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Mensagens

Sondagens

As sondagens não têm sido particularmente felizes para os partidos de direita, mas a última sondagem da TVI é um verdadeiro balde de água fria para PSD, CDS e PCP. O PS fica longe da maioria absoluta, mas o PSD fica a 15 ponto percentuais de distância, enquanto o CDS passa para o partida trotinete com um resultado trágico: 3,3%. PCP/PEV não consegue mais do que 5.6% - o pior resultado em legislativas.
Em sentido contrário, a sondagem da TVI mostra o melhor resultado do Bloco de Esquerda, terceira força política, com uns expressivos 14,7 por cento e o PAN atingindo os 7,9%, passando para terceira força política.
Trata-se de mais uma sondagem com todas as limitações que as mesmas comportam, mas que no entanto serve para se discutir um cenário hipotético que, apesar de naturalmente incerto, mostra uma direita francamente enfraquecida. Um enfraquecimento que, de resto, a liderança do CDS já reconheceu e o especialista em ganhar eleições (em sonhos), Rui Rio, finge não existir.

Tudo e um par de botas

O PSD, o que resta do PSD que ainda se mexe, acusou o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, de "prometer tudo mais um par de botas", isto a propósito das afirmações do ministro sobre a construção de "uma grande área metropolitana entre Lisboa e Porto" e subsequente ligação ferroviária que permitirá ligar ambas as cidades em apenas uma hora.
As palavras do ministro que enfatiza o sonho de ligar ambas as cidades em pouco mais de um hora, não constituem propriamente uma promessa, e no melhor dos cenários podemos falar de uma troca de ideias e apresentação de possibilidades, pouco mais do que isso.
O PSD, ou que resta do PSD, vem uma vez mais atirar e falhar o alvo. Não há nada nas palavras de Pedro Nuno Santos que justifique a questão da promessa. Não sei até que ponto as mesmas acusações se aplicam a outros ministros do actual Executivo, o que sei é que o anterior governo não só não prometeu nada, ao ponto de matar o que restava …

Amazónia. Ponto de não retorno.

O "The Guardian" notícia que as políticas de enfraquecimento das autoridades que protegem a floresta e a desflorestação acelerada, promovidas por Jair Bolsonaro, estão a arrastar a situação na Amazónia para um ponto de não retorno. Ou seja caminhamos para uma irreversibilidade que terá consequências dantescas para o planeta.
Importa, pois, dizer e repetir que existem culpados e que esses culpados têm rosto e nome e que quem os apoiou não é menos culpado. Em rigor, o actual Presidente brasileiro não enganou propriamente o eleitorado, manifestando por diversas vezes o desprezo que sente pelas questões ambientais. Afinal de contas reinam por aí alguns idiotas que acreditam que o planeta deles é diferente do dos outros. Mal entrou em funções Bolsonaro tratou de imediato de enfraquece as agências governamentais responsáveis pela protecção das florestas. Depois não escondeu o desprezo que sente pela população indígena que é o garante da sustentabilidade da maior flores…

Estado de emergência (política) de Pedro Santana Lopes

Santana Lopes, movido pelo habitual e tão raro sentido de responsabilidade, viu-se na obrigação de fazer um apelo aos partidos de centro-direita num texto publicado no Facebook intitulado "Imperativo Patriótico".
Esta podia muito bem ser a anedota da semana. Uma anedota que contaria com particularidades francamente divertidas: Santana Lopes no papel de cimento do centro-direita e uma sondagem que indica que 77% dos portugueses não o querem como primeiro-ministro nem que ele se banhe em ouro.
Agora num tom um pouco mais sério (não custa tentar), Santana Lopes pede para os líderes dos partidos de centro-direita se encontrarem "tão breve quanto possível". A razão? "Um estado de emergência política" relacionado com o binómio direita-esquerda, isto depois de Santana Lopes "ter passado 4 semanas na estrada a ouvir as preocupações dos portugueses", e acrescenta: "As pessoas estão muito preocupadas com a extrema-esquerda e com as políti…

Boris Johnson

Boris Johnson é o novo primeiro-ministro inglês, substituindo Theresa May. Boris, como é conhecido, apenas Boris, é considerado um político irreverente, eufemisticamente. Contudo, o pior de Boris Johnson não é a sua "irreverência", chamemos-lhe assim, mas a forma irresponsável como levou o país para a asneira do Brexit, bem como as promessas de um Brexit à força, tudo isto levado a cabo porque quem tem sérios problemas de legitimidade democrática. Recorde-se que Johnson foi escolhido pelo Partido Conservador e por inerência veio a ocupar o cargo de primeiro-ministro. Jeremey Corbyn, líder do Partido Trabalhista referiu mesmo que Boris Johnson havia sido escolhido por menos de 100 mil pessoas. Dito isto, as negociações referentes à saída do Reino Unido da União Europeia serão encabeçadas por quem contou com os votos de menos de 100 mil pessoas. Isto, claro está, se existir alguma espécie de negociação porque a vontade parece ser de sair mesmo sem acordo. As princip…

Não há planeta para a globalização

No seu livro "Down to Earth" Bruno Latour afirma, sem margem para equívocos, que não existe planeta para a globalização, estabelecendo uma relação entre as desigualdades, a desregulação e as questões ambientais num contexto de morte da solidariedade dos mais ricos em relação a todos os outros. De resto, num planeta sem espaço para todos, qual o sentido da solidariedade e num cenário em que não existe um futuro comum qual a razão dessa solidariedade, quando o que interessa é sobreviver?  Latour refere a Cimeira de Paris, em 2015, como ponto de viragem. Nessa cimeira, as várias lideranças políticas ter-se-ão apercebido de que modernidade com quem sempre sonharam não passará de um mero sonho. Não há planeta para a globalização.  O filósofo, antropólogo e sociólogo defende a necessidade de repensarmos conceitos como a modernidade, as fronteiras, o global e o local, referindo igualmente a necessidade de se dar início a novos planos para habitar a terra. Este e outros pontos de parti…

Bonifácios e afins

As Bonifácios e afins permitem trazer à luz do dia o racismo latente e disfarçado que corre nas veias de muitos. As bonifácios e afins, mesmo procurando sustentar as suas bacocas teses em pretensos factos históricos ou traços culturais, cai no ridículo e acaba a falar da vizinha de outra "raça" que é ainda mais racista do que os "brancos", trazendo desta forma a conversa para dentro de um táxi.
As Bonifácios e afins permitem também perceber que este é um problema que poucos querem abordar, até porque Portugal é supostamente um país diferente, mais tolerante, mais acolhedor. É bom pensamos assim. É bom porque nos enche o ego e nada precisamos de fazer para mudar porque não é preciso mudar o que está bem.
As Bonifácios e afins trouxeram à luz do dia o racismo que por aí grassa, mostrando um país que nunca foi verdadeiramente tolerante, mas que apenas faz um esforço hercúleo para se convencer colectivamente dessa tolerância.
Não chega expor ao rídiculo as b…