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Mensagens

Neoliberalismo provinciano

Talvez seja esta a melhor forma de descrever aquela espécie de ideologia que está subjacente à acção governativa do Executivo de Passos Coelho - um neoliberalismo provinciano, néscio, medíocre; um cruzamento de ideologia e interesses; a que ideologia abre as portas à satisfação de interesses adjacentes a grupos ligados aos partidos repletos de seres vazios que fazem o papel de lacaios. Neste sentido, percebe-se a utilidade do neoliberalismo, mesmo provinciano, néscio e medíocre: o reduzido papel do Estado na economia, a redução da despesa pública e consequente redução da qualidade dos serviços públicos aliado ao reforço do privado na economia; as privatizações servem os interesses que movem os partidos da coligação. É perfeito: a coberto de uma ideologia aliada a pretensas imposições externas abriu-se a porta a negócios que os alegados discípulos de Hayek e Friedman aproveitam sem reservas. Para compor o cenário, os executantes destas políticas, invariavelmente gente medíocre e en...

Não confundir batatas com laranjas (podres)

Marco António Costa afirma não confundir batatas, cebolas e laranjas porque se "está a falar de pessoas", referindo-se aos números do desemprego e a uma frase proferida por Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda. Marco António, o mesmo senhor que fez um trabalho inesquecível na autarquia de Vila Nova de Gaia, apela à não confusão e sublinha a importância das pessoas. Seguramente, poucos confundirão batatas com laranjas, sobretudo se estas forem pequenas e em avançado estado de putrefação como são as laranjas do PSD. No que toca aos números do desemprego, boa parte dos cidadãos conhece de perto a realidade, ou por se encontrarem nessa condição de desempregado ou por terem pessoas no círculo mais íntimo que se encontram no desemprego. Aquilo que também é perceptível prende-se com a insistência quer do Governo, quer do maior partido da oposição em se dedicar à luta de números, ignorando amiúde que esses números se traduzem em dramas incomensuráveis. É um cliché, mas...

Uma Europa à deriva

Depois da crise da Zona Euro (actualmente meramente adormecida) a Europa depara-se com uma crise humanitária consequência da chegada de imigrantes a território europeu.  David Cameron, primeiro-ministro britânico, adoptou uma retórica anti-imigração, comportando-se como se o seu país nada tivesse a ver com o problema. Voltamos à questão da ausência problemática de sentido histórico. Afinal de contas, o passado recente do Reino Unido como peça essencial na instabilidade de países que hoje servem de plataforma para a migração olhada com tanto desdém, não existe. Prescindo de abordar o passado mais remoto o que me obrigaria a referir verdadeiras “ pragas ” de outros tempos. Mais: a Europa, afundada na mediocridade das suas lideranças, não tem capacidade de atenuar o fluxo migratório. Existirá apenas retórica e uns muros reais ou imaginários. A questão exigia uma coordenação e eficiência que não existe nas actuais lideranças. No entanto, não deixa de ser irónico que um continent...

Os números do desemprego

Um dos temas da actualidade política pré-campanha eleitoral tem sido o desemprego, aliás, tema que perpassou toda a legislatura, com particular ênfase nos últimos anos. Os número que o Governo usa como fruto do seu sucesso estão - como se sabia - muito longe da realidade. Eugénio Rosa, num estudo da CGTP, põe a nu a realidade atroz dos verdadeiros números do desemprego. Assim verifica-se que mais de 500 mil desempregados não entram nas listas, ficando de fora dos números mágicos com os quais o governo faz mais um número de propaganda política absolutamente desfasada da realidade. Se essas pessoas que estão fora da lista contassem como verdadeiros desempregados (que são), a taxa de desemprego em Portugal atingiria os 22 por cento. Este ´é o número real. Porém, este é um número que não interessa ao Governo preocupado em ganhar eleições, pese embora o ainda primeiro-ministro tenha manifestado estar-se "nas tintas" para as ditas eleições. Serve o estudo de Eugénio Rosa par...

PAF

Se a PAF (Portugal à Frente) vencer as eleições não é prudente descartar um puf! - já que estamos numa de onomatopeias - Puf! à Segurança Social, semi-privatizada; puf à Caixa Geral de Depósitos, ficando assim o país entregue à especulação financeira sem um banco público de que se possa socorrer - quando nos depararmos com a próxima crise financeira, sim, é só mesmo uma questão de tempo, lá virá o tempo de arrependimento. Afinal a CGD até podia dar algum jeito. Até lá assistiremos ao enfraquecimento da CGD - a receita não é nova, como se sabe. A PAF apresentou o seu programa que não traz novidades e que dá particular ênfase à componente social. Isto depois de 4 anos de acentuado empobrecimento. Os dois pilares da PAF são o crescimento económico, com previsões muito optimistas, e a já referida componente ou desenvolvimento social. Será agora que se vai combater a pobreza e as desigualdades; as mesmas criadas pelos partidos da coligação PSD/CDS. Curioso, no mínimo, patológico, na melh...

Bem-vindos ao surreal

A coligação PSD/CDS participou num novo exercício que desafia claramente as leis do real, isto por ocasião da apresentação do programa de governo que contou com declarações de Passos Coelho e Paulo Portas. A retórica do costume resume-se a uma cacofonia de acusações dirigidas ao anterior governo e a promessas patéticas - tudo num desafio permanente do real. Passos Coelho reclama para si a luta por Abril, insinuando ter alguma espécie de respeito pela herança de Abril (?), isto dito por quem mais contribuiu para destruir os princípios que emanam desse período da história do país. O ainda primeiro-ministro insiste em desafiar o real: todo o mal do mundo deriva do mesmo sítio: o largo do rato, nº 2. Os socialistas são acusados de tudo: da bancarrota e do resgate, na verdade impulsionado por Portas e Passos Coelho, da única forma que conhecem - através da insídia. Com mais um bocadinho de imaginação, pode-se inclusivamente depreender que o PS é responsável por toda a crise que assolou...

O grande desígnio

O mesmo Passos Coelho que conta com todo o tempo de antena nas principais televisões e que se insurge contra o peso do Estado, insinuando vezes e vezes sem conta que o Estado está onde não deve estar, prepara-se para gastar mais 53 milhões de euros com escolas privadas. Recorde-se que este é o mesmo governo que procedeu a cortes de centenas de milhões de euros na Educação; o mesmo Governo que desinvestiu no ensino superior; o mesmo Governo incapaz de esconder a sua repulsa pela investigação cientifica e pela cultura. Os homens de negócio, perdão, os membros do Executivo de Passos Coelho têm feito transferências crescentes de dinheiros públicos para o privado, enquanto apregoam que o Estado gasta muito e faz mal - parte da receita do neoliberalismo na sua versão mais provinciana. Nem tão-pouco será por acaso que assistimos ao enfraquecimento do Estado Social - Saúde, sem capacidade de resposta; Educação num declínio vertiginoso de qualidade e Segurança Social, invariavelmente con...