Avançar para o conteúdo principal

Velhos do Restelo

A teimosia do Governo em continuar com as grandes obras públicas tem originado vários equívocos e tem dado azo a que se fale novamente nos Velhos do Restelo para designar quem se mostra contra estes empreendimentos. Chega-se mesmo a estabelecer paralelos obtusos entre o TGV e a coragem que os nossos antepassados mostraram ter nos descobrimentos.
Ora, é inequívoco que nas actuais circunstâncias de grandes dificuldades das contas públicas, e quando o crédito é caro para um país já por si endividado, as grandes obras públicas constituem um erro crasso. O Governo que, entretanto, cedeu na construção de algumas dessas obras, deveria mostrar que está disposto a combater as fragilidades da nossa economia, designadamente no que diz respeito às reformas estruturais há tanto adiadas – isso sim, seria emitir um sinal aos mercados de que estamos não só dispostos a corrigir as dificuldades das nossas contas públicas, como estamos dispostos a melhorar a nossa competitividade.
Todavia, o maior equívoco em relação aos que acusam quem é contra as grandes obras públicas de serem Velhos do Restelo é considerarem que o que é necessário é investimento público. Paralelamente, assumem que todo o investimento é igual porque o que interessa é investimento público. De resto, é evidente que a importância do investimento público é indubitável, agora talvez fosse importante olhar para as últimas décadas de investimento público em obras públicas e perceber aonde é que isso nos levou.
Hoje o que se pede aos responsáveis políticos é sensatez e que não se escondam atrás de realidades que não existem. Mais do que um TGV, o país precisa de se transformar, de se renovar, de ter muito mais para oferecer do que uma boa rede de auto-estradas e um comboio rápido.

Comentários

José Leite disse…
O país precisa de obras, boas obras... o Papa dirá isso em fátima, estou crente!

Boas obras e fé em Deus!
José Leite disse…
O país precisa de obras, boas obras... o Papa dirá isso em fátima, estou crente!

Boas obras e fé em Deus!

Mensagens populares deste blogue

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...