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Mensagens

Cristas e a oposição que se agarra ao que pode

Assunção Cristas representa a oposição que se agarra ao que pode, a oposição do vale tudo, a oposição do desespero. Rui Rio, líder do PSD, prefere outra estratégia, mais contida, menos desesperada, mas que, por sua vez, desespera boa parte do partido, a parte que ainda chora o desaparecimento de Passos Coelho e da sua ideologia de pacotilha acompanhada pelos negócios tradicionalmente obscuros. Enquanto Rio evita a politiquice de trazer por casa, Cristas abraça-a com gosto. A propósito da queda do helicóptero do INEM, Rui fala de insegurança e ensaia algumas acusações ao Governo. Tenta. Em vão.  Cristas, por sua vez, anda pelo país a exibir cartazes alertando para os perigos das estradas, ela que fez parte do Governo Passos/Portas que desinvestiram em tudo e mais alguma coisa, com poucas excepções (as do costume). A solução política congeminada por Costa com a restante esquerda vai funcionando, com o beneplácito do Presidente da República, convenientemente para ele próprio, o que rouba e…

Habituados a esticar a corda

Importa antes de entrar no assunto dos deputados-fantasma, referir que a maioria não terá os comportamentos pouco ou nada éticos que perpassa toda a comunicação social. No entanto, existe quem, sem qualquer espécie de pudor até por estar habituado a esticar a corda - a paciência dos cidadãos -, consiga estar em dois lados ao mesmo tempo, deixando deuses roídos de inveja. Agora é a vez de um deputado do PS, Nuno Sá, que passou um dia em Famalicão, primeiro em visita a uma fábrica e depois, com a família, a assistir a marchas, e ao mesmo tempo esteve no Parlamento. Pelo menos é o que o deputado garante, mesmo perante os seus posts no Facebook a documentar o dia passado em Famalicão e mesmo perante a ausência de imagens do deputado no Parlamento. Ainda assim, Nuno Sá afirma que abandonará o cargo caso seja confirmada alguma irregularidade, apesar da inexistência de diligências para aferir ou não essas irregularidades. Mais: no princípio deste ano, Carlos César, Presidente do Pa…

Maria Begonha

Trata-se da nova secretária-geral da Juventude Socialista, eleita este fim-de-semana com 72 % dos votos. A notícia não aparenta conter em si mesma qualquer coisa de extraordinário, exceptuando talvez o facto de Maria Begonha ser a protegida de Pedro Nuno Santos, provavelmente o maior representante da ala esquerda do Partido Socialista. De resto, esse forte pendor de esquerda é patente no programa encabeçado pela nova secretária-geral: Propina Zero; mais e melhores direitos laborais; defesa da possibilidade de morte medicamente assistida; nacionalização das infraestruturas dos sectores energéticos; fim dos apoios públicos à tauromaquia. Trata-se por conseguinte de um programa mais à esquerda do que é aplicado pelo actual Executivo que, quanto resvala para esse lado do espectro político, é por força de PCP e BE. Maria Begonha, a nova líder da JS, é a continuação política de Pedro Nuno Santos. próximo de António Costa, mas distante de parte do Partido Socialista, representante da ala mai…

"Um país rico não pode ter trabalhadores pobres"

A frase em epígrafe foi proferida por Pedro Sánchez que anunciou uma subida no salário mínimo de 22%, a maior desde 1977. O que esta frase significa é, no essencial, o reconhecimento que o desenvolvimento dos países não pode ser feito à custa da disseminação da pobreza; o que esta frase tem implícito é o risco que as sociedades correm se deixarem essa pobreza grassar. Sánchez percebeu isto; Macron ainda não, embora, por força das manifestações dos coletes amarelos, tenha vindo a anunciar o aumento do salário mínimo em cem euros. A pobreza hoje não se fica naquelas franjas mais fragilizadas da população, hoje essa pobreza toca e ameaça atingir o que é considerado a classe média. Os salários baixos, estagnados e sem perspectivas de aumentar, o desemprego e a precariedade, aliados ao constante enfraquecimento do Estado Social, está a acordar essa classe média, com consequências que os franceses vão começando a compreender melhor. Quem aproveita ou até certo ponto promove esse despertar é …

Há muita gente zangada

O simplismo da frase em epígrafe não lhe retira qualquer força - há muita gente zangada e há quem, naturalmente, tenha a capacidade de se aproveitar disso mesmo. Há muita gente zangada e com razão: o neoliberalismo vigente criou e agravou as iniquidades, a UE veio ajudar à festa com políticos pró-garrotes e com pouco conhecimento do seu semelhante e agora potências como a China dominam o mundo e com isso levam recursos que antigamente se concentravam apenas nos EUA e na Europa. Os políticos sem soluções e rendidos ao neoliberalismo vigente, incapazes de explicar que os anos de ouro da Europa e EUA já passaram, são o alvo de tanta gente zangada. A isto acrescente-se o ódio à mínima diferença e o cenário fica completo. Foi assim nos EUA com a eleição de Donald Trump, foi assim no Brasil com Bolsonaro, mas também é assim na Europa, com Hungria, Polónia, em Itália e começa a ser em Espanha. Em França tudo concentra-se ainda numa revolta popular, sem líderes, mas particularmente forte. Mas…

Morte e chantagem

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, admite, como quem não quer a coisa, mas que lhe dava jeito dava, que a greve dos enfermeiros aos blocos operatórios pode "potenciar mortes de doentes", para depois procurar amenizar a conversa com o reconhecimento de que a exaustão dos enfermeiros aumenta esse risco.  Ou seja, Ana Rita Cavaco, defende essa greve, mesmo que ela possa causar mortes evitáveis. É claro que essas mortes não acontecerão se o Governo aceitar as reivindicações dos enfermeiros. Não discuto sequer a legitimidade dos enfermeiros, que me parece de resto óbvia, ponho em causa - e de que maneira! - esta forma ignóbil de levar a cabo uma luta. De um modo geral, essa mesma luta perde sim força quando quer andar de mãos dadas com a morte.  Ana Rita Cavaco ultrapassou uma linha vermelha. Espera-se uma profunda reflexão sobre estas ameaças mais ou menos veladas, a começar pelos próprios enfermeiros que escolheram lamentavelmente esta bastonária para os repre…

E depois dos protestos?

Os franceses continuam a sair às ruas, munidos dos já mais do que famosos coletes amarelos, mesmo depois de alguns recuos de Emmanuel Macron. Agora a palavra de ordem é demissão. Muito bem. E depois? Quem está na linha da frente para ocupar o Eliseu? Marine Le Pen? Estas são as questões centrais. Quando as reivindicações redundam num clamoroso e uníssono pedido de demissão, importa perguntar para quê; importa refletir sobre o dia seguinte a essa demissão. Para já Macron reúne-se com sindicatos, patrões e autarcas, mas não com a liderança ou líderes dos protestos porque não existirem. Mas as cedências – a existirem mais para além das anunciadas – nunca irão responderão, na totalidade ou perto dela, às exigências de quem protesta. E depois? De resto, as políticas de Macron, à direita e limitadas pela moeda única, não poderiam ter um desfecho mais feliz para o presidente francês, o que não elimina as ditas grandes questões relacionadas com o futuro da França, com a Marine Le Pen a espreita…