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PEC e a situação política

O Governo tenta reunir apoios no sentido de viabilizar o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). Entre as dúvidas da oposição sobre o Programa elaborado pelo Governo, a própria situação política não é favorável a grandes entendimentos e a compromissos de fundo. Na verdade, ninguém se quer comprometer com as políticas do Governo para repor as contas públicas em ordem. A situação das contas públicas é complexa e exige medidas duras.

Com efeito, a oposição, designadamente o PSD e o CDS, querem deixar o Governo apresentar as suas propostas - que causarão, como já estão a causar, contestação social -, deixando o Governo exposto e isolado. É bem provável que este PEC conte com o apoio destes dois partidos, mas esse apoio será sempre tácito e sem compromissos notórios.

Quanto aos partidos de esquerda, dificilmente serão a favor do PEC, até porque rejeitaram o Orçamento de Estado. Assim, o Governo poderá contar com a oposição mais clara quer do PCP, quer do Bloco de Esquerda.

De qualquer modo, o Executivo de José Sócrates tem uma árdua tarefa pela frente: a capacidade de negociar com os restantes partidos da oposição, procurando não ficar isolado, e mostrar, lá fora, que o país está comprometido em combater a dívida e reduzir o défice.

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