O caso Face Oculta vem novamente mostrar ao país a promiscuidade existente entre quem se ocupa de cargos públicos, muitos deles de cariz político, e empresas privadas. Mostra também que a política serve apenas quem se ocupa dela e raras vezes serve para salvaguardar o interesse do país. Ora, casos como este não são propriamente novidade e apenas vêm comprovar a ideia que sustenta a existência de elevada corrupção no nosso país. O que este caso mostra também é a degradação de um regime - dito democrático - em que uma vasta maioria luta diariamente para ter uma vida condigna, e um grupo de priveligiados se ocupa do Estado e dos seus assuntos para salvaguardar os seus próprios interesses. É precisamente a qualidade da nossa democracia que é posta em causa por senhores que chegaram onde chegaram graças à política. Não admira, pois, que a política e os políticos que, ao longo dos anos se mostram impotentes para resolver os problemas mais prementes do país e simultaneamente ainda abusam dos cargos que ocupam, são vistos como uma classe desprestigiante e responsável pela miséria que no dia-a-dia o país se vai tornando. Em bom rigor, este caso afecta a imagem do Governo que sob a sua tutela deixou que a situação atingisse o ponto que atingiu; mas o caso afecta sobretudo o partido do Governo ao mostrar a rede de cumplicidades e influências que existe em torno do PS. Em suma, já não chegava o elevado grau de inépcia e incompetência de quem está na cúpula do poder, ainda vem a lume que essa mesma cúpula nada faz para contrariar a crescente corrupção que vai corroendo o sistema democrático. Sublinhe-se a falta de vontade política manifestada pelo Governo em tornar o combate à corrupção mais agerrido. Só essa falta de vontade já mostra que algo vai mal no reino de José Sócrates. Mas nem isso inibiu muitos portugueses de darem novo voto de confiança ao recém-eleito primeiro-ministro, comprovando a velha máxima de que nós temos, de facto, o que merecemos.
CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...
Comentários