As relações laborais mudam a uma
velocidade vertiginosa, sobretudo com a “uberização” do
trabalho, com empresas disfarçadas de empresas exclusivamente
tecnológicas a operarem noutras áreas e a passarem todos os
encargos legais para o trabalhador, visto como “micro-empresário”
e não existindo o reconhecimento de vínculo laboral. A proliferação destas empresas que
acarretam mudanças incomensuravelmente lesivas para os trabalhadores
parece difícil de parar. Embora outras formas de precariedade,
particularmente embutidas nas nossas sociedades, tenham vindo a
conhecer algumas mudanças positivas. Por um lado, toda o caminho
legislativo com o objectivo de travar essa proliferação esbarra num
contexto económico desfavorável, de capitalismo selvagem, que se dá
perfeitamente com empresas desta natureza e que beneficia do
enfraquecimento das relações laborais que se verifica há pelo três
décadas. Por conseguinte esperar que seja pela via legislativa é
optimismo, o que não invalida, porém, o reforç…
Para a construção de uma sociedade justa e funcional é necessário que a política e que os políticos se centrem na consolidação de três elementos: a protecção do ambiente, o bem-estar social com a necessária eficácia económica e a salvaguarda do Estado democrático. No entanto, estamos a falhar clamorosamente o primeiro objectivo, o que faz com tudo o resto seja inexoravelmente sem importância.