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Somália: um Estado falhado

A situação da Somália raramente é tratada pela comunicação social, sobretudo pela comunicação social portuguesa. Em abono da verdade, este não é o único país africano a ter problemas e a estar longe de qualquer processo de estabilização. Mas a existência de um Estado falhado levanta inquietações e requer respostas urgentes.
Em traços gerais, o problema da Somália prende-se com a instabilidade do Governo e com as ostensivas insurreições de radicais islâmicos, a isto some-se a intervenção da Etiópia, por vezes raiando uma ingerência desmesurada, e estão criadas as condições que inviabilizam a existência de um Estado funcional e seguro.
A proliferação da Jihad e o enfraquecimento das correntes mais moderadas são um péssimo augúrio para este país, e pode tornar a Somália num terreiro ideal para treino e doutrinação de terroristas. Hoje, são os jihadistas e os criminosos comuns que contribuem para o acentuar da instabilidade. Contudo, importa não esquecer a participação etíope em toda esta problemática, com o beneplácito americano, que mais não tem feito do que agravar a situação.
Nestas condições, torna-se assaz urgente que se tomem medidas concretas para impedir que a situação na Somália venha a tomar proporções desmedidas, o que tornará qualquer intervenção ainda mais difícil.
Infelizmente, a comunidade internacional não parece fazer da situação da Somália uma das suas prioridades. Aliás, a questão nem parece ter importância para a ONU – o envio de uma força internacional podia ser uma opção a considerar, mas não parece que essa opção esteja a ser contemplada pela ONU.
Entretanto, a situação vai agravar-se, criando as condições necessárias para que grupos terroristas se possam instalar na região. Ninguém parece interessado em envidar esforços no sentido de atenuar os efeitos da instabilidade e da violência. E se, porventura, a Somália se tornar um dos principais palcos do terrorismo, que ninguém se admire. Nada será feito, a presidência que está à frente dos destinos deste país continuará a ser anódina, e o exército mantém uma elevada capacidade para controlar a situação. Ganham margem de manobra os jihadistas e bandidos comuns para poderem, no caos, desenvolver as suas acções criminosas.

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