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Facilitismo e mediocridade

Numa escola de Viana do Castelo, um aluno com nove negativas transitou para o 9º. ano. A notícia só surpreende pelo número colossal de negativas, até porque o facilitismo e a permissividade que impregnaram as escolas são sobejamente conhecidas. A ideia que se instalou é a de que o contexto socio -económico dos alunos ultrapassa em importância tudo o resto, passando a ter um lugar de grande destaque na aprovação ou reprovação dos alunos.
A aprovação de um aluno com nove negativas levanta várias questões, mas vale a pena salientar a mensagem de que a mediocridade compensa e é premiada. A mensagem que é passada aos alunos é indubitavelmente errada e perigosa. A Educação, sob a alçada deste Governo, perdeu a pouca qualidade que a caracterizava. Aliás, já aqui se sublinhou a avidez do Governo em relação aos números e como esses números têm condicionado a actuação do Executivo de José Sócrates.
É escusado explanar sobre as políticas educativas seguidas por este Governo, até porque já não haverá muito a dizer, e o pouco que há a dizer cai em saco roto porque o interesse dos cidadãos em geral éproporcional ao seu interesse pela generalidade das questões que afectam o país, ou seja praticamente nenhum. Inquietam-se os poucos actores educativos, designadamente professores, que ainda não se cansaram de remar contra a maré, quando a generalidade dos cidadãos hoje anda a fugir da gripe, enquanto aponta o dedo a quem vem de fora e ostraciza quem é apanhado pela gripe. Quando passar a paranóia da gripe, haverá sempre alguma coisa para entreter cidadãos absortos nas suas vidas, cultivando o egocentrismo e a mediocridade . Afinal de contas, é no próximo mês que começa a temporada de futebol e até lá, sempre nos podemos entreter com as aventuras de Cristiano Ronaldo em Madrid.

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