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Mensagens

Os tempos do homem-massa

No anos trinta do século passado Ortega y Gasset alertou para os perigos da sociedade de massas e para o homem-massa e começou por chamar a atenção para o paradoxo do homem-massa rejeitar a oportunidade única de viver plenamente em tempos livres da tirania, marcados pelas promessas da tecnologia e pela democratização da política, com realidades até então pouco consolidadas como a liberdade. O filósofo espanhol caracteriza o homem-massa da altura como sendo alguém que rejeita os valores intelectuais e espirituais, recusa a verdade, abraçando o egocentrismo e o materialismo; o homem-massa rejeita a opinião do outro e tem aversão a qualquer coisa remotamente semelhante ao espírito crítico; conforma-se; o homem-massa não tem particular predilecção pelo belo ou até pela cultura; rejeita a diferença e ele próprio não aceita ser diferente das massas; subjuga-se, no tempo de Ortega y Gasset à comunicação social, hoje também e sobretudo às redes sociais; o homem-massa não pensa ne…

O que mais assusta

O que mais assusta não é o novo presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, desde logo porque o mundo está pejado de imbecis de má índole. O que mais assusta é a quantidade de cidadãos dispostos a deitar para o lixo a democracia e os direitos humanos em nome de segurança, estabilidade, moralidade, regresso ao passado (qual passado? Não interessa), ou coisa semelhante. Banha da cobra comprada por demasiada gente. O que mais assusta é a quantidade incomensurável de pessoas dispostas a deitar para o lixo a democracia como forma de protestar contra o PT e contra Lula, indiferentes à intoxicação primeiro levada a cabo pela comunicação social, depois desencadeada por forças sinistras e poderosas que instrumentalizaram as redes sociais O que mais assusta é a quantidade surpreendente de eleitores capazes de deitarem para o ralo a democracia e a defesa do ser humano em troca de falsas promessas, levemente abençoadas por um Deus que, a assistir a tanta triste figura, não quereria ter nada a ver com Bo…

Eleições no Brasil: um especial agradecimento à comunicação social

Refém dos grandes interesses económicos se que estão nas tintas para o regime político, desde que seja lucrativo, a comunicação social brasileira foi peça essencial para o desfecho das eleições do passado domingo. Apostada em eliminar o PT e indiferente ao perigoso vazio que estava a criar, assistiu já mais enfraquecida ao ressurgimento de um déspota boçal que ganhava terreno a cada dia que passava. O déspota não precisou de muita inteligência, apenas deixou que o vazio criado por essa comunicação social acabasse ocupado pelas redes sociais entretanto tomadas pela peste das notícias falsas, pelo sectarismo e pelo. O que não quer dizer que o PT não errou e de forma clamorosa; o que não quer dizer que o PT não sucumbiu à corrupção endémica; o que não quer dizer, sobretudo, que o PT se encontre sozinho a calcorrear caminhos onde impera a total ausência de ética. O PT, contrariamente ao que foi propalado pela comunicação social, está bem acompanhado no que diz respeito à corrupção que não n…

Quando se semeia ódio

O sectarismo e a bipolarização envoltas num ódio deliberadamente espalhados por responsáveis políticos não pode ter quaisquer outras consequências que não as mais nefastas.
As bombas enviadas por correio para figuras próximas do Partido Democrata, incluindo Barack Obama e Hillary Clinton dificilmente escaparão a uma análise assente exactamente nessa premissa de que o sectarismo e o ódios espalhados por responsáveis políticos redundam na pior das acções.
Donald Trump chegou à presidência americana promovendo esse sectarismo. Curiosamente Trump acusou a CNN de divulgar notícias falsas, chegando ao ponto de colocar um vídeo online onde socava alguém cujo rosto era o símbolo da CNN. Curiosamente o inefável Presidente americano fez campanha afirmando que Obama não era americano e que Clinton era uma criminosa que devia estar presa.
Trump, quebrando décadas de convivência saudável entre candidato à presidência e depois Presidente e o partido da oposição, exultou. à semelhança d…

As quintas-feiras de Cavaco Silva

As quintas-feiras e restantes dias dos anos de presidência de Cavaco Silva foram marcadas, como se percebe até pelos livros de sua autoria, pela mais inexorável inexistência de autocrítica. Todos erraram, uns aparentemente de forma mais artística do que outros, excepto, obviamente, ele próprio.
Paralelamente a essa ausência de espírito de auto-crítica, Cavaco presta-se à triste figura de revelar conversas com terceiros, tidas como conversas de Estado e, por inerência, privadas. Ao invés, o ex-Presidente preferiu revelá-las sem qualquer espécie de pudor, acrescentando as suas considerações sobre as conversas e sobre os interlocutores. O segundo volume das "Quintas-feiras e Outros Dias" de Cavaco Silva mais não são do que mais um exercício próprio de um ressabiado que não quer ou não está preparado para ser esquecido; um exercício próprio de quem se tornou absolutamente irrelevante, apenas reconhecido pelo seu espírito tomado pela ignomínia. Na verdade, as quintas-f…

Sectarismo

O sectarismo está a tomar conta da política em vários países, alguns dos quais constituem uma verdadeira surpresa, como o caso dos EUA. E é graças também a esse sectarismo que Donald Trump chegou à presidência.
O sectarismo traduz-se no espírito de intolerância com partidos divididos por "raças", religião e situação sócio-económica. Paralelamente cresce a ideia, junto daqueles mais próximos do partido Republicano, que os brancos, cristãos, estão a perder força no tabuleiro político, forçando-os a uma reacção de apoio àqueles que propõe medidas, por muito obtusas que sejam, para mitigar ou reverter o actual estado de coisas. Um pouco na senda da famigerada frase "make America great again". Em contrapartida, o partido democrata é visto como agregador de minorias, cada vez menos minoritárias.
De resto, a presidência de Obama veio agravar esse sentimento de perda de importância e transferência de poder para as chamadas "minorias" não brancas e nã…

Um aliado de peso: as notícias falsas

Jair Messias Bolsonaro, bem colocado para vencer as eleições brasileiras, contou com um aliado de peso: as notícias falsas veiculadas pelas redes sociais, onde a vitimização e as teorias da conspiração fazem escola. Mais: segundo uma investigação do jornal Folha de São Paulo, várias empresas privadas, naturalmente apoiantes de Bolsonaro, pagaram a empresas de marketing para despejarem centenas de milhões de mensagens com propaganda anti-PT. O Whatsapp terá sido o veículo escolhido. Recorde-se que as empresas privadas não podem, à luz da lei brasileira, financiar candidatos políticos. Outro dado importante diz-nos que são os apoiantes de Bolsonaro são os que mais se informam via Whatsapp e 91 por cento dos brasileiros, em 2016 – ano do impeachment de Dilma – declarava informar-se pela internet, com 72 por cento a escolherem o Whatsapp ou o Facebook. E ainda recentemente um conjunto de investigadores brasileiros juntamente com uma agência de verificação de factos, chegou à conclusão de qu…