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Mensagens

Contagem decrescente

A escassos dias do fim da campanha eleitoral, torna-se difícil esconder o meu contentamento. Aliás, é um misto de contentamento e de alívio. O fim da campanha eleitoral representa o fim de semanas de agonia própria de partidos políticos que discutiram tudo menos políticas e que se distanciaram da realidade dura que se avizinha. O comportamento dos seus líderes tornou-se mesmo exasperante, tal é o desfasamento entre o seu discurso ou vacuidade - como lhe queiram chamar - e a realidade dos factos. Por conseguinte, e independentemente de quem sai vencedor das eleições de dia 5 de Junho, a verdade é que o programa está estipulado, tem a designação de memorando de entendimento e todos clamam pelo seu cumprimento integral. A ver vamos se o seu cumprimento escrupuloso será suficiente. Até ao próximo fim-de-semana, a campanha vai intensificar-se. Não no sentido da discussão de politicas, mas antes através de polémicas e vacuidades várias. Até ao próximo fim-de-semana vamos ouvir ...

Democracia enfraquecida

Paradoxalmente, a democracia sairá enfraquecida das eleições que se aproximam. Sai enfraquecida pela ausência de entusiasmo que criou numa vasta franja da população que preferia ver discutidas ideias do que a constante troca de acusações de quem já nada tem para oferecer ao país. Sai enfraquecida porque a própria soberania do país é posta em causa com o entendimento entre os principais partidos e instituições europeias - o verdadeiro programa eleitoral é o memorando de entendimento. A democracia sai enfraquecida culpa dos principais partidos políticos que se mantêm herméticos, enclausurados numa redoma de interesses próprios e cegos às próprias sociedades. Não são as repetidas imagens que as televisões passam de uma campanha eleitoral em que os líderes do PS e do PSD surgem rodeados de multidões de fervorosos adeptos, perdão, simpatizantes que nos dizem que estas eleições entusiasmam a generalidade dos portugueses, pelo contrário, os partidos precisam dessas pessoas para c...

Ruído

Não serei seguramente a única a ansiar pela chegada do dia 5 de Junho, não por alguma espécie de entusiasmo em torno das eleições que se avizinham, mas antes por ser esse o dia em que o ruído dos vários partidos cessa, embora o dia 4 de reflexão já nos permita deixar de ouvir o ruído. Com efeito, em nenhum momento os partidos políticos demonstraram ter ideias. E quanto maior o partido menor a capacidade de discutir alguma coisa remotamente parecida com uma ideia. Paralelamente, todos agem como se tivessem margem para governar. O programa da troika é, infelizmente, o verdadeiro programa político, mas todos se comportam como se assim não fosse. De igual forma, os problemas de uma Europa que parece caminhar para o seu último estertor não faz parte da campanha dos principais partidos. Tudo o resto é ruído e é com esse ruído que é feita a campanha eleitoral. Até dia 4 de Junho, os cidadãos vão ouvir repetidamente que estas são as eleições mais importantes da democracia portugues...

Cultura

As crises têm destas coisas, tudo, ou quase tudo é relativizado. A cultura, com ou sem ministério, passará a ser mais uma das áreas onde imperará a ideia de contenção de custos, o que não é necessariamente negativo. O que de facto é negativo é a sua relativização ou mesmo menorização. A cultura será invariavelmente uma área em que os cortes, independentemente se fazem ou não sentido, terá um suposto impacto menor. Os cidadãos têm maior relutância em aceitar cortes em áreas como a saúde ou educação, mas dificilmente se poderá assistir a manifestações em prol da cultura, exceptuando naturalmente pequenas manifestações compostos por intervenientes nessa área. É também evidente que o ministério da cultura é para muitos um mero distribuidor de subsídios, muitos deles pouco compreendidos pela generalidade das pessoas. Mas o ministério da cultura tem que ser muito mais do que isso, tem que ser promotor, tem que divulgar, tem que defender o que é criado em Portugal, deve ter atenç...

Ainda a Grécia

O chumbo de novas medidas de austeridade por parte dos principais partidos da oposição grega, que poderá inviabilizar a chegada da última tranche do empréstimo acordado com a UE e o FMI, deixa a Grécia e a própria Zona Euro numa posição periclitante. As medidas de austeridade iriam traduzir-se por mais cortes nos salários e pensões, para além de um vasto programa de privatizações. A Europa considerou que a melhor forma de combater o ataque dos mercados aos países periféricos que muitos apelidam de crise das dívidas soberanas através de austeridade e redução radical dos défices e do endividamento. A realidade mostra que essas medidas draconianas não são a solução. Além disso, a inexistência de mecanismos de contenção deste tipo de problemas no seio da Zona Euro e a mais abjecta liderança europeia deixam os países da Zona Euro vulneráveis a ataques que agravam a situação já difícil do seu endividamento. A Grécia, um pilar da identidade europeia está agora sujeita a um misto de...

Sondagens

Hoje, tal como nos dias anteriores, comenta-se mais uma sondagem. Desta vez o PSD consegue um avanço significativo sobre o PS e em conjunto com o CDS tem maioria absoluta. Trata-se de mais uma sondagem que revela um dos melhores resultados do PSD, nas últimas semanas. Mas é apenas isso, uma sondagem. A sondagem da Intercampus não surpreende. O primeiro-ministro devia ter seguido o exemplo do seu amigo Espanhol, não o fez, insiste em se agarrar ao poder e agora faz ou alega que vai fazer a defesa do Estado Social, quando nos últimos seis anos mais não fez do que contribuir para o seu enfraquecimento. O PSD, com todos os percalços e com um recuo no discurso mais liberal vai fazendo o seu caminho. Estas eleições, sobretudo se o PSD vencer, devem servir como lição para o Partido Socialista que se tornou o Partido de Sócrates, abdicando da sua identidade, fazendo tudo para estar no poder e alimentar clientelas. Ao que tudo indica, agora será a vez do PSD alimentar as suas também ...

Saídas para a crise

É por demais evidente que é imperativo que os partidos que se propõem governar o país discutam saídas para a crise. E embora essas saídas sejam manifestamente condicionadas pela evolução da economia portuguesa, não deixa de ser necessário que sejam discutidas. De facto, o país está confrontado com uma situação muito intrincada: entre juros, PPP e dívidas de empresas públicas é expectável que todas as soluções apontadas neste momento sejam falíveis. De qualquer modo, espera-se que, apesar de todos os condicionamentos fruto do entendimento com a troika e consequência da grave situação do país, os partidos políticos apontem soluções para o crescimento da economia e para a consolidação das contas públicas. As soluções serão seguramente onerosas, mas também têm que o ser para aqueles sectores da sociedade que têm escapado mais ou menos incólumes aos sacrifícios pedidos. É evidente que são os mais desfavorecidos e a classe média os mais sacrificados. Podemos estar certos do segui...