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Mensagens

Era uma vez um assunto único

Para a oposição, presa a receitas falhadas e a líderes medíocres, existe apenas um assunto e esse assunto tem a designação de "Caixa Geral de Depósitos". Pouco interessam os potenciais estragos feitos ao banco público, interessa antes encontrar razões para criticar o Governo e deste modo acenar com um Diabo que tarde em chegar.  Ninguém pode ignorar a má gestão do assunto: entrega declaração, não entrega, tem de a entregar, não tem de a entregar, uns diziam uma coisa, outros diziam outra. Enfim, tudo se prolongou demasiado no tempo. Não há como ignorar. Ainda assim as instituições europeias não manifestam particular inquietação quanto ao assunto, apenas PSD e CDS agem como se o mundo estivesse à beira do colapso. Apenas Passos Coelho e seus acólitos aparecem aflitos como se não houvesse amanhã. É evidente que resta muito pouco a Passos Coelho, desgastado e com a liderança ameaçada, o antigo-e-não-conformado-com-a situação-primeiro-ministro desdobra-se em acções com o o...

E se aceitássemos placidamente Trump?

Andámos há semanas a partilhar lamurias acerca da eleição de Donald Trump, lamurias essas intercaladas com tentativas de apaziguamento que desaguam numa normalização do novo Presidente eleito, como se ele fosse, de alguma forma, normativo. Essa normalização, ou até benefício da dúvida, é, desde já um erro óbvio – normalização é aceitação e nós, pelo menos aqueles que se norteiam por princípios universais comuns às democracias com respeito pelo ser humano e pelas liberdades, não podemos aceitar o racismo, a misoginia, a xenofobia, o aumento das desigualdades, sobretudo pela via fiscal e todas as formas de intolerância à moda dos anos 30. Não podemos aceitar placidamente Donald Trump. Depois da sua campanha, depois das suas promessas e agora depois das suas escolhas para o coadjuvar, não há como aceitar Donald Trump, nem pode haver qualquer estado de graça. Mas agora impõe-se a grande questão: o que fazer? Combater o neoliberalismo que subjaz ao descontentamento que depois se trad...

Círculo virtuoso

No último ano não chegámos bem lá, ao círculo virtuoso, mas andámos e andamos perto. Refiro-me naturalmente ao ano de Governação PS coadjuvado por Bloco de Esquerda, PCP e Verdes. Contrariamente ao que se dizia e ainda se diz, pelo menos Passos Coelho e Assunção Cristas, esta solução que contava com partidos das “esquerdas radicais” nunca daria qualquer resultado e seria mesmo perigosa. As profecias da desgraça estão a cair em saco roto: os indicadores económicos não só são favoráveis, como surpreendem pela positiva; as instituições europeias amenizaram o discurso, talvez por perceberem que a Europa tem problemas muito mais graves do que Portugal e a solução encontrada pelas esquerdas vai funcionando. A única variável nesta equação que revela tibieza é a oposição, sobretudo a encarnada por Pedro Passos Coelho que insiste num discurso e numa postura em contra-corrente com os tempos, ficando a ideia de que este é um homem preparado para estar eternamente à espera de um diabo que n...

O populismo de Trump e o não cumprimento das promessas

Aparentemente não é homem para cumprir parte das suas promessas, na melhor tradição do populismo. Será assim no que diz respeito a uma hipotética prisão de Hillary Clinton, a quem agora não deseja mal, e assim será no que diz respeito às alterações climáticas, primeiro anunciadas com farsa congeminada pela China, mas agora aparentemente uma realidade para ser levada a sério. O grande problema de Trump nem é tanto a mudança de opinião, de resto, Trump não é o único a mudar de opinião quando chega ao poder. O problema de recém eleito Presidente americano prende-se com os seus apoiantes e até com quem o próprio escolheu para o coadjuvar – tudo gente com opiniões extremistas, seja sobre o clima, seja sobre questões raciais, seja até sobre política externa. Este é o maior problema de Trump. Toda essa gente, de racistas assumidos passando por ignorantes que alimentam a ideia de que não existem alterações climáticas ou que lucram com essa ideia, já está a cobrar as promessas de Trump; toda...

O pior dos regressos ao passado

A notícia que dá conta da intenção do novo Presidente americano, Donald Trump, criar um registo nacional de todos os muçulmanos, a confirmar-se, remete-nos para um passado tristemente familiar. O nosso afastamento colectivo da História e a subsequente ignorância constituem perigos que não podem continuar a ser menosprezados. Se conhecermos a História podemos fazer paralelismos entre passado e presente, evitando cometer os mesmos erros. Se conhecermos os primórdios do nazismo e o que o nazismo foi a mera possibilidade de se criar um registo de um determinado grupo étnico ou religioso causa-nos uma imediata repugnância e consequente rejeição. Se for a ignorância a reinar, o preconceito espalha-se a um ritmo alucinante. Deixamos que o pior aconteça, quer fruto do preconceito, quer como resultado da inacção. Esperemos que a notícia não tenha correspondência com a realidade, porque se tiver então os nossos piores receios confirmam-se.

Boas notícias de Lisboa

A crítica apoiada num constante cepticismo resvala amiúde para o niilismo que redunda invariavelmente na ideia de que tudo é negativo e nada vale a pena. Esse niilismo leva-nos a considerar que nada faz sentido e, como não se pode falar de niilismo sem falar em Nietzsche, socorro-me de uma ideia sua: o perigo inerente à ideia de que nada faz sentido. Vem isto a propósito de algumas boas notícias, que vão para além dos bons indicadores económicos da economia portuguesa ou da mudança de atitude - mais positiva - das instituições europeias, designadamente as boas políticas que a Câmara de Lisboa pretende pôr em prática no que diz respeito aos transportes públicos. Deste modo, Fernando Medina anunciou um reforço dos transportes públicos na cidade de Lisboa, sobretudo no que diz respeito à Carris, que se traduz num aumento significativo de autocarros, utilizando as receitas de multas e estacionamento para esse efeito e no alargamento da facilidade de acesso dos mais jovens e dos mais v...

O tempo de Hillary acabou

O tempo de Hillary Clinton acabou. Em rigor, com a eleição de Trump, não será despropositado dizer que o tempo de democratas como Hillary e, até certo ponto Obama, acabou. Essa é uma das lições a retirar da inesperada vitória eleitoral de Donald Trump. Ou o Partido Democrata muda e nessa mudança tem forçosamente de incluir uma nova liderança, coadjuvada por novos elementos, com propostas diferentes que vão ao encontro dos cidadãos e, sobretudo, distanciado do poder económico, ou políticos como Trump continuarão a ser uma realidade. A única forma de combater este populismo de extrema-direita ou neofascismo passa pelo fortalecimento da esquerda, ciente de que não pode deixar cair a sua luta contra as injustiças fruto do capitalismo selvagem, nem a defesa dos direitos humanos – central ao seu ideário. Tudo num contexto de distanciamento da habitual promiscuidade entre poder político e poder económico. Não há outro caminho. É indiscutível que nesta nova equação, os políticos que tê...