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O Natal que merecíamos

Terá sido este o Natal que merecíamos? Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro, acredita que não, acredita que "este não foi o Natal que merecíamos".
Depende. Cada caso é um caso. Se pensarmos na persistência do erro que se traduz na escolha reiterada dos mesmos partidos políticos de quatro em quatro anos, enquanto se passa o tempo restante alheado, eternamente, alheado do que se passa em redor, talvez o Natal tenha sido o expectável, eventualmente não o merecido, mas o expectável.
Dir-se-á que a crise deixa pouca margem para a construção de um outro país. Mais uma vez não será bem esse o caso. De resto, atente-se a alguns exemplos, até mesmo no seio da União Europeia, de países que escolheram outros caminhos diametralmente opostos ao do masoquismo.
Por aqui, escolhe-se o caminho da dor, esperando uma redenção qualquer que nunca chegará. Por aqui, sentimo-nos responsáveis por ter vivido acima das nossas possibilidades, enquanto a casta (económica, financeira e política) passa pelos pingos da chuva. Por aqui, brinca-se à justiça e com a justiça. Por aqui assiste-se a atropelos à democracia num clima de serenidade. Por aqui sofre-se em silêncio ao mesmo tempo que a miséria nos acossa. Por aqui escolhe-se a inércia aliada, como sempre, à ignorância promovida por boa parte da comunicação social. Por aqui ainda sorrimos quando ouvimos histórias de corruptos e de chicos-espertos.
"Este não foi o Natal que merecíamos". Mas terá sido o Natal expectável.

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