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E se fingíssemos que o racismo não existe?

Na verdade é precisamente isso que temos vindo a fazer e, no pior dos cenários - naqueles em que é particularmente difícil escamotear - alegamos, de forma invariavelmente condescendente, que o nosso racismo não é tão mau quanto o dos outros e que se calhar, bem vistas as coisas, nem é bem racismo, são ideias pré-concebidas, eventualmente mal concebidas.
O problema ocorrido no Bairro da Jamaica (conjunto de prédios em alvenaria promovido a bairro) foi o suficiente para levantar a questão do racismo e do incómodo que o assunto traz para aquele pano de fundo de que tanto gostamos e que apelidamos de "brandos costumes".
Deste modo subsiste uma divisão que começa a ser cada vez mais notória entre aqueles que consideram que o racismo deve ser amplamente discutido e outros que, em nome de um argumento que postula que a mera associação de determinadas situações à palavra racismo fortalecerá movimentos de extrema-direita.
Bom, não será necessária uma análise particularmente exaustiva da História para se perceber que o silêncio e o subsequente gesto de empurrar o problema para debaixo do tapete nunca resolveu o que quer que seja, bem pelo contrário - permitiu que o pior viesse mesmo a acontecer.
Por conseguinte, e mais que não seja por esta razão que a História não nos fará esquecer, fingir que o racismo não existe nem sequer pode ser considerada opção, seja em nome do que for.

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