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Os perigos do Irão

Esta semana foi notícia (muito discreta) o desenvolvimento iraniano de mísseis que já poderão atingir alguns países do leste europeu, e que essa tecnologia permitirá atingir as principais cidades norte-americanas em 2015. Se a isto acrescentarmos o desenvolvimento tecnológico levado a cabo pelo regime iraniano no sentido de conseguir atingir metas nucleares, estamos perante uma situação muito preocupante para a estabilidade e paz no mundo.

O Irão, regime teocrático, tem reiteradamente desafiado a comunidade internacional com as suas intenções no desenvolvimento de tecnologia nuclear. Mas a história recente do Irão presenteia-nos com diversas situações de desafio à comunidade internacional. O radicalismo inerente às políticas iranianas traduzem-se em apoios a grupos terroristas – o hezbollah, por exemplo, tem sido fortemente apoiado pelo Irão. Além disso, a ingerência iraniana na maioria xiita do Iraque, e as intenções hegemónicas do Irão que se pretende apetrechar de armamento nuclear (disfarçado de tecnologia com fins energéticos) fazem deste país um perigo real para a região e para o mundo.

Um Irão nuclear é um cenário inadmissível para o mundo, e em particular para Israel que via assim a sua vantagem (nuclear) estratégica anulada por um dos seus principais inimigos. Recorde-se que a retórica do inefável líder iraniano aponta amiúde para a destruição do Estado hebraico. Com efeito, possibilidade do Irão se munir com este tipo de tecnologia nunca será aceite por Israel – trata-se de uma questão de sobrevivência do Estado hebraico. Mas um Irão nuclear terá também outras implicações: a corrida a este tipo de armamento na região – um cenário demasiado preocupante, tendo em conta a constante instabilidade que se vive no Médio Oriente.

Entre a diplomacia e a aplicação de sanções não se vislumbra um abrandamento no ímpeto nuclear iraniano. Por outro lado, os EUA estão enfraquecidos (o Iraque tem sido extenuante do ponto de vista político e operacional) e estão a evitar um ataque mais directo ao Irão. E terá sido a intervenção militar americana no Iraque que desencadeou um Irão à procura da hegemonia regional. Recorde-se que antes da intervenção americana existia um equilíbrio de poderes entre o Irão e o Iraque, que após uma guerra entre os dois países, mantinham esse equilíbrio. Ora, o desaparecimento do Iraque permitiu “soltar o monstro” – o Irão.

Os países da região e os EUA, mas também a Europa, Rússia e China terão de encetar esforços no sentido de, em conjunto, mostrar ao Irão a sua recusa inexorável quanto às intenções nucleares iranianas. Infelizmente, a China e Rússia raramente estão em consonância com o resto da comunidade internacional; os EUA estão manifestamente enfraquecidos com o eterno problema iraquiano; a Europa continua à procura de influenciar as principais decisões internacionais, mas acaba por recuar devido à tibieza das decisões dos seus Estados-membros.

De uma coisa podemos estar certos: a possibilidade de um Irão apetrechado com tecnologia nuclear é um pesadelo que não se pode tornar realidade. Há ainda outro facto que deve ser sublinhado: o apoio do Irão a grupos terroristas somado à sua capacidade nuclear é absolutamente inaceitável. O terrorismo é uma realidade incontornável das nossas sociedades, apesar do relativo silêncio dos últimos anos. Sabemos também que estes grupos terroristas se tiverem acesso a armas químicas, biológicas ou nucleares não se vão coibir de as utilizar em atentados. Por conseguinte, o Irão é um problema que necessita urgentemente de uma solução que permita coarctar as suas intenções nucleares.

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