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Mensagens

Terror em Bombaim

As últimas 48 horas na cidade de Bombaím têm sido marcadas pela violência e pelas incertezas. Mas importa procurar fazer uma análise o mais rigorosa possível, pese embora as incertezas sejam, neste momento, muitas. De facto as perguntas sucedem-se. Quem está por detrás da organização responsável pelos atentados? Quais foram as verdadeiras motivações? Há alguma ligação entre o grupo terrrorista em causa e a Al-Qaeda? Existem contudo alguns elementos que nos permitem ficar mais perto da verdade. Em primeiro lugar, tudo indica que os responsáveis por este nível de violência são cidadãos de origem paquistanesa, o que nos permite ter mais algumas indicações sobre as motivações do grupo. Recorde-se a contenda que põe frente-a-frente, durante décadas, a Índia e o Paquistão e que dá notoriedade à região de Caxemira e que certamente será um elemento a considerar. Em segundo lugar, não é possível dissociar esta questão do problema do Afeganistão e da por muitos considerada invasão americana. O A...

O regresso do terrorismo

Os ataques terroristas perpretados em vários locais de Bombaim marcam o regresso em força do terrorismo. É verdade que existem várias partes do globo onde o terrorismo e a doutrinação radical que o suporta grassam. Os ataques de Bombaim são um sinal de alerta que mostra claramente que a guerra ao terrorismo não pode sofrer qualquer abrandamento. Com efeito, ainda não sabe bem quem está por detrás deste ataques nem quais as suas motivações - poderá estar relacionado apenas com o problema de Caxemira que afasta a Índia do Paquistão; ou poderá ter um objectivo mais amplo. No essencial, os ataques em Bombaim vem lembrar ao mundo a importância de combater o terrorismo, em particular o que assenta no fundamentalismo islâmico. Segundo algumas fontes noticiosas, o ataque visava atingir norte-americanos e britânicos. Paralelamente, sabe-se já que entre as vítimas mortais há cidadãos oriundos do Ocidente, o que dá uma outra visibilidade ao assunto. Este é também um período sensivel para os EUA e...

Tempos difíceis para o Presidente da República

Os últimos dias têm sido marcados pelo caso BPN e por algumas das suas consequências mais imediatas. E como não poderia deixar de ser, o caso ganhou contornos políticos. As conjecturas parecem ser mais do que os factos propriamente ditos, mas a verdade é que o próprio Presidente da República já se insurgiu contra tentativas (justificadas ou nem tanto) de associar a sua pessoa ao caso. Há, no entanto, uma questão que incomodará certamente o Presidente da República - o Conselheiro de Estado Dias Loureiro cujo nome é reiteradamente enunciado cada vez que se fala do assunto. Dias Loureiro desempenhou um cargo de extraordinária importância dentro do grupo e, apesar da suas justificações, há muita dificuldade em perceber como é que alguém que desempenhou funções tão importantes não tinha conhecimento mais detalhado do que se estava a passar. A celeuma em volta de Dias Loureiro não cessará enquanto este não se demitir. Mas há também um silêncio a resvalar para a cumplicidade tanto no PSD como...

O eterno adiar de um problema

O estatuto da carreira docente e o modelo de avaliação dos professores dão uma nova dimensão ao problema da educação. Sendo certo que a educação nunca foi caracterizada pelo consensos, a verdade é que se torna cada vez mais difícil cercear o nosso calcanhar de Aquiles. A formação dos cidadãos passa incontornavelmente pela escola, já para não falar da formação dos recursos humanos - a pedra basilar das economias. Consequentemente, adiar este problema é adiar o futuro do país. A visão que a ministra Maria de Lurdes Rodrigues tem para a Educação está impregnada de uma lógica de resultados a qualquer preço e de políticas economicistas. O modelo de avaliação está falido politicamente, tal como a própria ministra; os consensos estão longe de serem alcançados; os professores estão unidos, como talvez nunca tenham estado; os cidadãos estão cansados desta novela e com cada vez menos expectativas em relação ao futuro. De um modo geral, o problema da educação para além de ser ostensivamente adiad...

Processo Casa Pia

Falar deste processo, como de outros dos quais não se conhece ainda uma decisão do Tribunal, levanta vários problemas, sobretudo relacionados com a presunção de inocência dos arguidos. Como é sobejamento conhecido, este processo é o grande teste à Justiça portuguesa. Justiça essa que não há forma de conhecer melhores dias. Depois de tantos falhanços, a convicção generalizada é de que o processo Casa Pia será mais um falhanço a engrossar uma lista que já vai longa. Por outro lado, a questão incontornável das vítimas - pode-se ter dúvidas em relação a muita coisa, mas há uma admissão que aqueles jovens foram vítimas de abusos sexuais, o que justificou a atribuição de indeminizações às vítimas. Se a Justiça falhar, isso constitui nova tormenta para quem teve fé na Justiça e viu todas as expectativas serem goradas. Não se exclui a possibilidade de novos traumas emergirem de um falhanço da Justiça. E finalmente, há um outro ângulo que não pode ser analisado de forma dispicienda e que se pre...

Encerramento de Guantánamo

Barack Obama tem em perspectiva encerrar o campo de prisioneiros Guantánamo - uma das principais causas da degradação da imagem dos EUA internacionalmente. A decisão de Obama só peca por tardia, pese embora o recém-eleito Presidente norte-americano sempre se tenha manifestado contra a existência de um campo de prisioneiros que desafia os mais elementares direitos humanos. Com efeito, existiu um contexto difícil para os americanos, cujo expoente máximo terá sido o 11 de Setembro, mas tudo o que se seguiu aos ataques terroristas foi não só contraproducente como maculou a imagem dos EUA. Tornou-se mesmo paradoxal a existência de um campo de prisioneiros com contornos difíceis de aceitar na terra da liberdade e da democracia. Os estragos que Guantánamo, a guerra preventiva e o unilateralismo americano tiveram consequências desastrosas para a credibilidade americana e para a capacidade deste país influenciar o curso dos acontecimentos internacionais. Apesar da forte possibilidade de Guantán...

O regresso de Hillary Clinton

Nos últimos dias tem-se falado da possibilidade do recém-eleito Presidente Barack Obama escolher Hillary Clinton para o cargo de secretária de Estado. Esta possilidade tem sido veementemente criticada por todos aqueles que viram em Obama a derradeira ruptura com o passado. Obama, sua vez, procura consensos e está a fazer aquilo que prometeu; ou seja, dialogar e trabalhar com pessoas com visões muito diferentes das dele. A procura incessante do recém-eleito Presidente americano de se aproximar de todos é, de facto, uma inovação relativamente ao ainda Presidente Bush. Trata-se, portanto, de uma mudança drástica de estratégia - a de Bush já provou ser um falhanço; a de Obama é promissora. Quanto à escolha de Hillary, esta denota uma grande verticalidade de Obama que, ao contrário daquilo que muitos desejariam, procura unir o país para ultrapassar as dificuldades crescentes, não virando as costas a quem pensa de modo diferente. Recorde-se que as primárias do partido democrata foram acessas...