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Mensagens

Uma machada nas esperanças de um novo bloco central

António Costa, em entrevista à visão, enfraqueceu de forma inexorável a ideia de um bloco central. O primeiro-ministro foi ainda mais longe afirmando que o bloco central "empobrece a democracia" - a frase, lapidar, faz capa da revista. No outro lado de um hipotético e desejado bloco central, está Rui Rio a afirmar a forte possibilidade do seu partido votar contra o Orçamento de Estado. A frase é dita, sem particular convicção ou sem a convicção de outros tempos, mas está dita. Consequentemente, a ideia de Bloco Central, que conta com adeptos no PS e sobretudo no PSD, fica assim seriamente enfraquecida como possibilidade de futuro. Numa entrevista franca, Costa manifesta vontade numa reedição da actual solução política, com o PS a ser suportado por PCP, Verdes e Bloco de Esquerda. Aqueles que pugnam por um bloco central - terreno onde grassa a promiscuidade entre poder político e poder económico - vêem assim as suas aspirações com poucas ou nenhumas possibilidades de construírem…

A Rússia, o eterno problema

Pelo menos para EUA e para a Europa, e décadas depois do fim da guerra fria e do desmoronamento da União Soviética, a Rússia continua a ser olhada como um problema, sobretudo agora que reclama vitória sobre o Daesh na Síria e, consequentemente, consolida o seu poder na região, fortalecendo alianças com o regime de Bashar al-Assad no que resta da Síria e com o Irão - apontado invariavelmente como inimigos americanos. Alegadamente o regime russo terá envenenado um agente duplo em Inglaterra, resultando este acto na expulsão de diplomatas russos, primeiro pelo governo britânico e depois por boa parte da Europa e dos EUA.  O referido envenenamento é tratado quer pelos responsáveis políticos europeus (Portugal é uma excepção) quer pela comunicação social como um dado adquirido que não carece de quaisquer provas - o regime russo envenenou um agente duplo, ponto final. Seja como for esta espécie de reedição da guerra fria, com claras diferenças, a começar pela crescente tibieza americana e pela…

Uma prisão para gáudio de muitos

"Puig-the-end" é o título de um artigo de opinião no jornal El Pais, reproduzido pelo Expresso português. A prisão de Puigdemont e o fracasso das ambições independentistas e algumas meramente apologistas de mais soberania são razões para regozijo daqueles que querem simplesmente esmagar as aspirações de um povo. Rajoy e sus muchachos da ala fraquista do PP escondem-se por detrás do sistema judicial para ajustarem contas políticas e estão efectivamente a ser bem sucedidos. Para já. Resta saber como reagirá parte dos catalães, aqueles que lutam por mais soberania e aqueles que lutam pela independência. Para já, assiste-se a manifestações, umas pacíficas, outras nem tanto. Mas até quando? Será que o povo catalão, boa parte dele, continuará a ser esmagado sem nenhuma reacção para além das manifestações? Rajoy e sus muchachos brincam com o fogo. Rajoy porque é fraco, tão simples quanto isto, e procurou através da questão catalã passar a imagem contrária; sus muchachos porque herdar…

Ainda há prisões políticas na Europa?

Depois da detenção de cinco dirigentes independentistas, uma detenção que incluiu Jordi Turull, o candidato à presidência da Generalitat, agora foi a vez do próprio Carles Puigdemont. Já na semana passada também 13 independentistas foram acusados de rebelião pelo Supremo Tribunal - recorde-se que estes 13 independentistas estiveram envolvidos na organização do referendo soberanista. Carles Puigdemont já se havia afastado da liderança da Generalitat, facto pouco relevante para as autoridades espanholas, que através de um mandato internacional conseguiram finalmente a sua detenção. Quem estava na frente para o suceder também já tinha sido também detido. Mariano Rajoy sempre se manifestou apologista da repressão, rejeitando a possibilidade de diálogo. Rajoy um líder inusitadamente débil, conta no entanto com o isolamento internacional da causa independentista, designadamente com uma Europa confusa, amedrontada pela sua sombra disforme e presa aos interesses económicos. Resta assim um líder …

Rui Rio, já é líder do PSD?

Oficialmente. Na prática poucos reconhecem em Rio um líder em plenas funções. Apesar ocupar o cargo de Presidente do PSD desde o congresso, Rui Rio ainda não parece ser efectivamente líder do partido. Na verdade e apesar do tempo ir passando, Rui Rio está mais ocupado em lidar com as polémicas do que propriamente com a liderança do maior partido da oposição. Primeiro foi a forte contestação à escolha de Elina Fraga, ex-bastonária da Ordem dos Advogados envolvida em processos judiciais e pessoa que se repugna com as esquerdas. Agora é a vez do secretário-geral do PSD, Barreiras Duarte, ter mentido sobre as suas habilitações académicas, inventando ter sido professor convidado em Berkeley. Recorde-se que este criativo já foi chefe de gabinete de Passos Coelho e secretário de Estado Adjunto do inefável Miguel Relvas. Talvez se Barreiras Duarte ocupasse ainda um desses cargos não existiria polémica. Quem sabe?

Entre as polémicas, Rio não está a ter a oportunidade de se afirmar como líder do P…

Mais uma demissão

O mandato de Donald Trump será caracterizado por um conjunto inusitado de episódios tristes, mas as demissões que se avolumam desde que o inefável Presidente americano tomou posse deixam inquietações quanto a qualquer resto de seriedade que possa existir nesta Administração. Agora foi a vez de Rex Tillerson sair pela porta pequena, ofuscado pelo ego do pior Presidente que os EUA jamais conheceu. O anúncio foi feito no Twitter, claro está. Incrivelmente o ex-patrão da ExxonMobil conseguiu dar algum bom senso a uma Administração dominada pela incúria e pela arrogância. É incrível como é que um dos patrões de uma petrolífera consegue representar uma evolução ao pé do Presidente americano. Sinais da degradação em que se tornou a Casa Branca. Torna-se difícil escrever sobre esta Administração, é simplesmente tudo tão negativo que ultrapassa as palavras e os argumentos. Esta demissão significa antes de tudo que apenas a mediocridade e a ignomínia têm assento permanente na Casa Branca. E quando…

A esperança da direita

Depois da saída de Passos Coelho e sobretudo depois da nova liderança encabeçada por Rui Rio não entusiasmar viva-alma, há quem olhe para o CDS com esperança, tratando-se sobretudo de uma nova esperança para a direita mais conservadora. O congresso do CDS serviu não só para consagrar a actual liderança, mas também para manifestar um conjunto de intenções que sublinham, reiteradamente, que o partido de Assunção Cristas não está disposto a entendimentos com o Partido Socialista (a repetição chegou a ser patológica) e que está, ao invés, empenhado em encher as medidas de uma direita que não se revê no PSD de Rio. Apesar da sua dimensão, o CDS procurará, num primeiro plano, afirmar-se como um partido de direita alternativo à confusão que está instalada no PSD, ora com Rui Rio a afirmar-se contra um bloco central, mas em simultâneo a procurar entendimentos; ora com Rui Rio a declarar-se social-democrata nuns dias e noutros nem tanto. É evidente que o CDS pode tirar alguns dividendos destas …