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Mensagens

A Alemanha e os consensos

Depois de se ter dedicado ao desenvolvimento de exercícios de superioridade e subsequente humilhação, a mesma Alemanha liderada por Angela Merkel pede agora consensos entre os vários Estados-membros da UE, designadamente sobre imigração e moeda única. Depois de se ter dedicado a esses referidos exercícios, Merkel muda o disco e pede que entre Estados-membros, alguns dos quais com uma orientação política fascista e xenófoba, cheguem a entendimentos, depois da própria Alemanha, orientada por Merkel e pelo seu inefável ministro das Finanças Shau ble, ter dado o maior contributo na História da UE para esfrangalhar a UE. De resto, importa não separar essa postura alemã, que resultou num claro enfraquecimento do projecto europeu, da deriva extremista que está a tomar conta de alguns países europeus. A forma como se lidou com a questão grega foi o prenúncio da divisão. Vir agora pedir união cheira a lata desmesurada.

Eleições na Turquia

O resultado das eleições de domingo na Turquia são esclarecedoras: Erdogan, Presidente turco, foi reeleito logo à primeira volta e o seu partido, o APK, conseguiu uma maioria no Parlamento. Excelentes notícias para Erdogan e para o seu partido, o mesmo não será verdade para os turcos e seguramente não o será para a Europa e para o mundo. Na prática estes resultados permitirão concretizar as medidas preconizadas em 2017 e que se traduzem num reforço dos poderes presidenciais e num subsequente enfraquecimento dos poderes do Parlamento. Erdogan tem agora mais instrumentos para consolidar o seu poder que se tornará ainda mais autoritários e de portas abertas para a continuação do processo de islamização que já dura há largas décadas, uma islamização com contornos turcos, mas que não deixa de o ser. A Turquia com o seu modelo de Ataturk que aos olhos ocidentais representa um modelo promissor, desde logo pelo apregoado carácter secular, nunca andou verdadeiramente próxima da dem…

A desorientação europeia e o recrudescimento do fascismo

Não há como negar: a UE, transformada que está numa torre de Babel em que ninguém se entende, é o palco ideal para o recrudescimento do fascismo. Entre acusações mútuas, o facto é que perante a inexistência de políticas comuns e consensos em torno de questões sensíveis como o acolhimento de refugiados, sobra o discurso populista e xenófobo. Em suma, o discurso do medo que a Europa já tinha mais do que obrigação de conhecer. Na verdade a UE esteve demasiado tempo empenhada em castigar os Estados-membros considerados pouco cumpridores das regras económicas draconianas, designadamente aqueles que fazem parte da Zona Euro. Entrementes, o eurocepticismo ganhou proporções nunca vistas, fazendo com que o que resta do projecto europeu não passe de uma anedota velha e esgotada.  No espaço vazio deixado por aqueles considerados políticos convencionais, regressou o populismo em todo o seu esplendor. Tudo, claro está, perante a inépcia das instituições europeias. Agora os tais "in…

A cacofonia do PSD

A última semana ofereceu-nos mais um sinal de um PSD desorientado e entregue a uma particularmente audível cacofonia. E no meio da confusão está precisamente o recentemente eleito líder Rui Rio. Por um lado verificou-se falta de sintonia no que diz respeito à posição do partido sobre a luta dos professores. Por outro, essa falta de sintonia ainda é mais visível relativamente ao que deve o PSD fazer se os partidos de esquerda falharem um entendimento quanto ao próximo Orçamento de Estado. Finalmente, a posição da bancada parlamentar do PSD relativamente à questão dos combustíveis foi outro pomo de discórdia, com Rui Rio visivelmente desagradado com a votação da redução do imposto sobre os combustíveis. Depois deste contexto, torna-se por demais evidente que Rui Rio está longe de ser o líder mais ou menos consensual que o partido necessitava. De resto, anda meio-mundo preocupado com a saúde e futuro da “geringonça”, esquecendo-se de olhar para o estado de saúde do maior partido da oposição…

Fascismo

A palavra, o conceito, a ideia, são considerados por muitos coisa de um passado que já não regressa. Tudo terá morrido na primeira metade do século passado. E apesar de alguns governos, sobretudo na Europa, adoptarem o fascismo como base de governação, a UE continua existindo como se nada fosse, como se nada fosse consigo. Viktor Órban, primeiro-ministro da Hungria, e o seu partido Fidesz, aprovaram uma medida que visa criminalizar quem preste auxílio a imigrantes sem documentos e assim acabar com o trabalho das ONG. Se isto não é fascismo não sei o que será. Recorde-se que este é apenas um dos muitos atropelos do Governo de Órban aos Direitos Humanos e que a família europeia a que Órban pertence remete-se, uma vez mais, ao silêncio. Essa família é o Partido Popular Europeu. Em Itália, o ministro do Interior, o execrável Matteo Salvini, quer recensear os ciganos para expulsar os estrangeiros, mais uma lista, adiantando ainda que "quanto aos ciganos italianos, talvez t…

Mais um sinal dos EUA

É oficial: os EUA abandonaram o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas. O anúncio foi feito por Mike Pompeo, secretário de Estado, e por Nikki Haley, embaixadora dos EUA na ONU. O motivo? Haley já tinha acusado o Conselho de ter adoptado uma postura anti-israel e recentemente acrescentou que o organismo é "hipócrita".
Nesse sentido, os EUA têm vindo a reclamar por uma reforma profunda no Conselho dos Direitos Humanos, sem sucesso. Agora o anúncio foi feito, um pouco na senda de outros que resultaram no fim de vários acordos entre os EUA e outros países ou organismos internacionais.
Tudo se torna particularmente inquietante quando o contexto é aquele caracterizado pela política de tolerância zero de Trump no que toca à imigração e que tem culminado com crianças separadas dos pais que foram detidos. Imagens e gravações de crianças a chorar em armazéns torna tudo ainda pior, mesmo que aparentemente o Presidente tenha manifestado a intenção de pôr alguma águ…

Separar crianças dos seus pais - o último grito da Administração Trump

Donald Trump prometeu lutar contra a imigração ilegal e está a fazê-lo da pior forma possível e imaginável, separando crianças imigrantes dos seus pais. Para tornar tudo ainda mais surreal - para além do facto de se tratar de um país construído por imigrantes e cujas populações autóctones ou foram dizimadas ou entregues à doença, ao jogo e ao álcool - é a forma desumana como se faz essa separação.  Assim, o mundo vê imagens de crianças enjauladas a chorarem pelos pais; assim o mundo ouve uma gravação feita nos EUA onde se escutam as vozes de crianças a chorarem pelos pais - as gravações foram efectuadas nos centros de detenção, muitos dos quais armazéns, onde estão engaioladas estas crianças. De resto, estima-se mais de 2 mil crianças imigrantes já foram separadas das suas famílias, tudo bem enquadrado na luta contra imigração sobretudo na zona de fronteira com o México. Tudo isto se está a passar na América onde um néscio de cabelo amarelo e de má índole comporta-se como um…