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Regresso ao passado

O titulo não é feliz. Na verdade não se trata de um regresso ao passado, mas antes de um aproveitamento de um passado muito recente. Paradoxalmente e em sentido contrário ao que se fez (o pouco que se fez) logo após o rebentar da crise, agora é tempo de intensificar as políticas liberais que apregoam a total desregulação dos mecanismos que regulam as economias, em particular nos mercados e nas regras do comércio internacional. Atente-se ao Tratado Transatlântico, projecto que já ultrapassou a sua fase embrionária e que mudará em absoluto as relações comerciais entre EUA e UE, no sentido da mais inexorável desregulaçâo, beneficiando as grandes multinacionais, enfraquecendo em simultâneo os mecanismos democráticos. Um enfraquecimento que se consubstancia na possibilidade das grandes empresas processarem os Estados que não sigam as regras de desregulação. Dito por outras palavras: ou acatam ou serão severamente punidos, factor que contribui para o total condicionamento dos Estados.
Coloca-se a questão do lado das democracias: se nestas o poder dos cidadãos é soberano, como se explica então que sejam as empresas a tomar as grandes decisões que têm implicações directas na vida de cada um desses cidadãos?
A ainda maior liberalização dos mecanismos económicos só é possível com um simultâneo enfraquecimento da democracia.
Em 2008, após a crise do subprime, o mundo clamou por mais regras e por mais fiscalização de um sector que fazia e ainda faz o que quer. Os políticos, num primeiro momento, reagiram, alegando que fariam tudo para que os acontecimentos como o subprime não voltariam a acontecer. Esse ímpeto inicial esmoreceu por completo. Hoje uma boa parte da classe política, sobretudo aquela que se encontra no poder. vergou-se por completo aos interesses das grandes empresas e do sector financeiro. O resultado é evidente aos olhos de todos: mais desregulação, mesmo que escamoteada, que permite uma grande margem de manobra às empresas, sobretudo àquelas de grande dimensão; redução dos custos do trabalho e consequentemente empobrecimento dos cidadãos; desemprego alto que favorece a pressão sobre os custos salariais; desinvestimento em áreas do Estado e enfraquecimento do Estado Social, passando os serviços a serem fornecidos por empresas do sector privado; tibieza gradual da coesão social; retrocesso a vários níveis
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