Avançar para o conteúdo principal

Processo de paz do Médio Oriente


O quarteto responsável pelo processo de paz do Médio Oriente reuniu-se ontem em Lisboa, com a inclusão de Tony Blair como enviado especial para a região. O quarteto composto por ONU, EUA, Rússia e UE tem uma missão de dificuldade acrescida. A divisão que se vive na Palestina, entre Hamas e Autoridade Palestiniana, traz novas dificuldades ao quarteto. Note-se ainda que o processo de paz ganha crescente importância para Israel, a instabilidade que eclodiu na Palestina não se traduzirá numa nova oportunidade para a paz.

Importa sublinhar que o envolvimento dos países da região na resolução do conflito israelo-palestiniano não pode ser ignorado, aliás a proposta da Arábia Saudita com vista a um regresso às fronteiras antes de 1967 é bom princípio para a resolução do impasse. Outro elemento positivo poderá ser o contributo e envolvimento de Tony Blair no processo de paz. As capacidades de negociação e o seu carisma serão, certamente, importantes para que se retome o caminho da paz.

Contudo, a inexistência de uma liderança forte, quer do lado israelita, quer do lado palestiniano condicionam largamente o processo de paz, e a cisão que se vive no seio da Palestina, designadamente entre o Hamas (isolado internacionalmente) e a AP (com forte apoio internacional) constitui a grande incógnita no que diz respeito ao futuro mais próximo dos territórios palestinianos. Já para não falar das questões mais quentes em qualquer negociação para a paz: a questão das fronteiras, o estatuto de Jerusalém, e o eterno problema dos refugiados. Qualquer tentativa no sentido de alcançar a paz será em vão, caso estas questões não sejam clarificadas.

De qualquer modo, Israel vive num acentuado estado de incerteza e a sua sobrevivência depende, em larga medida, da estabilização da região. De resto, o contexto é manifestamente desfavorável ao Estado israelita, senão vejamos: a procura por parte do Irão da obtenção de tecnologia nuclear aliada ao discurso irascível dos seus líderes; a questão do Iraque que inflama o radicalismo e que parece inextinguível; e a divisão dos territórios palestinianos põem em causa a segurança do território israelita. Esta problemática terá de ser convenientemente equacionada pelo quarteto para a paz no Médio Oriente. Ora, refira-se que a luta contra o fundamentalismo de cariz islâmico é condição sine qua non para a estabilização do Médio Oriente.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...

Afinal não há referendo sobre o Tratado de Lisboa

Tudo indica que o primeiro-ministro vai anunciar hoje a ratificação do Tratado de Lisboa por via parlamentar. Fica assim excluída a hipótese de o mesmo tratado ser ratificado por via referendária. Segundo alguns órgãos de comunicação social, o primeiro-ministro não foi imune às opiniões do Presidente da República, mas também de vários líderes europeus que se opõem à possibilidade de referendo, entre os quais Angela Merkel, Sarkozy e Gordon Brown. Recorde-se que foi feita uma espécie de acordo entre os vários líderes europeus no sentido de fazer a ratificação do tratado sem levantar problemas, ou dito de outro modo, o processo de ratificação nos vários Estados-membros deve ser feito através dos parlamentos. De qualquer modo, os cidadãos europeus ficam, mais uma vez, fora das decisões europeias. Ninguém contesta a legitimidade dos parlamentos para se pronunciarem sobre essa matéria específica, o que se trata é da construção europeia e a sua viabilidade a médio e longo prazo. Ora, se por ...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...