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Mensagens

Paulo Portas

Paulo Portas, de cognome, o irrevogável, anunciou a sua saída da liderança do CDS e há quem afirme que Portas também abandonará o Parlamento. Tratando-se do irrevogável subsistem as dúvidas e as incertezas. Na eventualidade de se levar a conversa de Portas a sério, o futuro do CDS não é promissor. Com efeito, Portas está desgastado: não foi o mesmo na campanha para as legislativas, sobretudo nos debates e, para além das fitas e da desfaçatez do costume, não parece ter mais para oferecer. A coligação desgastou a sua imagem e esvaziou, do ponto de vista ideológico, o próprio CDS. Depois de cortes, empobrecimento e sobretudo de se perceber que não haverá devolução de sobretaxa e que a saída limpa assemelha-se afinal a uma casa-de-banho de uma qualquer estação de comboios em hora de ponta, o que resta ao ainda líder do CDS? Nem em lares de idosos, feiras ou lotas Portas consegue brilhar. Paralelamente, o homem que esteve dezasseis anos à frente do CDS nunca se livrou de questões menos...

Marcelo e a hipocrisia

Há escassos meses o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, candidato presidencial levado ao colo pela comunicação social, apresentava o seu parecer sobre os cortes no Sistema Nacional de Saúde (SNS) e sobre o ministro Paulo Macedo. Na missa dominical da TVI, Marcelo pronunciou-se sobre os cortes no SNS, deixando a ideia de que eram necessários; sobre Paulo Macedo considerou que o então ministro da Saúde havia cumprido o seu papel. Meses depois, e após a ignóbil morte de um jovem no hospital de S. José, Marcelo, tão próximo de eleições, prefere revelar-se um acérrimo defensor do SNS e, de semblante carregado, enfatizou a importância que deve ser atribuída ao SNS, referindo que se pode cortar em muitos sítios, mas na saúde é que não pode ser. Marcelo Rebelo de Sousa tem tudo a ganhar se se mantiver calado. É triste, mas parece ser essa a realidade: bastaram-lhe longos anos de politiquice e conversa de trazer por casa para conquistar – aparentemente – uma quantidade incomensurável de vo...

Saída limpa

Saída limpa: exemplo acabado do sucesso do anterior Governo. Evidentemente tudo não passou de mais uma mentira grosseira, afinal de contas a saída de limpa não passou de mais uma falácia, foi só levantar a ponta do tapete para se vislumbrar a sujidade. BES e Banif são a ponta do tapete. Já sabemos quanto nos custará o Banif, falta saber o BES e tudo isto é apenas uma das pontas do tapete. A saída limpa – a grande pseudo-vitória da dupla Passos/Portas – contou com a conivência das instituições europeias, apostadas em fazer de Portugal o bom exemplo, uma espécie de contraste com a Grécia. E a dupla Passos e Portas representaram na perfeição o papel de serviçais – pequenos, mesquinhos, bajuladores, mas úteis. Apesar da porcaria continuar a vir ao de cima ao ponto de transformar a saída limpa numa anedota de mau gosto, a verdade é que Passos e Portas, em reiterados exercícios de uma desfaçatez sem precedentes, agem como se o problema fosse dos outros, criado pelos outros. Cavaco Si...

Banif

Esperavam-se explicações da ex-ministra das Finanças que tentou limpar a sua responsabilidade em entrevista ao mesmo canal que lançou o boato do encerramento do Banif. As explicações foram, como se esperava de alguém que nunca considerou ser sua função explicar o que quer que seja aos cidadãos, pouco ou nada esclarecedoras. Ficou claro que se prolongou deliberadamente a resolução do problema, primeiro para não pôr em causa a saída limpa e depois porque 2015 era ano de eleições. Pelo caminho chegou-se ao ponto deplorável de tentar receber como accionista o regime ditatorial da Guiné-Equatorial. Por falar nisso, onde pára Luís Amado? Se dúvidas existissem relativamente à irresponsabilidade, incompetência e carácter manipulativo do anterior Governo, o caso Banif tem o condão de as dissipar; se dúvidas ainda existem quanto à mentira grosseira e implícita na frase "lixar-se para eleições", elas morreram com o Banif. Outra conclusão a tirar de mais este comportamento da banc...

Eleições em Espanha

O PP perdeu em toda a linha, ficando sem parte significativa dos deputados. "Há uma derrota da direita e uma vitória da esquerda em toda a sua heterogeneidade" dizia no domingo o El País. Outra nota digna de registo: o resultado do Podemos e do Ciudadanos. Os primeiros superaram as expectativas que é como quem diz as sondagens; os segundos ficaram longe do que se esperava. E o facto: acabou-se a alternância PP e PSOE. A solução política a sair dos resultados de ontem será difícil: nem esquerda nem direita têm facilidade em chegar aos 176 deputados para a maioria, tudo poderá depender de partidos nacionalistas ou de uma hipotética aliança PSOE/Podemos/Ciudadanos. Seja como for, o Parlamento  reflectirá  a vontade de mudança com quatro partidos em vez dos habituais dois. Uma possível solução de esquerda (mesmo com ERC e IU), quem sabe copiada da portuguesa, não olhará para as políticas europeias e para as doses cavalares de austeridade da mesma forma como tem sido ...

Herança

A verdadeira herança deixada por PSD/CDS pode ser um novo resgate; uma herança que não pode ser repudiada pelo PS e que, bem pintada pela comunicação social, pode dar um forte contributo para a fragilização do novo Governo. Com efeito, a governação encabeçada pela dupla Passos/Portas pode resultar num segundo resgate. Senão vejamos: depois de BPP e BPN com custos ainda por apurar, juntam-se BES, Banif, provavelmente Montepio e Caixa Geral de Depósitos (CGD). Em bom rigor, em que estado está a CGD? E que história é essa de empréstimos da CGD à Parvaloren que gere os prejuízos do BPN? Do dinheiro emprestado quanto já foi pago? Será tudo devolvido? E se não for? E o BES? E os quase 5000 milhões de euros? Não será seguramente Sérgio Monteiro, antigo secretário de Estado do Governo de Passos Coelho, incumbido de vender o banco de má memória, a salvar a honra do convento. Sérgio Monteiro só tem, de resto, uma certeza: 30 mil euros de remuneração mensal. E o Banif? E os 700 milhões de e...

A dupla

A dupla que mais estragos causou ao país - Passos Coelho e Paulo Portas - chegou ao fim. O anúncio foi feito por Passos Coelho depois de um lanche do partido. Prometeu manter-se próximo do seu parceiro de coligação, mas ainda assim anunciou uma espécie de separação, embora a coligação já estivesse formalmente desfeita após das eleições. Em rigor, a dupla não acabou verdadeiramente, o que só acontecerá quando Rui Rio aparecer para disputar a liderança do partido - nesse momento acaba-se a dupla por uma razão simples: Passos Coelho não terá grandes hipóteses de se manter na liderança do partido se de facto surgir um nome como o de Rui Rio. Mas a dupla manter-se-á até lá porque a frustração e a mediocridade os une e falta saber o que vale o CDS sem o PSD. No cômputo geral, a notícia não aquece nem arrefece. Os dois protagonistas dos piores anos da democracia portuguesa manter-se-ão activos, procurando alimentar falácias enquanto se remetem ao silêncio no que toca aos erros da sua gov...