento das liberdades – curiosamente a dias do 25 de Abril – foi a polémica e subsequente reformulação do diploma.
Contudo, e depois de PSD, CDS e PS terem procedido à aludida reformulação, verifica-se que as tentativas de coarctar os meios de comunicação social não desapareceram das intenções dos referidos partidos.
Mais uma vez os directores de informação queixam-se de “intrusão” e de “retrocesso” com o projecto a prever uma diferenciação entre períodos pré campanha e pré-campanha eleitoral e a imposição de debates com todas as forças partidárias. Os directores não querem aceitar este condicionamento e chamam a atenção para existência de “ambiguidades” no diploma.
Apesar de reconhecer que o interesse da comunicação social está concentrado nos partidos do arco de governação, receio que estas tentativas de forçar formas de tratamento não discriminatório condicionem a liberdade de impressa (embora também já muito condicionada por interesses económico-financeiros).
De qualquer modo, PSD, CDS e PS ainda estão longe de conseguir alcançar um consenso com a comunicação social. A reformulação do polémico diploma não produziu o efeito desejado.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

A outra doença

Quando todos se empenham no combate ao perigoso vírus, outras doenças subsistem, das quais se destacam a imbecilidade de líderes como Donald Trump e Jair Bolsonaro e uma União Europeia que pouco se esforça para mostrar algum resquício de espírito de união. Agora aparece o Presidente do Eurogrupo e também ministro das Finanças português, pouco entusiasmado, a apresentar um pacote de 500 mil milhões de euros de dívida, perdão, ajuda. Desses 500 mil milhões sobram algumas migalhas para Portugal. De resto, a Europa continua dividida entre países como a Alemanha e os Países Baixos e os países do sul. O egoísmo gritante de uns matará o que resta desta anedota, como quase matou em 2008.. Entretanto, e enquanto os líderes dessa Europa aplicam as suas energias em bloquear soluções, o fascismo vai fazendo o seu caminho, livremente, na Hungria e na Polónia, Estados-membros da UE. Havermos de superar o vírus que paralisou o mundo, mas dificilmente resistiremos à doença do egoísmo nesta espéci...