Avançar para o conteúdo principal

Plano do BCE

Encostado à parede pelas circunstâncias, pela demora em reagir e pela teimosia da Alemanha, Mário Draghi, Presidente do Banco Central Europeu (BCE) apresentou um plano de compra de títulos de dívida, que não sendo totalmente novo, seria impensável há uns meses atrás, pelo menos na sua envergadura e amplitude. Trocado por miúdos, a banca recebeu torrentes de dinheiro da troika com o objectivo que o mesmo fosse canalizado sobretudo nas empresas, ao invés, a banca investiu o dinheiro na compra de títulos de dívida de outros países com taxas de juro mais apelativos. Resultado: o dinheiro não chegou naturalmente à economia real. Agora, o BCE propõe comprar esses títulos de dívida de volta a banca para que a mesma banca se sinta aliviada e possa assim injectar dinheiro, sob a forma de crédito, nas economias da zona euro. Mais um plano que beneficia a banca.
Assim, o BCE volta a injectar dinheiro na banca sem garantias de que esse mesmo dinheiro chegue aos cidadãos e empresas.
Por outro lado, o plano implica a troca de dinheiro por austeridade.
Apesar do optimismo que por aí grassa, receio que neste cenário de deflação, sem investimento, de que pouco adiantará a compra de obrigações. A questão do investimento é central. Com austeridade, sem investimento e sem consumo não haverá recuperação económica.

A compra de activos públicos e privados no valor de 60 mil milhões de euros por mês com o objectivo de combater a deflação que ameaça a Europa é sintomática do estado a que a zona euro chegou. Esta é o último trunfo de Draghi e se não resultar? Peça-se contas sobretudo à Alemanha e aos leais seguidores da senhora Merkel, a começar pelo nosso ilustre primeiro-ministro.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...