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Mensagens

O Futuro da Síria

O presente já o conhecemos: o inferno na terra, parafraseando o secretário-geral da ONU, António Guterres. O que não sabemos é o que será da Síria quando as armas se calarem. É compreensível que esta não seja a preocupação a dominar a agenda internacional, desde logo porque o tal inferno de que Guterres falava continua, apesar dos vários ensaios de um cessar-fogo. Todos pensam no presente e ninguém está, neste momento, a desenhar cenários de futuro. De qualquer modo, parece evidente que Bashar al-Assad, com o decisivo apoio de russos e iranianos, sairá vencedor desta guerra indescritível. Bashar al-Assad é acusado de crimes contra o seu próprio povo, alguns dos quais incluem a utilização de armas químicas. A barbárie não terá sido apenas perpetrada por al-Assad, mas ele é indubitavelmente responsável pelos actos mais hediondos praticados contra o povo sírio. Como é que um facínora - o adjectivo será um eufemismo na perspectiva de muitos sírios - pode trazer qualquer espécie de paz e tra…

Itália: regresso do fascismo

Camus dizia que o bacilo do fascismo nunca desaparece. Em Itália parece ser exactamente isso que está a acontecer com o recrudescimento dos partidos de extrema-direita e com a resposta da extrema-esquerda e subsequentes confrontos. Com eleições marcadas para o próximo dia 4 de Março e com a extrema-direita bem posicionada para alcançar um resultado histórico, poucos estarão preocupados, pelo menos fora de Itália. Uma vez mais, a UE assiste de camarote ao espectáculo do circo a arder, com o seu ar de superioridade num contexto de manifesta displicência. Recorde-se que no início do mês um membro da extrema-direita disparou contra imigrantes africanos e os partidos da extrema-direita incluindo a Força Itália de Berlusconi ao invés de condenarem os ataques e por aí se ficarem, optaram por responsabilizar os imigrantes pelo sucedido, colocando o ónus nas vítimas ao mesmo tempo que prometeram deportações em massa. Itália vive um clima de acesa crispação, com agressões entre membros dos part…

Quando a esquerda repugna

Quando a esquerda ou a direita democráticas repugnam afere-se que quem proferiu tais palavras denota a sua pouca ou nenhuma apetência para aceitar e consolidar essa democracia. Este é claramente o caso de Elina Fraga, aposta de Rui Rui que mantém a sua posição irredutível no que diz respeito à ex-bastonária da Ordem dos Advogados sob suspeita e investigada pela justiça – continua a dar o seu apoio, sem uma única piscadela de olhos. Houve quem procurasse defender Elina Fraga lembrando a inexperiência da agora vice-presidente do PSD. Não se trata de inexperiência, trata-se isso sim de uma visão que é partilhada e que tem mais em comum com os apaniguados do PSD – os mesmos que ainda têm o partido sob seu domínio – do que estes gostariam de admitir. Na verdade, eles têm muito em comum com Fraga, desde logo a começar pela tal visão partilhada e que se caracteriza pela intransigência e por um conjunto de preconceitos que estiveram na base da teoria que postula(va) que a solução governativa em…

Qual ética, qual quê?

Há comportamentos abjectos que ainda se tornam mais abjectos quando adoptados na política. Durão Barroso vem dando fortes contributos, sobretudo agora que "trabalha" para a inefável Goldman Sachs.  Apesar do prometido, lá vemos Durão Barroso, ex-Presidente da Comissão Europeia, deambular pelos corredores dessa mesma comissão para fazer lobby. Nunca é demais recordar que Barroso deu garantias de que não faria lobby junto de Bruxelas. De resto essa promessa serviu precisamente de moeda de troca aquando da investigação que acabou arquivada. Como se vê, Barroso é um homem de palavra. Qual ética, qual quê? Afinal que utilização dá um ser rastejante à ética? Nem saberia o que fazer com ela. Juncker, actual Presidente da Comissão, veio dizer que Barroso não é um gangster. Também neste particular não existem surpresas. Para a Comissão Europeia, como para as restantes instituições, a economia deixou de subjugar à política e esta deixou de se subjugar à ética. Barroso quase que se inte…

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência directa de uma for…

Um líder de transição

O futuro não augura nada de bom para Rui Rio e, para tornar tudo pior, Rio fez as piores escolhas possíveis, como é o caso de Elina Fraga - figura contestada por muitos, odiada pelos órfãos de Passos Coelho e até alvo de investigação por parte da justiça. Por outro lado, Luís Montenegro não foi a eleições, mas estará na linha da frente de sucessão. Até lá dedicar-se-á à família e à profissão. Montenegro não quis ser líder do partido num contexto particularmente difícil, designadamente com o sucesso da esquerda e com o consequente esvaziamento do discurso neoliberal do seu partido. Era necessário um líder de transição e Montenegro não estava disposto a desempenhar esse papel. Depois, se esta solução governativa se esgotar, voltará a estar disponível a candidatar-se, pelo país e pelo partido. claro está. O congresso do fim-de-semana passado foi paradigmático da desunião que se vive no partido, fruto do facto de estarem longe do poder e sem perspectivas de o recuperar. Paralelamente, Rui R…

O congresso da pequenez

O congresso do PSD que serviu para entronizar o líder eleito Rui Rio foi o espelho da pequenez de um partido desorientado por estar longe do poder e, pior de tudo, sem perspectivas de o recuperar. A pequenez do partido é patente na forma como as distritais que apoiaram Rio se mostraram “magoadas” por terem ficado excluídas, nas escolhas polémicas como o caso da inefável ex-bastonária da Ordem dos Advogados, Elina Fraga, nos avisos de quem ainda não foi a eleições, mas parece querer ir agora, como é o caso de Luís Montenegro e na omnipresença de Santana Lopes. Pelo meio, muitos não acreditam nas palavras de Rui Rio a rejeitar a possibilidade de um bloco central. O resto do congresso voltou a pautar-se por mais pequenez, com exercícios repetitivos sempre com José Sócrates na boca de todos. De resto, não há mais nada para além de Sócrates. Não há ideias, projectos ou qualquer coisa remotamente semelhante, apenas tentativas de promover a mediocridade e ignomínia a heroísmo, tudo num conju…