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Mensagens

Eutanásia: um assunto adiado

A votação foi desfavorável aos quatro projectos de lei com vista à despenalização da morte assistida. A discussão entre os deputados foi feita com elevação e com respeito pelas posições adoptadas por cada um. De resto, o assunto não merecia outra coisa, desde logo por se tratar de um assunto particularmente sensível. No entanto e apesar do resultado, parece-me que esta questão voltará a ser discutida, provavelmente numa próxima legislatura. De um modo geral e independentemente dos resultados, a discussão teve outra virtude: a de perceber o quão alguns partidos estão agarrados a dogmas e como esses dogmas se sobrepõem à vontade e à liberdade de escolha de cada um. Mesmo que esses partidos tenham optado por vir a terreiro apresentar uma linha de argumentação que fugia à questão das escolhas e da liberdade de cada um, a verdade, desta feita, não se escondeu. A ver vamos como é que, numa próxima ocasião, esses partidos, designadamente o PCP, descalçará a pesada bota do dogma. Para já o assunt…

O congresso das intenções

António Costa foi indubitavelmente a estrela do Congresso do Partido Socialista que se realizou no passado fim-de-semana. Depois da subida de tom das críticas, facto que também se verifica no seio do seu próprio Governo com ministros a assinarem manifestos contra o Governo. Na verdade a contestação medra a cada dia de passa. De resto fica a ideia de que o ministro das Finanças têm o controlo absoluto do Governo e que os ministros nada podem fazer quanto à degradação dos serviços, como se tem verificado na Saúde, na Educação, no Ensino Superior, etc. Costa precisava deste congresso para destilar intenções, mas sobretudo para relembrar que é ele o primeiro-ministro, apesar dos sinais em sentido contrário. No congresso das intenções, Costa quis sobretudo fazer esquecer o poder que o seu ministro das Finanças tem; quis fazer esquecer um país onde as doentes oncológicas não fazem exames atempadamente, onde as crianças são tratadas nos corredores junto a caixotes do lixo, onde algumas escolas …

Querem saber mais sobre dogmatismo? Perguntem ao PCP... e a Cavaco Silva

Não se trata tanto de se pugnar por uma posição ou por outra no que diz respeito à questão da eutanásia, menos da substância e sobretudo da forma. Numa questão de escassos dias Partido Comunista e Cavaco Silva vieram manifestar o seu repúdio por qualquer tentativa de legalizar a morte medicamente assistida a pedido do doente. Ambos fizeram-no com acentuado respeito pelo dogmatismo que domina as suas vidas e no caso do PCP fica notória a ideia de que todos devem votar contra, deixando de lado a possibilidade de existir alguma liberdade de voto. Assim todos votarão em consonância com as ordens da hierarquia, numa espécie de lembrete de que o colectivo amiúde anula qualquer vontade individual. Na comunicação social pouco ou nada se falou de liberdade de voto, talvez porque liberdade de voto e PCP simplesmente não combinam. O PCP acusa ainda as propostas de constituírem um “retrocesso civilizacional”, mas atirado pelo PCP torna-se dogmático – única verdade sem admissão de crítica, a começar…

Brincar às lideranças mundiais II

Para aqueles que acreditaram que Donald Trump poderia de facto ser um líder mundial e contribuir positivamente para a resolução do problema norte-coreano, a desilusão chegou em força nos últimos dias. Ora, Trump, depois de mais exercícios de puerilidade, declarou finalmente não estar presente na cimeira com a Coreia do Norte, afirmando “não ser apropriado, neste momento”. Horas depois o Pentágono reforçou o seu apoio ao Presidente e declarou estar pronto para atacar a Coreia do Norte esta noite… “já esta noite”. Por conseguinte, aqueles que acreditaram que a os cowboys americanos estavam mais calmos, tiveram nova desilusão. Entretanto, a Coreia do Norte demoliu campo de testes nucleares. Os cowboys, esses, liderados por um Presidente inepto e pueril, insistem no campo da confrontação, sem oferecerem razões que justifiquem essa estratégia, sem razões para além de andarem a brincar às lideranças mundiais. Se provas fossem necessárias com o intuito de demonstrar que esta Administração americ…

Brincar às lideranças mundiais

O vice-Presidente americano, Mike Pence, alertou o líder norte-coreano, Kim Jong-un para não brincar com Donald Trump, designadamente se a famigerada reunião entre o líder americano e norte-coreano sempre se realizar em Singapura. Mais concretamente Pence afirmou que “seria um grande erro Kim Jong-un pensar que pode brincar com Donald Trump”. Tudo isto faria alguma espécie de sentido se Trump fosse dado a coisas sérias e não se comportasse como uma criança empenhada em “lixar o outro puto” - Barack Obama. Só assim se explica que se tenha deitado fora parte da lei Dodd-Frank aprovada no rescaldo da crise do sector financeiro em 2008, com o cunho, claro está, do Presidente da altura Barack Obama. Só assim se explica mais uma machadada na pouca regulação e supervisão do sector financeiro. Trump brinca às lideranças mundiais, cheio de si próprio, continua a considerar necessário hostilizar aquele líder norte-coreano difícil de definir. Depois de “fogo e fúria” e outras ameaças, depois ain…

António Arnaut

António Arnaut, fundador do Partido Socialista, faleceu ontem. Todas as homenagens são justas. Aquele que ficou conhecido por pai do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e que manifestava não apreciar o epíteto foi sobretudo um humanista. Na verdade já se sente a falta de quem apregoou o humanismo e o sentido de justiça. Arnaut não apreciava o epíteto, mas a verdade é que lhe devemos muito. O SNS anda pelas ruas da amargura e a melhor homenagem que se pode prestar ao fundador do Partido Socialista é lutar para que o SNS saía deste caminho deplorável que tem vindo a percorrer, sobretudo na última década, com a degradação dos serviços e com o frequente desrespeito pelos profissionais de saúde. António Arnaut não apreciava que o considerassem pai do SNS e é bem verdade que todos somos responsáveis pelo estado da Saúde pública em Portugal; todos devemos estar empenhados em lembrar aos de hoje que vergar-se perante as instituições europeias já não é opção e culpar os de ontem pelo estado do SNS ta…

Um país monotemático

Há perto de uma semana que a comunicação social entretém o país apenas com recurso a um tema – uma espécie de novela com um presidente de um clube, depois dos jogadores desse clube terem sido alvo de agressões no seu centro de estágio. Há perto de uma semana que todos os outros assuntos foram relegados para a mais absoluta irrelevância: Palestina e Israel, Coreia do Norte, etc.
Mesmo no que diz respeito à vida interna, o país está em suspenso até segunda-feira, dia subsequente à realização de uma final de futebol. A classe política essa não se afasta totalmente do futebol porque sabe a importância que aquilo que deveria ser um mero entretenimento tem para a vida de muitos cidadãos. Nesse precisa medida, a classe política não se imiscui de cair na tentação de comentar os assuntos futebolísticos. De resto, o país está também em suspenso na medida em que foi preciso chegar até domingo – dia do tal jogo – para se perceber se Marcelo Rebelo de Sousa iria ou não comparecer à tão ansiada fina…