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Mensagens

Nuno Melo insiste e eu também

O cabeça-de-lista pelo CDS às europeias insiste em afirmar que o Vox não é um partido de extrema-direita, isto apesar das propostas do Vox para ilegalizar partidos independentistas em Espanha, isto apesar de propostas no sentido de liquidar as conquistas de minorias, designadamente com propostas homofóbicas, ou de recusar a igualdade entre homens e mulheres com tentativas de acabar com leis de igualdade e contra a violência de género, isto apesar de ser contra as "invasões" de imigrantes. Ainda assim, para Melo o Vox, que mais não é do que o resto putrefacto do franquismo, não é um partido de extrema-direita. Disse-o e repetiu. Ora, corre-se o risco de pensar que caiu a máscara a Melo e criaturas similares que misturando alhos com bugalhos (uma extrema-esquerda difusa com extrema-direita, como se ambas atropelassem os direitos humanos) procuram normalizar o que não pode ser considerado a norma, nem pode ser considerado aceitável, desde logo por representar um in…

Onde anda a extrema-direita espanhola?

Todos sabem, excepto Nuno Melo que não vê no partido Vox um partido de extrema-direita. E mais: candidato a eurodeputado pelo CDS admite com naturalidade que um partido de extrema-direita possa fazer parte da sua família política europeia. São posições como esta que pretendem normalizar partidos comprometidos com os resquícios do fascismo, prontos a atropelar os direitos humanos, que constituem um perigo para o futuro da Europa. Nuno Melo, candidato a eurodeputado, provavelmente não concordará, até porque da normalização até à admiração não vai uma grande distância.
De resto, as eleições de domingo mostraram precisamente que os resquícios do franquismo não desapareceram, apenas saltaram do PP que teve um dos piores resultados de sempre, para o dito "Vox". Portanto, a extrema-direita espanhola é o Vox e se dúvidas existissem, estas eleições tiveram o condão de clarificar e elucidar cabecinhas como a de Nuno Melo.

Moro: tão ilustre convidado

Para que não brotem ironias em algumas cabeças, declara-se que existe um mundo de ironia na frase em epígrafe, mas vem essa frase a propósito da presença de Sérgio Moro, super juiz com fascínio por Lula da Silva, e super ministro que não era para ser, mas acabou por ser, na Faculdade de Direito de Lisboa. Tão ilustre convidado, juiz e ministro elevado a estrela, contou com uma plateia entusiasmada e com os cumprimentos de Augusto Santos Silva, ministro português dos Negócios Estrangeiros. Falou sobre justiça, portuguesa e brasileira, e deixou na gaveta referências ao Presidente menos popular das últimas décadas - Jair Bolsonaro - que conta com uma taxa de aprovação de apenas 35%.  Tão ilustre convidado, tão famoso como a sífilis foi outrora, brindou mui ilustre e atento auditório com a sua sapiência, não se sabendo se ofereceu algumas dicas, mais tácitas, no que diz respeito a golpes. E tão ilustre faculdade rende-se a tão pouco.

O que salta à vista é um país fragilizado

Independentemente da legitimidade dos grevistas, que não coloco em causa, a verdade é que com a greve dos motoristas de matérias perigosas salta à vista um país vulnerável. E apesar dos mecanismos ao dispor do Governo em caso de emergência, a verdade é que Portugal, num ápice, fica refém de um grupo profissional. Repito: esta conclusão não invalida a legitimidade de quem faz greve. Em escassos dias, passou-se a olhar para o fundo dos depósitos. Fica-se com a ideia de que também neste particular vivemos sempre no limite, sem estratégia, apenas no limite. Não deixa de causar alguma inquietação perceber que numa tarde instala-se o pânico e acaba-se o combustível. Em suma, esta greve, independentemente da sua legitimidade, coloca em evidência um país cuja única estratégia parece ser a de viver no limite. É necessária uma reflexão, sobretudo num país que preferiu o automóvel a tudo o resto.

O melhor e o pior do ser humano numa só noite

O terrível incêndio na catedral de Notre Dame não só mostrou um país e todo o mundo em sofrimento, como nos lembrou o engenho do Homem que há mais de 800 anos erigiu Notre Dame.
Na mesma noite, já por si carregada de sofrimento e de angústia, Donald Trump brinda-nos com um tweet sugerindo a utilização de helicópteros para combater o incêndio.
Não poderia existir maior contraste, patente numa só noite: o génio da Humanidade, aliado à sua resiliência, por um lado; a pequenez, a idiotia e uma soberba sem limites, por outro.

O populismo de Marcelo

Caracterizado por ser um populista "leve" ou "benigno", sem nunca evidentemente deixar de ser populista, Marcelo Rebelo de Sousa lá vai fazendo o seu caminho até à reeleição,  como quem não quer a coisa, entre selfies em funerais, verdades, mentiras e desmentidos e um puritanismo a toda prova. Marcelo lá vai cuidando do povo. Marcelo lá vai dominando o povo. Todavia, as últimas semanas não foram as mais felizes, sobretudo depois de director da Polícia Judiciária Militar e chefe de gabinete do ministro da Defesa dizerem uma coisa, enquanto Marcelo diz o seu contrário e depois ainda de mais uma manifestação de populismo bacoco, elaborando uma lei que impede a nomeação de familiares em Belém até quase à reencarnação - até ao sexto grau, melhor dizendo -  tudo para provar o seu carácter impoluto e as suas melhores intenções. Tudo para mostrar que ele estará sempre um passo à frente no que diz respeito à ética. Assim, como mostra estar um passo à frente no ridículo. É qu…

Amazónia: o anúncio de um crime

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, anunciou que entregará a Amazónia para exploração de empresas norte-americanas. Esta ideia contém em si mesma um mundo de perigos; este anúncio vem na sequência de promessas eleitorais, ou seja, quem votou em Bolsonaro votou nisto. E o que é isto? Será um verdadeiro atentado contra o planeta ou alguém acredita que bons samaritanos preparam-se para explorar, perdão preservar, a floresta  amazónica? Ou alguém está convencido de que os americanos estão interessados numa qualquer outra coisa que não o lucro, rápido e em abundância? De resto é essa a essência do capitalismo, ou será que no entendimento de Bolsonaro o capitalismo é também outra coisa? Como o nazismo é.
Mas o Presidente brasileiro vai mais longe, para além de dar aos americanos a exploração, o que levanta outras questões que se prendem com os próprios recursos brasileiros e a ingerência externa para deitar a mão a esses recursos, promete rever as demarcações indígenas. Es…