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Mensagens

Desafios

O maior desafio da esquerda, sobretudo em países como Portugal, é a dívida e o que fazer com ela. Sendo certo que esse debate caracteriza-se amiúde por questões técnicas, a verdade é que esta é uma discussão que a esquerda tem de fazer, até porque a direita aparenta estar satisfeita com a insustentabilidade dos juros da dívida e vive bem com o problema da dívida. Os partidos mais à esquerda do PS já encetaram tentativas de fazer esse debate - Bloco de Esquerda e Partido Comunista fizeram mais pela discussão deste tema premente do que os partidos do famigerado arco da governação. O Partido Socialista que muito em breve terá como líder António Costa, há anos que não se define e António Costa já manifestou não estar particularmente inclinado para a reestruturação da dívida, embora alegue estar atento a essa discussão. Costa pretende atacar o problema de duas formas: alimentado a esperança que tem na nova Comissão Europeia encabeçada por Juncker e promovendo um grande "plano ...

Posições do Governo Português

São conhecidas e são lamentáveis. O Executivo de Passos Coelho alinhou sempre com as posições mais liberais com claro prejuízo dos cidadãos que presumivelmente representa. Agora é conhecido mais um exemplo desse alinhamento. A Parceria Transatlântica para Comércio e Investimento (EUA e UE) conhecida por TTIP está a ser negociada à revelia dos cidadãos europeus e como se isso não fosse suficientemente inquietante, o Financial Times revela uma carta assinada por alguns membros de governo de Estados-membros a fazerem a defesa de uma cláusula sobre a arbitragem Estado-investidor. A carta é assinada pelo Secretário de Estado dos Assuntos Europeus Bruno Maçães e exige a inclusão de uma cláusula de "Mecanismos de protecção dos investidores" o que impõe limitações gravíssimas à jurisdição dos tribunais dos Estados-membros. Na prática esta cláusula permite a empresas estrangeiras ultrapassarem os tribunais dos Estados, socorrendo-se de arbitragens exteriores. Espera-se assim um vas...

Alunos sem professores

A situação arrasta-se há demasiado tempo. Alunos sem professores; professores colocados em dezenas de escolas, vidas ainda mais intrincadas; directores escolares à beira de um ataque de nervos; pais inquietos; um ministério desnorteado; um país à deriva. Esta é a situação da Educação em Portugal. Erros de cálculo de um ministério tutelado por uma sumida académica precisamente na área da matemática. Irónico. Depois do pedido de desculpas de Nuno Crato, ministro da Educação, as escolas continuam a ser confrontadas com a existência de alunos sem professores. O primeiro-ministro que tudo faz para manter alguma vivacidade política reitera a sua confiança num ministro que não esconde o seu gosto por viagens e que mesmo durante o caos da abertura do ano lectivo não se coibiu de viajar. Gostos. Gostos requintados. Recorde-se que este é o mesmo ministro que aceitou um corte de mais de 11 por cento no seu ministério, isto depois de anos de cortes incomensuráveis. Para Nuno Crato tudo is...

“Preguiçosos e orgulhosos”

A comunicação social merece críticas por passar a informação fragmentada e enviesada, tantas vezes ao serviço de interesses mais ou menos latentes, mas nem por isso merece críticas de Passos Coelho. Afinal de contas com que legitimidade o ainda primeiro-ministro faz acusações a comentadores e jornalistas quando ele próprio e o seu séquito não primam nem pelo eficiência, nem pela transparência. É preciso muita lata, coisa que nunca faltou ao ainda primeiro-ministro. Os comentadores e jornalistas são, para Passos Coelho, “preguiçosos” e “orgulhosos”. Todavia, compreende-se o desabafo do ainda primeiro-ministro, no encerramento das jornadas parlamentares de CDS e PSD. De resto, a comunicação social caracterizou-se, durante algum tempo, pela existência jornalistas deslumbrados com as teorias da inevitabilidade de Passos Coelho e repleta de comentares ávidos por defender a posição da maioria. Muitos mudaram de opinião, outros sabem que este é um “cavalo” velho e cansado e preferem mud...

Vitória sem entusiasmo

Dilma Rousseff venceu as eleições presidenciais no Brasil. Embora esta vitória esteja a ser acompanhada por alguns festejos nas ruas das principais cidades brasileiras, a verdade é que o entusiasmo que habitualmente acompanha estas eleições não é significativo. De resto, percebe-se porquê. O desvirtuamento das ideologias, o esmorecimento da esquerda, a corrupção longe de estar debelada e a incapacidade de atenuar de forma mais acelerada as deficiências sociais do país, conferem a estas eleições um carácter de forte esmorecimento. O Brasil continua a enfrentar problemas sociais absolutamente incomensuráveis e embora muito trabalho tenha efectivamente sido feito nos anos de Lula da Silva e da própria Dilma Rousseff, a verdade é que o descontentamento associado às profundas desigualdades sociais está profundamente aceso e a sensação de que Dilma podia ter feito mais é real. Ainda assim, o povo Brasileiro chamado a escolher entre a ante-câmara do inferno (Partido dos Trabalhad...

Um governo desgastado

O desgaste do Governo é evidente, embora os membros do Executivo ajam como se esse desgaste simplesmente não existisse. Mais, fica a sensação indelével que o país aguarda ansiosamente por 2015, concretamente por eleições. Entretanto, Passos Coelho e Paulo Portas fingem dizer a verdade e simulam um estado de normalidade que não existe. O país foi inexoravelmente arrasado por este Governo. As transformações operadas em nome dos compromissos internacionais tiveram custos incomensuráveis: desemprego; saída de muitos portugueses do país; fragilização do Estado Social; desvalorização e precarização do trabalho; agudização das fragilidades estruturais de um país despido de futuro. Espera-se, assim, ansiosamente por qualquer coisa diferente; por qualquer coisa que não seja nem Pedro Passos Coelho, nem Paulo Portas. É neste contexto que aparece António Costa, mais uma ilusão, ainda assim dificilmente tão nefasta quanto a que ainda lidera os destinos do país. Ao longe, um Presi...

Se o arrependimento matasse...

...Passos Coelho não morreria desse mal. O primeiro-ministro não é um homem de arrependimentos, veja-se o caso de Nuno Crato, ministro da Educação. Depois de alegadamente o ministro da Educação ter colocado o seu lugar à disposição, o primeiro-ministro que não aceitou essa demissão ainda reitera a sua confiança no ministro. Escusado será dizer que a abertura do ano lectivo foi desastrosa e continua a ser desastrosa. Todavia, esse desastre é uma questão de somenos na óptica do primeiro-ministro, alguém que não abdica da imagem de líder inabalável, não manifestando nem fraquezas, nem arrependimentos. É claro que a aparente incompetência do Governo não deixa de servir os propósitos do Executivo, designadamente o enfraquecimento dos serviços públicos. Tarefa que Passos Coelha espera continuar depois de 2015. Com efeito, Passos Coelho não tem razões para se arrepender. O Estado Social é enfraquecido a cada dia que passa; a desvalorização salarial e a precariedade no emprego consolid...