Avançar para o conteúdo principal

Irão e a impossibilidade da queda do regime

Os protestos dos apoiantes do candidato derrotado às eleições presidenciais iranianas têm vindo a esmorecer, até por força da repressão que tem sido infligida pelo próprio regime. Apesar da violência e dimensão dos protestos, Ali Khamenei e o Presidente Ahmadinejad parece terem conseguido conter essas manifestações. E apesar de figuras como Rafsanjani com peso no regime não esconderem a sua insatisfação com a vitória pouco clara de Ahmadinejad, a verdade é que os movimentos contra Ahmadinejad e contra os resultados das eleições perderam força.

Voltando à frase em epígrafe, por enquanto faz sentido falar da impossibilidade da queda do regime. Há muitas dependências que não passam exclusivamente pela religião que tornam uma mudança de regime muito difícil. Além disso, o discurso de populista de Ahmadinejad colhe em vastos sectores da sociedade iraniana, em particular junto do meio rural. Neste contexto, a hipótese de emergir uma alternativa viável e com hipóteses de suceder a Ahmadinejad e ao líder supremo Ali Khamenei é muito remota.

Todavia, as manifestações pós-período eleitoral são um sinal inequívoco de uma sociedade dividida e até em confronto. O descontentamento em relação à forte possibilidade das eleições terem sido fraudulentas extravasou limites que outrora se impunham com maior facilidade. O regime não teve outra alternativa que não passasse pela repressão e até pela conivência com assassinatos, como foi o caso da jovem Neda cujo morte impressionou o mundo e de outros iranianos que pereceram nas ruas de Teerão. Deste modo, as manifestações abalaram o próprio regime como nunca antes e esse descontentamento poderá ser silenciado por agora, mas dificilmente sê-lo-á por muito mais tempo.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

A outra doença

Quando todos se empenham no combate ao perigoso vírus, outras doenças subsistem, das quais se destacam a imbecilidade de líderes como Donald Trump e Jair Bolsonaro e uma União Europeia que pouco se esforça para mostrar algum resquício de espírito de união. Agora aparece o Presidente do Eurogrupo e também ministro das Finanças português, pouco entusiasmado, a apresentar um pacote de 500 mil milhões de euros de dívida, perdão, ajuda. Desses 500 mil milhões sobram algumas migalhas para Portugal. De resto, a Europa continua dividida entre países como a Alemanha e os Países Baixos e os países do sul. O egoísmo gritante de uns matará o que resta desta anedota, como quase matou em 2008.. Entretanto, e enquanto os líderes dessa Europa aplicam as suas energias em bloquear soluções, o fascismo vai fazendo o seu caminho, livremente, na Hungria e na Polónia, Estados-membros da UE. Havermos de superar o vírus que paralisou o mundo, mas dificilmente resistiremos à doença do egoísmo nesta espéci...