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Mensagens

A resposta portuguesa à crise

O Governo português aposta nas grandes obras públicas como forma de combater a crise internacional. Aliás, a mediocridade desta medida salta aos olhos de todos, embora primeiro-ministre se vanglorie com a alegada eficácia da medida. Mais grave é o facto da discussão sobre essas grandes obras públicas estar inquinada. Ora, o Governo socorre-se dos pacotes de medidas de outros países que também enveredam pelo caminho da construção para justificar a sua linha de governação, esquece-se contudo de discutir os inúmeros aspectos negativos das suas políticas. Afinal de contas, importa apenas fazer propaganda, rejeitando qualquer forma de troca de ideias. A grande medida do Governo é a aposta no investimento público, designadamente em obras públicas. A questão do endividamento do país e do cada vez mais difícil acesso ao crédito não são assuntos que mereçam a atenção do Executivo de José Sócrates. Por outro lado, o peso que os impostos têm nas contas das empresas e famílias são subvalorizadas ...

O fantasma do Freeport

O caso Freeport continua a alimentar páginas de jornais e tempo de antena nos principais canais de televisão. Agora foi a vez do procurador-geral da República defender o levantamento do segredo de justiça no processo Freeport. O objectivo é acabar com conjecturas que pairam sobre o processo, designadamente sobre algumas pessoas envolvidas no processo. Esta posição do procurador-geral da República, Pinto Monteiro, tem o mérito de pretender esclarecer os cidadãos sobre o que se está a passar e, simultaneamente, acabar com as especulações. Este processo Freeport não provoca apenas um desgaste do primeiro-ministro. De facto, se somarmos os escândalos no sector da banca, envolvendo um conselheiro de Estado, se somarmos a descrença generalizada na qualidade da Justiça, e se nos lembrarmos de negócios, envolvendo o Estado, que nem sempre são realizados com beneficio para o país, o desgaste é da própria democracia. A actual conjuntura de crise profunda já é potenciadora de uma fragilização dos...

Obama e a esperança

Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos, tentou, durante o seu discurso ao congresso, devolver a esperança aos americanos. A situação é de facto difícil. O primeiro discurso do novo Presidente americano no congresso teve dois aspectos importantes: um primeiro relacionado com medidas para combater a crise, voltando a referir as reformas na saúde, educação e energia como elementos centrais da sua política de recuperação económica. Por outras palavras e contrariamente a alguns políticos europeus, Barack Obama propõe medidas para fazer face à crise, mas sem perder de vista as necessárias reformas nos sectores acima citados. A ideia parece ser a de resolver os problemas do presente, mas simultaneamente preparar o futuro; outro aspecto decisivo do discurso do Presidente americano prende-se com a tentativa, bem sucedida, de passar uma mensagem de esperança e de algum optimismo. Embora o Presidente americano tenha tomado posse há pouco mais de um mês, as críticas têm vindo gradualmente a a...

Menosprezo pelas liberdades

O recente acto de censura à sátira do computador Magalhães só pode deixar os defensores do sistema democrático incrédulos. A decisão do Ministério Público insere-se num contexto de cerceamento de liberdades que tem sido uma constante dos últimos anos. Afinal de contas parece que não se pode brincar com este símbolo da governação. Até se poderia discutir o conteúdo da sátira - se é ou não de bom gosto -, mas dificilmente se pode aceitar que se imponham limites à liberdade de expressão. Seria, aliás, profícuo assistir-se à discussão que está a ter lugar no Reino Unido precisamente sobre a liberdade de expressão a propósito da proibição do controverso Geert Wilders de entrar no Reino Unido. Recorde-se que este membro do parlamento holandês é responsável pelo filme anti-islâmico "Fitna". No filme proliferam generalizações abusivas e potenciadoras de sentimentos nefastos relativamente ao mundo islâmico e são inúmeras as críticas ao filme, mas a sua proibição esbarra nas mais elem...

Reforço do contingente no Afeganistão

O Presidente Barack Obama anunciou o envio demais soldados para o Afeganistão. Este reforço do contingente no Afeganistão é também o reconhecimento por parte dos Estados Unidos dos problemas crescentes deste país. Aliás, Barack Obama já tinha por diversas vezes reconhecido o problema do Afeganistão. O Presidente americano reconhece também que o problema é apenas militar, deixando antever outras formas de intervenção. O Afeganistão, apesar da intervenção americana e de outros países, e, em algumas circunstâncias graças a essa intervenção, é ainda o palco ideal para a proliferação do extremismo. Recorde-se que a ameaça talibã há muito que deixou de ser uma ameaça. As forças americanas têm tido dificuldades em afastar os talibãs e no decurso da sua intervenção militar são amiúde o alvo do ódio dos próprios afegãos - uma situação não muito diferente do se passa no Iraque. Infelizmente, enquanto países como o Afeganistão continuarem vulneráveis ao radicalismo islâmico, o terrorismo continua...

As mesmas receitas para que fique tudo na mesma

Todos os dias somos inundados com notícias de planos de intervenção nas economias para fazer face à crise, mas não nos conseguimos abstrair do seguinte: apesar de todas as tentativas, a crise não dá sinais de atenuação, muito pelo contrário. Talvez o facto de insistirmos nas mesmas receitas de sempre resulte nos ostensivos fracassos. A vontade de mudança também não abunda, não esqueçamos que o modelo que agora esbarrou na crise servia os intentos de muitos. Um bom exemplo dessa resistência à mudança é a proliferação de paraísos fiscais. Hoje deixou de ser tabu ser-se contra os paraísos fiscais, mas das palavras aos actos a distância continua a ser incomensurável. Ainda recentemente discutir a questão dos off-shores era própria da esquerda considerada mais radical, isto apesar da grave situação de iniquidade que os paraísos fiscais criam. Hoje, a situação aparentemente mudou: os paraísos fiscais são alvos de severas críticas e a classe política europeia tem-se insurgido contra a existên...

Democracia na Venezuela

A democracia venezuelana, ou que o resta dela, sofreu nova derrota com a vitória do Presidente Hugo Chavéz no referendo deste domingo que permite recandidaturas automáticas e acaba com os limites de mandato. Os arautos do Presidente venezuelano dificilmente conseguirão ver nesta vitória de Chávez uma derrota da democracia venezuelana, afinal de contas esta vitória de Chávez é o resultado da vontade do povo, mesmo que pululem alegações de irregularidades no processo eleitoral. Os amigos portugueses de Chávez dificilmente gostariam de ver uma situação semelhante em Portugal, mas como se trata desse grande democrata venezuelano, seguidor de Símon Bolívar, inimigo dos Estados Unidos, a situação passa a ser aceitável. Na verdade, não deixa de ser curioso o fascínio que um homem como Chávez provoca em alguns portugueses. Os argumentos estão reféns do suposto bem que Chávez tem feito ao povo venezuelano, em oposição à corrupção que reinava neste país da América do Sul. Outro argumento utiliza...