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Mensagens

E subitamente... um estranho fascínio com museus

O museu, melhor dizendo, centro interpretativo do Estado Novo, já provoca um estranho fascínio, mesmo antes de abrir, mesmo enquanto mero projecto. De repente são muitos os que vem a público defender a importância de um museu sobre Salazar - por muito que os responsáveis pelo projecto se desdobrem em entrevistas alegando o contrário, a verdade é que a localização mostra-nos boa parte da intenção. De resto, a insistência com a localização e o entusiasmo do autarca de Santa Comba Dão são particularmente elucidativos. E de repente muitos se interessam sobre a divulgação e estudo sobre este período histórico: e de repente muitos afirmam estar contra uma espécie de censura ou branqueamento da história´. Confesso que é surpreendente a existência de tantos a clamarem pelas liberdades e pela importância da História. Será um renascimento para estes assuntos ou será que se perdeu o pouco que restava de vergonha em esconder o fascínio com Salazar, uma criatura carregada de mitos? Seguramente não s…

Um arranque tardio

O PSD esteve praticamente sem liderança, até agora. Rui Rio, Presidente do Partido, reduzido ou ao disparate ou até mesmo à insignificância, parece ter acordado agora para uma realidade que lhe é manifestamente desfavorável. Rio mostra-se mais combativo nos debates televisivos, mesmo que ocasionalmente conte com adversários que julgam colher dividendos nas indefinições e nas subsequentes contradições, como é o deputado do PAN, André Silva. No entanto, o arranque de Rio será tardio. O líder do PSD não conta com uma imagem favorável junto da opinião pública, por um lado, e, por outro, não tem o partido verdadeiramente do seu lado. De resto, há quem aguarde com ansiedade pela queda de Rio, uma óbvia inevitabilidade. Só falta saber a real dimensão dos estragos. Seja como for, e com o destino traçado, apesar deste arranque, Rio coze em lume brando, enquanto o partido aguarda por uma nova liderança, longe da social-democracia de que todos apreciam falar. Seja como for, o que aí vem, para o lu…

O prenúncio de um desastre à direita

A campanha para as eleições de 6 de Outubro já está na rua, mas ninguém, à direita, consegue esconder o desastre que se anuncia. E nem sequer é necessária muita atenção para se perceber o peso que esmaga ambas as candidaturas, a do CDS e sobretudo a do PSD. Assunção Cristas, sem saber para que lado se virar desde que Rio assumiu a liderança do PSD, procura assegurar que não perde votos. Convencida de que o CDS estará longe de aumentar o número de votos, tudo se resume agora a não perder e, sobretudo, a não perder por muito. Rui Rio, por sua vez, incapaz de se fazer sequer compreender, vai piscando o olho ao Partido Socialista, convencido que essa será a sua derradeira hipótese de conservar o lugar. No entanto, é também evidente que Rio não se manterá na liderança do PSD em qualquer um dos casos: o de perder clamorosamente as eleições e aquele ainda menos provável que seria uma hipotética aliança com o PS. A primeira hipótese dispensa fundamentação e a segunda prende-se com a mais do qu…

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

O Diabo não vem aí, o Diabo já cá está

Sob a ameaça de recessão, alguns comentadores decidiram ressuscitar a imagem do Diabo tão apregoada pelo malogrado (politicamente) Pedro Passos Coelho. Segundo o antigo primeiro-ministro o Diabo estava a caminho e seria a ruína da tão odiada geringonça. Note-se que este profecia do Diabo era mais um desejo do que propriamente mera futurologia. Agora e perante uma Alemanha a roçar perigosamente a recessão, perante as restantes economias europeias com um crescimento económico perto do zero, face ao resto do mundo, com a China à cabeça, a crescer muito menos e com uma guerra económica entre EUA e China como pano de fundo, desenterra-se o Diabo. Na verdade, o Diabo não precisa que as marionetas do costume o desenterrem. Na verdade, ele já anda aí e há muito tempo, chama-se capitalismo. Ele não vem, ele já cá está, entre os crescimentos e as crises, entre os crescimentos cada vez mais irrisórios e à custa do próprio planeta, mas com ares de verdadeira recuperação por se seguirem a crises pr…

O "blablabla" de Bolsonaro

A postura do Presidente brasileiro no que diz respeito à ditadura militar que manchou o Brasil de sangue entre 1964 e 1985 ultrapassa largamente os limites da decência, sobretudo quando as vítimas e familiares dessas vítimas têm que ouvir os desaforos desta inefável criatura. Entre as muitas asneiras que saem profusamente da boca do Presidente, destaca-se o revisionismo histórico atirado para cima de uma das vítimas da ditadura - o filho de um homem que foi torturado e assassinado. Esse filho é hoje Bastonário da Ordem dos Advogados brasileiros. A crueldade subjacente à postura e às palavras de Bolsonaro é inacreditável. Paralelamente, perante os documentos que narram o terror da ditadura, Bolsonaro afirma ser "blablabla". Isto para além de procurar descredibilizar a Comissão da Verdade cuja missão é precisamente investigar os crimes cometidos pela ditadura.. O blablabla do Presidente para além de ser estranha e tristemente pueril, é demonstrativo de uma postura …

Sondagens

As sondagens não têm sido particularmente felizes para os partidos de direita, mas a última sondagem da TVI é um verdadeiro balde de água fria para PSD, CDS e PCP. O PS fica longe da maioria absoluta, mas o PSD fica a 15 ponto percentuais de distância, enquanto o CDS passa para o partida trotinete com um resultado trágico: 3,3%. PCP/PEV não consegue mais do que 5.6% - o pior resultado em legislativas.
Em sentido contrário, a sondagem da TVI mostra o melhor resultado do Bloco de Esquerda, terceira força política, com uns expressivos 14,7 por cento e o PAN atingindo os 7,9%, passando para terceira força política.
Trata-se de mais uma sondagem com todas as limitações que as mesmas comportam, mas que no entanto serve para se discutir um cenário hipotético que, apesar de naturalmente incerto, mostra uma direita francamente enfraquecida. Um enfraquecimento que, de resto, a liderança do CDS já reconheceu e o especialista em ganhar eleições (em sonhos), Rui Rio, finge não existir.