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Mensagens

Entrevista de Chomsky

O Jornal israelita Haaretz publica uma entrevista com Noam Chomsky em que o proeminente pensador norte-americano diz acreditar que não se pode excluir a possibilidade da Administração americana, num momento de estertor, poder recorrer à encenação de um atentado terrorista. As palavras são indubitavelmente fortes e a ideia verdadeiramente inquietante. Noam Chomsky acredita que a partir do momento em que os eleitores americanos percepcionarem o seu Presidente tal como ele verdadeiramente é, ou seja, um "vigarista" e que as suas promessas não têm possibilidade de serem concretizadas, Trump recorrerá a medidas extremas para arregimentar apoios. Assim, Chomsky não exclui a possibilidade de se assistir a um atentado terrorista que "mude o país instantaneamente". Aquilo que Chomsky profetiza não é inédito na História: quando tudo falha - e tudo falhará, sobretudo no que diz respeito à melhoria das condições de vida dos americanos - procura-se atirar as culpas para im...

Trump: o pior ainda está para vir

Depois da clamorosa derrota de uma das medidas mais emblemáticas de Donald Trump, a Administração liderada pelo mesmo assinou uma ordem executiva deitando por terra as políticas ambientais de Barack Obama, dando prioridade aos combustíveis fósseis. Com efeito a derrota das políticas que visavam substituir o Obamacare deram algum alento a quem ainda acalenta a esperança de que nada disto - leia-se Donald Trump - será tão mau como se suporia. O Trumpcare que se preparava para atirar milhões de americanos para uma situação de maior fragilidade ou até para a morte acabou no caixote do lixo. No entanto, Trump volta à carga e desta feita atacando políticas ambientais, apostando no seu retrocesso. Ou seja tudo o que Obama fez - ainda muito insuficiente - será revertido por Donald Trump. Já se sabia, de resto, que as alterações climáticas são "uma invenção dos chineses" e o responsável máximo nesta Administração pelo ambiente considera que o aquecimento global não tem como princ...

Levar Portugal a sério II

Torna-se difícil resistir ao slogan do PSD "Levar Portugal a sério". Ocasionalmente, e desta feita num Conselho Nacional, somos brindados com o slogan que tão bem assenta a quem nem se dava ao trabalho de discutir o periclitante estado do sector financeiro em conselho de ministros. O que importa é dizer que se quer levar Portugal a sério. Parece brincadeira mais não é. A ausência do tema em conselho de ministros e emails enviados atabalhoadamente durante as férias de Cristas, os dias já são de oposição e Passos Coelho aproveitou a oportunidade para criticar o plano de recapitalização levada a cabo pelo actual Executivo. Parece brincadeira, mas é sério. Por ocasião de mais uma ronda de levar Portugal a sério, Passos Coelho, teve a difícil tarefa de convencer o seus apoiantes, e de um modo geral o país, de que Teresa Leal Coelho é uma candidata para vencer as próximas eleições autárquicas. Não é fácil, mas é também para levar a sério. É evidente que o facto de Portugal t...

60 anos e à beira do abismo

Este foi o fim-de-semana das celebrações do s 60 anos do Tratado de Roma, o que deu origem à C.E.E. Uns dias antes da celebração da data, uma das mais altas figuras da Europa, o Presidente do Eurogrupo, deu mais um contributo para as divisões entre Estados-membros, acusando os países do Sul da Europa de gastarem o dinheiro em mulheres e em copos. Sinais de uma Europa repleta de mediocridade e de egoísmo – uma Europa em futuro. Os principais responsáveis políticos ensaiaram exercícios bacocos de celebração a propósito de uma data que nada diz aos cidadãos , procurando que se esquecesse que esta é uma Europa à beira do abismo. Entre críticas tímidas e celebrações sem particular entusiasmo, todos querem passar a mesma mensagem: apesar dos problemas, a UE ainda tem futuro. Seria desejável que a UE fosse um projecto de futuro, mas não é, graças a figuras, tantas vezes não sufragadas pelos cidadãos; figuras essas obliteradas pelo egoísmo, ignorância histórica e pelos preconceitos. O...

Dijsselbloem e a falta de vergonha

A falta de vergonha tem feito escola junto de uma classe política que, infelizmente, também se encontra à frente dos destinos da Europa. Dijsselbloem é um excelente exemplo da dita falta de vergonha. O ainda Presidente do Eurogrupo que, ao que tudo indica desempenhará essas funções até Janeiro de 2018, manifestou a sua intenção de se recandidatar.  Recorde-se que Dijsselbloem sofreu uma derrota clamorosa, através do seu partido, nas últimas eleições holandesas e, em consequência, deixará de ser ministro das Finanças. Todavia, as regras flexíveis do Eurogrupo permitem que o seu Presidente não tenha forçosamente de ser ministro das Finanças. Recorde-se também que Dijsselbloem voltou a manifestar os seus preconceitos contra a Europa do Sul, mas de forma mais brejeira do que é seu costume, facto que está a dar azo a pedidos de demissão de vários representantes políticos europeus. O que o Presidente do Eurogrupo e outros não querem perceber é que falsos socialistas e sociais-demo...

Sobre a liberdade de expressão

A propósito da polémica envolvendo a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Jaime Nogueira Pinto e uma tal de "Nova Portugalidade", não posso deixar de escrever algumas linhas sobre o assunto, designadamente sobre os novos arautos da liberdade de expressão. Recorde-se que a propósito de uma "conferência" protagonizada exclusivamente por Jaime Nogueira e que contava com a organização da dita "Nova Portugalidade" caiu o Carmo e a Trindade a propósito de uma alegada tentativa de silenciar opiniões veiculadas por Jaime Nogueira Pinto. Percebeu-se mais tarde, pelo menos quem quis perceber, percebeu, que a história andou a milhas de distância de qualquer tentativa de silenciamento. No entanto desta história mal contada emergiu uma nova classe de arautos da liberdade de expressão, os mesmos que, paradoxalmente, defendem ideias de um passado que cerceou essa mesma liberdade de expressão. Existe paralelamente uma clara tentativa de cavalgar outros moviment...

Dijsselbloem, rua!

O ainda Presidente do Eurogrupo – o mesmo cujo nome nos obriga a recorrer incessantemente à função copia e colar – e pertencente ao partido que sofreu a mais humilhante derrota nas eleições holandesas, acusou os Europeus do sul de gastarem o seu dinheiro em “copos e mulheres” e depois “pedirem ajuda”. As declarações feitas a um jornal alemão centram-se igualmente na alegada social-democracia de Dijsselbloem, onde a solidariedade se confunde com xenofobia, sexismo e imbecilidade. Contudo, importa lembrar que Dijsselbloem não está sozinho, tendo cont ado com a companhia de Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque, já para não falar de Schaüble, ministro das Finanças alemão. Este alegre grupinho fez da austeridade uma espécie de texto sagrado no qual a culpa sempre recaiu sobre os trabalhadores, os desempregados, os pensionistas – os tais que viveram acima das suas possibilidades, os tais que gastam tudo o que têm em copos e mulheres. Dijsselbloem, à semelhança dos restantes mem...