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Da podridão

Da podridão escrevo. De um país refém de interesses alheios ao interesse comum escrevo, em que os desprovidos de vergonha reinam. De um país empobrecido escrevo. De um país adormecido escrevo.
A podridão . Palavra escolhida por Rui Machete, agora ministro dos Negócios Estrangeiros, é uma evidência. O jornal Público avança que Rui Machete vendeu acções da SLN ao BPN com lucros de 150 por cento. Talvez seja esta a podridão referida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros. Aliás, numa altura em que tanto se fala de peritos (a ministra das Finanças é perita em swaps e um secretário de Estado deste Governo também será entendido na matéria, desde logo por ter tentado vender produtos de altíssimo risco ao Estado português), Rui Machete poderá ser considerado um perito em podridão. Pelo menos terá muitas histórias de podridão para contar. E por que não organizar tertúlias sobre o assunto? Certamente seria possível reunir um vasto conjunto de pessoas que andam pelos corredores do poder há largas décadas com o intuito de dissertarem sobre a essência da putrefacção.

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