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Mensagens

Quando o crime é um mal menor

Há casos que merecem profunda reflexão: o da fixação de Oeiras com Isaltino Morais é paradigmático dessa mesma necessidade. Isto a propósito das sondagens que dão Isaltino vencedor em Oeiras com maioria absoluta e da mais do que provável vitória do candidato pelo movimento "Isaltino - Inovar Oeiras de Volta". Recorde-se que aquela que já foi uma figura proeminente no PSD acabou condenado em 2009 a sete anos de prisão e perda de mandato pelos crimes de fraude fiscal, abuso de poder, branqueamento de capitais e corrupção passiva. Agora, depois de ter cumprido metade da pena a que fora condenado, Isaltino regressa para reconquistar Oeiras. Dito isto, não haveria muito a acrescentar, supunha-se. Ora, alguém que foi condenado por crimes perpetrados durante a vigência dos seus mandatos não deveria voltar a ganhar a confiança dos eleitores. Porém, é precisamente isso que acontece, vingando frases como: "é corrupto, mas faz muito por Oeiras" ou "é corrupto, mas sã...

O PSD está a mudar?

António Costa, primeiro-ministro e secretário-geral do PS, teceu duras críticas à mais recente deriva populista do PSD. Aproveitando um comício em Loures - cujo candidato pelo PSD é o inefável André Ventura - Costa não poupou nas palavras referindo o desaparecimento do carácter humanista do PSD, estando este partido, sob a liderança de Passos Coelho, a corromper um legado determinante para a democracia portuguesa. E então? O PSD está mesmo a mudar? A resposta parece ser afirmativa. O PSD insiste no apoio ao candidato André Ventura que não se coíbe de proferir declarações racistas; o líder do PSD lança inquietações sobre a nova lei da imigração, sem tocar, obviamente, nos vistos Gold que tanto impacto negativo tiveram durante a sua governação; Passos Coelho parece disposto a tudo para conseguir umas migalhas políticas e esse "tudo" consubstancia-se numa deriva populista com laivos de intolerância. Sim, o PSD, sob esta liderança, está a ensaiar uma mudança - a pior que se ...

Eleições na Alemanha e a novidade da extrema-direita

Parece claro que Angela Merkel foi castigada nas eleições de domingo: perdeu 7% do eleitorado e viu o seu parceiro de coligação, SPD, afastar-se por completo de uma solução governativa. Certa também é a derrota, histórica, do próprio SPD que terá sido castigado precisamente por ter participado na solução governativa que agora chegou ao seu fim. Quanto à CDU parece também ter havido lugar a um castigo. Presume-se que parte do eleitorado ter-se-á afastado devido às políticas de imigração da Chanceler alemã, vista por uns como altruísmo, por outros como oportunismo tendo em consideração tratar-se potencialmente de mão-de-obra barata. Considerando-se também uma terceira visão: a que rejeita o acolhimento de refugiados. Terá sido precisamente esta terceira visão a castigar a CDU. Outra novidade prende-se com a ascensão do partido de extrema-direita, AfD, no Bundestag, com mais de 80 deputados.  Parte do eleitorado da CDU terá mudado para o lado do AfD. A entrada de um partido de ex...

As flores que eu plantei

E m mais um comício à procura de um milagre eleitoral, Pedro Passos Coelho, sem originalidade – facto que se notou até na banda sonora que fora profusamente utilizada nas campanhas de António Guterres - lamentou-se por não colher as flores que plantou. Ou seja, o lamento prende-se com o facto de não estar no Governo a ser elogiado interna e externamente. Por entre exageros como referir-se à democracia portuguesa como sendo incompleta, o ainda líder do PSD falou naqueles que andam a “colher flores para colocar na jarra”, chamando a atenção para o facto de não terem sido esses a “regarem e a semearem as flores”. E depois de anos de insistência na austeridade até à morte e depois de anos de profecias sombrias sobre o futuro do país, Passos Coelho procura capitalizar os bons resultados da economia portuguesa, alguns do quais verdadeiramente surpreendentes. Ora, a estratégia passa agora por insistir na ideia que postula que os bons resultados económicos são fruto do trabalho do Govern...

O medo da secessão

A instabilidade que se vive na Catalunha é acompanhada pelo silêncio europeu. Recorde-se que a tentativa de se referendar a independência da Catalunha redundou em detenções de organizadores do referendo e apreensões de boletins de votos e subsequente onda de manifestações acompanhadas por alguma violência. Mariano Rajoy defende-se, alegando que a lei é para cumprir; os independentistas clamam por democracia e postulam que a impossibilidade do referendo se realizar é um atropelo à vontade popular e democrática. Já antes, em 2010, a questão independentista ganhou nova expressão com a inviabilização do Estatuto da Catalunha por via da actuação do Tribunal Constitucional espanhol. Entretanto, muitos clamam pelo direito à autodeterminação do povo catalão. E a monarquia é outra variável desta complexa equação. A questão Catalã é antiga e suscita, à semelhança de outras derivas independentistas, apreensão por parte dos poderes instituídos. A União Europeia não é excepção, escolhendo o si...

Um cowboy nas Nações Unidas

Perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, Donald Trump afirmou estar determinado em destruir "totalmente" a Coreia do Norte caso esta insista no caminho da provocação. As reações foram imediatas, desde murmúrios que invadiram a sala, passando por quem colocasse as mãos no rosto, culminando em semblantes carregados de inquietação face a um discurso que nada resolve o problema, contribuindo apenas para o agravar. De resto, por este caminho Trump acabará por adoptar a retórica lunática dos norte-coreanos. Estilo não lhe falta para lá chegar. Em jeito de provocação, o Presidente americano ainda teve tempo de intitular Kim Jong-un o "homem foguetão" que dispara para todos os lados. Tudo misturado com a velha retórica: " america first ". Embora nada disto constitua propriamente novidade, não é menos verdade que se há uma coisa que nem os EUA nem o mundo precisam é de um cowboy desequilibrado também ele a disparar em várias direcções: para além da Coreia d...

Lisboa: o grande desaire

A sondagem da Universidade Católica para o Jornal de Notícias apresenta um cenário trágico para o PSD, com Assunção Cristas, candidata pelo CDS, à frente da escolha de Pedro Passos Coelho para o PSD - Teresa Leal Coelho. O vencedor, segundo a sondagem, será, sem surpresas, Fernando Medina, actual Presidente da Câmara e candidato pelo PS. A dúvida está na possibilidade ou não de uma maioria absoluta. É evidente que esta é apenas uma sondagem, realizada semanas antes da eleição, e que apresenta 12 % de indecisos. Assim como os desaires das próprias sondagens não são facilmente esquecidas. Todavia, a confirmar-se uma derrota desta dimensão em Lisboa, Passos Coelho terá que retirar ilações dos resultados até porque mesmo sabendo que a vitória seria quase impossível, poucos esperariam um resultado que colocasse o CDS à frente do PSD. O ainda líder do PSD ensaia desde já a sua defesa, lembrando a necessidade de não extrapolar resultados locais para o contexto nacional, Para o CDS este r...