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Mensagens

Marcelo, o adorado

Muitos, incluindo à esquerda, viram em Marcelo um aglutinador de vontades, um Presidente empenhado em fazer da união a sua marca, alguém que poderia viabilizar a chamada "geringonça". Enganaram-se. Marcelo está longe de ser o que tem sido propalado, apoiando-se num populismo baratucho disfarçado de afectos aos montes. Quanto ao episódio em que Marcelo puxa as orelhas ao Governo, incapaz de não cavalgar a desgraça dos incêndios, nem uma palavra quanto ao facto de já ter conhecimento de que a ministra da Administração Interna seria demitida, preferindo passar a ideia de que seria ele, o Presidente, a exigir essa demissão. Nem uma palavra quanto à dissimulação. Obviamente.
Com Marcelo virão novas surpresas desagradáveis. Em primeiro lugar estará ele próprio, o mais amado dos amados, numa espécie de messianismo que nunca, verdadeiramente, ultrapassámos. O primeiro-ministro existe, mas na condição de estar em segundo plano; os portugueses têm de continuar a amá-lo, a si, Marcelo, e…

Catalunha: pior dos caminhos

Depois de tanta intransigência do Governo espanhol e depois ainda de Puigdemont, Presidente da Generalitat catalã, ter sido encostado à parede até pelos próprios parceiros de coligação este decidiu transferir a decisão da independência para o Parlamento catalão que a aprovou. Importa lembrar que com a independência virá também a mudança de regime: a república. Todavia, escolheu-se o pior dos caminhos, aquele que se encontra repleto de incógnitas, clivagens e provavelmente violência. Certezas, aparentemente, só relativamente à realização de eleições antecipadas. Em contrapartida e praticamente em simultâneo, o Senado espanhol aprovava a aplicação do artigo 155 que pressupõe a suspensão da autonomia numa espécie de carta branca para que o Governo espanhol reponha a legalidade. Novamente o pior dos caminhos, o que se poderá degenerar em mais divisões e em violência. Assim, as questões que se colocam são as seguintes: e se tivesse existido diálogo? E se Rajoy tivesse deixado cair a intransi…

Santana Lopes: candidatar-se por Portugal

Incapaz de ficar longe das luzes da ribalta, Pedro Santana Lopes candidata-se à liderança do PSD, ou me melhor dizendo PPD-PSD. Assim, e já em plena campanha, o candidato arrepia caminho em entrevistas. Na última afirmou candidatar-se por Portugal, numa espécie de mito do herói desejado. E embora já tenha passado até pelo cargo de primeiro-ministro, ainda se jullga desejado. E talvez não esteja errado a respeito disso mesmo. Na mesma entrevista Santana Lopes dá pistas sobre aquela que será a sua estratégia. Já percebeu que a acrimónia de Passos Coelho não resultou, mas também tem consciência de que não pode antagonizá-lo, sob pena de perder o apoio e votos dos seus órfãos. Santana Lopes chegou a uma conclusão: a estratégia de Passos Coelho, sempre em tons de cinzento, já não produz os efeitos desejados, sobretudo agora que existe uma outra solução política que aplica uma estratégia oposta, obtendo melhores resultados. Santana Lopes sabe bem que os cidadãos, mais ou menos informados, ma…

Perante o vazio  de ideias

A vida não estava a ser fácil para a direita, tanto mais é assim que a própria liderança do PSD acabou por soçobrar às mãos do sucesso da solução governativa de esquerda e perante o mais absoluto vazio de ideias. Depois da Europa ter abrandado a fome de austeridade (entre outras razões, ter-se-á apercebido que existem problemas incomensuravelmente mais graves do que a consolidação das contas públicas de Portugal e Grécia, sendo o Brexit um bom exemplo dessa enormidade de problemas com que a Europa se confronta), ter-se registado uma melhoria da economia mundial, por precária e efémera que seja, e depois ainda da actual solução governativa ter demonstrado que se podia ter as contas em ordem sem dar cabo da vida dos cidadãos, a direita viu-se confrontada com um enorme vazio de ideias, depois de ter aplicado um enorme aumento de impostos. A comunicação social tem a seu cargo o desgaste diário da actual solução governativa, procurando, quer através da selecção das notícias, mas também atrav…

Moção de censura

Já são perto de 30, mas quem está a contar? E apenas uma resultou na queda de um Governo - o de Cavaco Silva, não se tendo perdido, verdadeiramente, nada. Agora é a vez do CDS, a reboque da tragédia dos incêndios, procurando vender uma explicação simplista, apanágio da demagogia: a responsabilidade dos incêndios e da tragédia que os mesmos causaram são responsabilidade do Governo de António Costa, desde logo porque em quatro meses - desde Pedrogão - não se fez o que em quatro décadas não se tem feito. Assunção Cristas, líder do partido desde a saída do famigerado Paulo Portas, tem-se sentido bem. Com um PSD apagado e em transição, o CDS procura crescer, mas apenas em número de votantes, porque em matéria de maturidade política o que se tem visto sob esta liderança deixa muito a desejar: demagogia barata, ausência de ideias e de projectos e um simplismo hediondo. Afinal de contas, e em muitos casos, tem sido precisamente essa a receita para ganhar eleições.
Apoiado por um PSD à procura d…

PSD: Clarificação ideológica

Considerado um "catch all party", o partido que pretende chegar a todos, numa tradução particularmente livre, o PSD prepara-se para uma nova liderança, sendo que um dos candidatos - Pedro Santana Lopes - promete uma clarificação do partido. Não se sabe se essa será uma clarificação também ela de natureza ideológica, mas se for, em que espaço ideológico ficará o PSD? Continuará na senda do neoliberalismo, caminho percorrido, com especial, prazer por Pedro Passos Coelho? E o que será feito dos herdeiros do ainda Presidente do partido? Rui Rio, aparentemente, ainda terá a social-democracia na cabeça, o mesmo não se passará com Pedro Santana Lopes que dificilmente resistirá ao populismo que lhe é inerente e, consequentemente, apelará ao séquito de Passos Coelho com as políticas de centro-direita, a resvalar para o misto de neoliberalismo e mediocridade a que Passos Coelho nos habitou. Pese embora um certo falhanço do neoliberalismo na Europa, a verdade é que ele, um pouco menos vi…

Artigo 155

Aí está o famigerado artigo 155 da Constituição espanhola, finalmente evocado por Mariano Rajoy. Quer isto dizer que se suspende a autonomia da região da Catalunha e governa-se a partir de Madrid. Ora e apesar das pretensas ilegalidades cometidas pela Generalitat e profusamente evocadas por Rajoy, a verdade é que a aplicação do artigo 155 da Constituição espanhola pressupõe o enfraquecimento da democracia, não serão os representantes eleitos para governar a região a tomar decisões, mas sim o poder central. Indiscutivelmente assiste-se a uma perda de soberania. O resultado da suspensão da autonomia anula também qualquer espécie de diálogo e espera-se assim uma maior pressão por parte dos independentistas. Espera-se em consequência, uma declaração formal e inequívoca de independência. Está em jogo a autonomia, a monarquia, e agora, mais do que nunca, a própria legítimas aspirações democráticas dos Catalães. Rajoy espera dobrar os independentistas, através, num primeiro momento, da repressão…