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Mensagens

A natureza do PS

Ainda não tinha acontecido, verdadeiramente, mas a natureza do PS lá acabou por vir ao de cima, precisamente no dia da votação do Orçamento de Estado para 2018. Os secretários de Estado do Governo negociaram com o Bloco de Esquerda uma taxa que recairia sobre as renováveis. E estava tudo muito bem até os deputados do Bloco serem apanhados de surpresa em plena votação para o OE. As justificações para esta quebra de confiança já começaram a surgir: uma indica que a medida afastaria investimento internacional - é que aparentemente os que investem nas renováveis também compram dívida portuguesa; outra justificação é de ordem jurídica e defende a tese de que o país acabaria nos tribunais internacionais com poucas hipóteses de vencer. Ou seja, Portugal não pode aplicar medidas justas e que teriam impacto na vida dos seus cidadãos, sob pena de afugentar o dinheiro dos investidores ou de acabar a perder nos tribunais - formas de chantagem profusamente usadas. Mesmo considerando estes alegados o…

O PS não sabe comunicar

Para celebrar dois anos de Governo, o PS escolheu as piores opções, todas elas com cheiro a demagogia e a artificialidade, com especial destaque para a sessão de perguntas e respostas, previamente congeminadas e sem um laivo de originalidade. A forma atabalhoada como o PS escolheu celebrar os dois anos de Governo revela a incapacidade deste partido no que diz respeito à comunicação - facto particularmente penalizador para um partido político. Este é, aliás, talvez o maior problema do Partido Socialista - não tem uma estratégia de comunicação, nem protagonistas para executarem essa estratégia. A excepção parece ser Pedro Nuno Santos.  De qualquer modo a comunicação é, amiúde, enviesada, manipulada e mais não é do que pura propaganda, descaradamente. De resto, o facto dos inquiridores terem sido pagos nem é o que ficará na memória das pessoas, mas sim o facto de que, globalmente, o PS é um desastre em matéria de comunicação. Em contrapartida, o Bloco de Esquerda que faz parte desta solução …

Dois anos de "geringonça". E o futuro?

Depois do Diabo ter recusado um pacto com Pedro Passos Coelho - aparentemente até o Diabo terá os seus critérios - a chamada "geringonça" fez os seus dois anos.  Dois anos passaram e mais do que olhar para o passado, importa olhar para o futuro desta solução política, desde logo porque existem novas variáveis na equação e outras que estão prestes a mudar. A mudança de líder no PSD é uma variável a ter em conta, seja o populismo de direita de Santana Lopes a vencer ou as ideias anacrónicas de reedição de bloco central de interesses de Rui Rio a conseguir a liderança. Seja como for a mudança estará a caminho. De igual modo, essa mudança poderá provocar alterações de comportamento no próprio Presidente da República que terá particular simpatia pela ideia de um bloco central. Por conseguinte, o futuro terá forçosamente de passar pela manutenção e consolidação da dita geringonça, por mais dois anos. De resto, quer o PS, mas sobretudo os partidos à esquerda do PS terão bem presente …

Desesperadamente à procura de um líder

Depois de Passos Coelho anunciar que abandonaria a liderança do PSD, o partido procura desesperadamente um pai, perdão, um líder. Duas figuras do partido surgiram como candidatos: Pedro Santana Lopes, candidato da demagogia, com um passado antigo e marcado pela incompetência; e Rui Rio, candidato apologista do velho bloco central de interesses, também com um passado, não tão antigo, mas igualmente pouco recomendável. Entretanto, e enquanto Passos Coelho ainda anda por aí, os membros do partido, sobretudo aqueles que sentem o peso da orfandade que se abateu sobre o seu partido, procuram disfarçar o já habitual vazio, agora amiúde acompanhado por doses assinaláveis de ansiedade. Com efeito, os membros do partido, quase todos órfãos de Coelho, atiram-se ao Governo desprovidos de qualquer estratégia, que, por força das circunstâncias, seria sempre a prazo. Chumbam o Orçamento manifestando dificuldades em disfarçar o seu próprio vazio de ideias e propostas que caem amiúde no saco da austerid…

Governar à pressa

A transferência da sede do Infarmed para o Porto, precisamente na ressaca daquela cidade ter perdido a possibilidade de albergar a Agência Europeia do Medicamento dá toda a impressão de ter sido fruto da pressa e do oportunismo. É evidente que o argumento que postula a necessidade de se combater o centralismo é particularmente difícil de refutar. Haverá mesmo um consenso entre todas as forças políticas quanto precisamente à necessidade de fazer de Portugal um país mais igual. Todavia, a simplicidade e simultaneamente força do argumento não impede que se avalie a forma como a medida está a ser tomada: à pressa, com um claro sentido de oportunismo e à revelia de quem trabalha no Infarmed. Governar à pressa e ao sabor dos acontecimentos não pode ser considerado positivo, mesmo que a medida em questão aparentemente possa sê-lo. Provavelmente, haverá, no Governo, quem também se apresse a alegar que a ideia já estava, há muito, a ser amadurecida e que terá sido convenientemente planeada. O que …

PS e austeridade

É uma ilusão pensar-se que o Partido Socialista não foi, nem é apologista da austeridade, e é outra ilusão pensar-se que este Governo socialista estará disposto a repor tudo o que foi perdido ao longo destes anos. Vem isto a propósito da pressão de sindicatos da Administração Pública para que seja reposto o que foi retirado, designadamente em matéria de congelamento nas progressões da carreira. O sucesso dos sindicatos dos professores nesse particular terá dado ânimo a que outros reclamassem as mesmas medidas. Ora, o primeiro-ministro diz que não e que não é "possível refazer a História", o Presidente afirma que não se pode "desbaratar o que deu tanto trabalho", o Bloco de Esquerda não se mostra disposto a ir excessivamente em sentido contrário ao PS e PCP deixa os sindicatos, designadamente os que lhes são afectos, fazerem o trabalho de oposição. A reposição do que se perdeu, na Administração Pública e fora dela, é uma exigência legítima, mas em larga medida irreali…

Crise política na Alemanha

Com a cada maior certeza de novas eleições na Alemanha, sobram as incertezas quer para a Alemanha, quer para a própria Europa, impondo-se a questão: até que ponto o falhanço dos principais partidos alemães quer no alcance de um acordo, quer na própria resolução dos problemas mais prementes, não poderá resultar num maior desgaste desses próprios partidos, com benefício da extrema-direita? A resposta, claro está, só após a realização de novas eleições, mas o risco está lá e o AfD está também presente para aproveitar o que vier e que será bem-vindo. Recorde-se que nas últimas eleições este partido conseguiu um resultado histórico, enquanto a CDU de Merkel teve um resultado abaixo do habitual. E os sociais-democratas do SDP (que se haviam coligado com a CDU) tiveram um dos piores resultados da sua história, seguindo os passos de outros partidos socialistas e sociais-democratas, num processo iniciado pelo PASOK grego cujo destino, ironicamente, não pode ser dissociado da própria Alemanha. Me…