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Mensagens

Venezuela: sim, mas...

Juan Guaidó, que assumiu há escassas semanas a presidência da Assembleia Nacional da Venezuela, declarou-se Presidente interino, exactamente um dia após o constrangedor apelo do vice-Presidente americano Mike Pence para que os venezuelanos se insurgissem contra o regime de Maduro. As manifestações pró e contra o ainda Presidente Maduro enchem as ruas.
Alguns países já reconheceram o auto-proclamado Presidente Juan Guaidó, entre eles EUA e Brasil.
De resto, Maduro mais não é do que um déspota protegido pelas forças armadas. A sua queda será sempre tarde demais para muitos venezuelanos. Sim, o ministro dos Negócios Estrangeiros português tem razão quando afirma que o tempo de Maduro já passou, mas a instigação, sobretudo americana, de olhos postos no petróleo venezuelano, lembra-nos que a política externa dos EUA não mudou assim tanto e que, a bem ou a mal, a América do Sul continua a ser o quintal americano, com a diferença de que hoje esse facto é assumidamente reconhecido e até declarad…

O que o país não precisa

O país não precisa de querelas e subsequente instabilidade com o racismo como pano de fundo. O país dispensa ter uma polícia acusada de racismo, delinquentes que, a pretexto de nada, cometem actos de vandalismo, a coberto de um suposto protesto e dispensa ter um assessor parlamentar referir-se à polícia como bosta. E este país, como qualquer país não pode viver bem com o racismo.  É evidente que o racismo não é um mito - ele não só existe, como amiúde de forma escamoteada; é evidente que as pessoas que vivem naqueles prédios inacabados no Seixal conhecido por Jamaica dificilmente encontrarão a dignidade que deveria ser intrínseca a cada um de nós; assim como é evidente que a polícia não pode toda ela ser rotulada de racista e muito menos apelidada de bosta - importa corrigir o que há a corrigir, mas importa igualmente dignificar a polícia como instrumento determinante do Estado de Direito e da Democracia. O país já tem problemas de sobra: atraso estrutural, baixos salários, precariedad…

Uma liderança reforçada, uma oposição amorfa

Depois da trapalhada encabeçada por Luís Montenegro, com os acólitos de Passos Coelho aflitos com as listas, Rui Rio voltou a ser só sorrisos, satisfeito da vida com a derrota de Montenegro e com o subsequente reforço da sua liderança. Todavia, nada disso quer dizer que o país voltou a ver qualquer espécie de oposição no PSD e é esse o maior drama de Rio - a sua inépcia no que diz respeito a uma estratégia de oposição. A oposição continua a ser amorfa. Por conseguinte, assistiremos a mais do mesmo: o PS a fazer o seu caminho coadjuvado (com altos e baixos é certo) pelos partidos à sua esquerda, o CDS entretido a fazer arroz com atum e o PSD dividido entre aqueles que apoiam Rio, apesar da sua indisfarçável inépcia e os que, aflitos com listas e de olhos postos em Passos Coelho ou pessoa similar, saem agora fragilizados com o resultado de Montenegro, pelo menos até às eleições, sobretudo até eleições legislativas.

Tanto barulho por nada

É assim que se pode descrever a forma desajeitada e extemporânea como Luís Montenegro e seus apaniguados - os mesmos de Passos Coelho - tentaram chegar à liderança do PSD. O resultado é precisamente aquele que por aqui já havia sido explanado: o reforço da liderança de Rio Rio. Mais, Montenegro e a sua trapalhada não podiam ter calhado melhor a um líder que não só sai reforçado como isolado na liderança, desprovido de concorrência - tão cedo ninguém se atreverá a desafiá-lo. Saem derrotados Montenegro e aqueles que sonham com o regresso de Passos Coelho ou com alguém similar. Para já. É evidente que até às legislativas Rio tem o lugar assegurado, assim como é evidente que com essas mesmas legislativas o Presidente do partido pode aproveitar para fazer uma limpeza nas listas - coisa que Montenegro queria evitar. No entanto, dificilmente Rui Rio conseguirá extirpar o "Passismo", ou aquele misto de neoliberalismo de pacotilha e um cinzentismo assustador - do Partid…

Brexit: Como se tudo não fosse suficientemente negativo, há ainda o contexto

Depois de mais um retrocesso no processo de saída do Reino Unido da União Europeia, colocam-se agora mais cenários, incluindo a saída da primeira-ministra Theresa May, e nenhum resolverá o que quer que seja. Para já sobreviveu a uma moção de censura. Recorde-se que na Câmaras dos Comuns May apenas contou com o voto favorável de 202 votos, contra 432. Os cenários em cima da mesa incluem a saída da primeira-ministra, como já se disse; uma solução copiada da Noruega, com acesso ao mercado único, mas sem pertença à união aduaneira; renegociar um novo acordo, cenário altamente improvável desde logo porque a UE não está disponível; insistir no mesmo acordo; sair sem acordo ou fazer novo referendo. O grau de inexequibilidade destes cenários é incomensurável. E como se tudo não fosse suficientemente negativo, há ainda o contexto internacional em que o maior aliado do Reino Unido - os EUA - contam na sua liderança com quem não merece qualquer confiança. O maior aliado do Reino Unido é hoje voláti…

E depois de Theresa May?

Existe a forte possibilidade de Theresa May, primeira-ministra inglesa, não sobreviver ao duro processo de saída do Reino Unido da UE, conhecido como Brexit. Depois de intensas negociações e após a discussão entre parlamentares, as negociações levadas a cabo por May têm naturalmente de passar pelo crivo dos deputados, coisa que, como se esperava, não aconteceu. As dificuldades avolumam-se ao ponto da primeira-ministra radicalizar o discurso ameaçando com a possibilidade de nem sequer haver Brexit, o que constituiria uma tamanha facada nas costas do eleitorado. Do lado europeu, parece haver alguma vontade em adiar o Brexit até Julho, mas não existe qualquer abertura de porta a uma potencial renegociação. Existe sim a sugestão de algumas "clarificações", designadamente no que diz respeito à sensível questão da fronteira entre Irlanda do Norte e República da Irlanda. Recorde-se que a data do Brexit aproxima-se vertiginosamente: 29 de Março de 2019. E com isto tudo, May surge fragili…

Oportunismo falhado

Luís Montenegro, ávido por chegar à liderança do PSD, considerou que a altura certa era agora, a escassos meses de eleições europeias e legislativas. Enganou-se. É evidente que o que está em causa são listas que podem ou não favorecer determinados grupos, assim como é evidente que os apaniguados de Passos Coelho não estão na calha para ficarem no topo das listas - o que por si só justifica movimentações contra o actual Presidente Rui Rio. No entanto, e apesar desse imperativo das listas, a verdade é que o tiro parece ter saído pela culatra. Os apoios de Montenegro não assim tão pesados quanto isso e uma parte relevante do partido crítica o sentido de oportunidade do ex-líder da bancada parlamentar. O que aparentemente resulta deste oportunismo falhado está patente até no rosto de Rio - um reforço da sua posição enquanto líder do partido. De resto, se Montenegro falhar, e tudo indica que irá falhar, todos os opositores de Rio não envidarão quaisquer esforços para atacar a liderança, pelo…