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Irão e a impossibilidade da queda do regime

Os protestos dos apoiantes do candidato derrotado às eleições presidenciais iranianas têm vindo a esmorecer, até por força da repressão que tem sido infligida pelo próprio regime. Apesar da violência e dimensão dos protestos, Ali Khamenei e o Presidente Ahmadinejad parece terem conseguido conter essas manifestações. E apesar de figuras como Rafsanjani com peso no regime não esconderem a sua insatisfação com a vitória pouco clara de Ahmadinejad, a verdade é que os movimentos contra Ahmadinejad e contra os resultados das eleições perderam força.

Voltando à frase em epígrafe, por enquanto faz sentido falar da impossibilidade da queda do regime. Há muitas dependências que não passam exclusivamente pela religião que tornam uma mudança de regime muito difícil. Além disso, o discurso de populista de Ahmadinejad colhe em vastos sectores da sociedade iraniana, em particular junto do meio rural. Neste contexto, a hipótese de emergir uma alternativa viável e com hipóteses de suceder a Ahmadinejad e ao líder supremo Ali Khamenei é muito remota.

Todavia, as manifestações pós-período eleitoral são um sinal inequívoco de uma sociedade dividida e até em confronto. O descontentamento em relação à forte possibilidade das eleições terem sido fraudulentas extravasou limites que outrora se impunham com maior facilidade. O regime não teve outra alternativa que não passasse pela repressão e até pela conivência com assassinatos, como foi o caso da jovem Neda cujo morte impressionou o mundo e de outros iranianos que pereceram nas ruas de Teerão. Deste modo, as manifestações abalaram o próprio regime como nunca antes e esse descontentamento poderá ser silenciado por agora, mas dificilmente sê-lo-á por muito mais tempo.

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