Avançar para o conteúdo principal

O gáudio da esquerda

Hoje, o inimigo público número um é a economia de mercado, e amiúde nem interessará muito discutir o que falhou na economia de mercado que vá além da regurgitação de meia-dúzia de banalidades, o que realmente interessa é alimentar a ideia que o actual modelo falhou e está completamente falido. Não interessa discutir o que pode ser feito para tornar o sistema sustentável, o que interessa é destruir qualquer ideia de recuperação e mudança necessária de um sistema que, apesar das suas inúmeras incongruências, proporcionou um nível de vida que, de outra forma, seria difícil de ter acesso.
É claro que neste contexto ouvimos as vozes daqueles que continuam a acreditar num modelo que se provou ser incompatível com os regimes democráticos e com as liberdades individuais. A frustração dá agora lugar ao gáudio de quem vê agora a altura certa para tentar vender ao mundo ideias e conceitos falidos.
E se por um lado, muitos já tinham avisado para os excessos do capitalismo, para a natureza anárquica do sistema financeiro e para a eclosão de desigualdades; por outro, importa referir que a solução não passa por um qualquer novo sistema ainda por descobrir, nem tão-pouco pelo regresso a modelos caducos. A solução passa por preservar a economia de mercado, acautelando as necessárias e fundamentais mudanças que tornam o sistema mais sólido, transparente e onde a responsabilidade seja, de facto, efectiva.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...