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Um sinal de esperança

É com alguma exasperação que se constata que a classe política é incapaz de dar sinais de esperança de que o futuro será mais promissor. Governa-se a prazo e amiúde sem se pensar, hoje, na construção do amanhã; o mesmo se passa com a oposição que não faz mais do que criticar avulsamente as incipientes medidas do Governo, enquanto este, por sua vez, governa com os olhos virados para 2009 – altura das próximas eleições legislativas. Ora, o cerceamento da esperança dos cidadãos não é compaginável com a construção de um país com futuro.
Embora a recém-eleita líder do PSD tenha chegado há pouco tempo à presidência do partido, a verdade é que o discurso do PSD remete-nos frequentemente para o passado e raras vezes nos fala do futuro – do que é preciso fazer hoje para melhor a vida de todos nos próximos anos. Em abono da verdade, importa referir que o PSD tem criticado os laivos de novo-riquismo do Governo no que toca a obras públicas. A nova liderança do PSD mostra assim sentido de responsabilidade e alguma visão de futuro.
Todavia, não chega dizer que o país não está em condições para empreender grandes obras e fazer investimento público; o essencial é que se diga que o investimento público deve ser aplicado de outra forma: o investimento na investigação, na ciência, na tecnologia e na inovação são essenciais para a competitividade da nossa economia. Talvez fosse profícuo investir-se seriamente no ensino superior, cessando esta onda de desinvestimento, ao invés de se construir mais auto-estradas. Além disso, se o PSD quer ser alternativa ao PS, não pode continuar refugiado num silêncio confrangedor no que diz respeito à Educação ou relativamente à Justiça. Áreas em que se somam fracassos e que constituem verdadeiros óbices ao desenvolvimento.
De um modo geral, se não se empreenderem reformas em áreas como a Justiça ou a Administração Pública, procurando ir mais longe do que o Governo, está-se a comprometer o desenvolvimento do país; enquanto continuarmos a olhar em silêncio para uma Educação com crescentes contornos de anedota e não exigirmos da classe política uma intervenção mais veemente, estamos a condicionar inexoravelmente o futuro de Portugal.
Em suma, os partidos políticos não podem continuar a abster-se de discutir, de apresentar propostas e projectos de futuro. Da esquerda à direita, não há ideias, não há convicções, não há visão estratégica. Pode parecer um enorme lugar-comum, mas importa que a classe política aprenda com os erros do passado, acautele os problemas do presente, mas não cesse de começar a construir hoje um futuro melhor. Um dos mais graves problemas do país é, porventura, esse mesmo – esquecermos que o futuro começa hoje.

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