Avançar para o conteúdo principal

E a escassos meses de eleições... a febre das privatizações

Estamos prestes a entrar num novo ciclo eleitoral e com o fim que se aproxima, tudo o que diz respeito a negócios envolvendo o Estado se precipita. Restam escassos meses até às legislativas e este Governo, em larga medida à semelhança de outros, acelera o processo de privatizações.
Assim, assistiremos em catadupa a privatizações, sobretudo na área dos transportes, a saber: TAP - a mais cobiçada -; subconcessões da Carris e do Metro; STCP, CP Carga e a fusão da Refer com a Estradas de Portugal.
Os governos, e este em particular,  há muito se transformaram em verdadeiras centrais de negócios, sendo que muito deles nem tão-pouco encontram justificação nas famigeradas imposições da troika. É assim, simplesmente porque é rentável para quem compra e porque a salvaguarda do bem público não faz parte da filosofia de quem governa, numa absoluta negação da própria política.

Este profundo processo de privatizações que sofre um acentuado aceleramento nos próximos meses é a essência de quem se diz representante do povo, quando mais não é do que um mero intermediário em negócios ruinosos para o país. Pelo caminho convencem-nos do "tem de ser" porque "as referidas empresas" dão prejuízo, apesar de serem tão apetecíveis para as empresas privadas que as compram. Pelo caminho o valor estratégico dessas empresas não tem qualquer relevância, sobretudo num país acanhado, repleto de meros espectadores da desgraça colectiva.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...